quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Liga Europa: Dragão invicto na noite perfeita do leão

CSKA SÓFIA-FC PORTO (0-1): VENCEDOR, LÍDER E INVICTO

Décimo primeiro jogo e décima primeira vitória. O FC Porto segue invicto, respira confiança, está motivadíssimo, percebe que não pode relaxar, está obrigado a jogar sempre nos limites e encontrar em cada jogo um objectivo atraente. Quer ganhar sempre, construir um ciclo invejável de vitórias, sabe que vai ser travado mas quer atrasar ao máximo o dia em que perderá pontos pela primeira vez nesta temporada, continuar a sua caminhada com êxito pleno. O dragão assumiu o jogo em Sófia, mostrou os maiores recursos, jogou a seu gosto nos terrenos do adversário, marcou por Radamel Falcao, um golo natural, tendo passado ao lado de mais oportunidades para aumentar a vantagem. Esse foi, aliás, um problema novo, pouco visto nesta época, que afectou a equipa portista: ficaram muitos golos por concretizar. Daí que na segunda parte, com o CSKA espreitando uma chance para ser feliz, sendo ousado, o FC Porto tenha somado alguns sustos.

Rotatividade. André Villas Boas tem um vasto leque de jogadores, o grupo portista é forte, existem várias soluções e há a possibilidade de, em cada jogo, lançar novas peças sem descaracterizar ou tirar rendimento à equipa. Na Bulgária, o treinador voltou a apostar em Sapunaru, lançou pela primeira vez Otamendi e Maicon no centro da defesa, colocou Souza na vaga de Fernando e deu a Cristian Rodríguez a possibilidade de se juntar a Hulk e Falcao no tridente ofensivo. A ideia não altera: posse de bola, azul vivo, facilidade para chegar à área contrária e rival recuado, sem poder criar perigo, impedido de rematar à baliza de Helton. O golo chegou ao quarto-de-hora. Natural, anunciado e justo: Falcao recebeu de Hulk, encarou o guarda-redes M'Bolhi e atirou para o fundo da baliza da equipa búlgara. Tudo o resto, como fora antes, teve azul intenso como fundo. O FC Porto tomou as rédeas do jogo.

Embora apenas com uma vantagem tangencial, o FC Porto baixou a guarda e mostrou distracções. Tiivera inúmeros lances para voltar a marcar, com Falcao ou Belluschi, por exemplo, mas não foi eficaz. Na equipa búlgara, até então inofensiva e incapaz de criar desequilíbrios, sobressaiu um tal de Michel Platini. O atacante brasileiro aproveitou as falhas, assustou Helton, rondou o golo e colocou a vantagem do FC Porto em perigo, tal como Sheridan foi outra ameaça, mostrando o maior arrojo do CSKA de Sófia. André Villas Boas, percebendo que era necessário reagir, lançou Varela, Guarín e Walter. Ao mesmo tempo, poupou Hulk, Belluschi e Falcao. Conseguiu fazer a rotatividade e ser bem-sucedido. O FC Porto, pelo meio da subida dos búlgaros, continuou a criar oportunidades, assustar M'Bolhi e ter capacidade para fazer mais golos. Não fez. Tal como não sofreu. O tento de Falcao vale um passo decisivo.

SPORTING-LEVSKI SÓFIA (5-0): A NOITE DE RENDIÇÃO

Diogo Salomão. Começamos por ele. Tem vinte e dois anos, foi nesta temporada chamado à equipa principal do Sporting, chegou do Real Massamá, assim como acontecera com Nani, da terceira divisão. Mostrou potencial, garra e vontade para triunfar. Teve, ante o Levski de Sófia, a oportunidade de jogar como titular. Aproveitou, espalhou talento, desequilibrou, esteve eléctrico ante a débil defensiva búlgara e marcou um golo. Ao Sporting, atordido pelo mau início e cada vez mais intranquilo devido aos resultados recentes, com a derrota no derby ante o Benfica e o empate caseiro com o Nacional, evidenciando uma atitude passiva e de impotência, o jogo com os búlgaros chegou em boa altura: exibição sólida, confiante, mostrando superioridade, remetendo o campeão da Bulgária à sua área, sem que tenha criado qualquer perigo a Rui Patrício, conseguindo afastar os fantasmas da finalização. O leão produziu e marcou. Foram cinco.

O Sporting vive numa constante indefinição. Na temporada passada atingiu o seu ponto máximo: errou, deu imensos passos em falso, acumulou desatenções e terminou a vinte e oito pontos do campeão nacional e sem qualquer título conquistado. Pelo meio, contudo, teve belas exibições, principalmente na Europa, conseguindo um balão de oxigénio que logo terminou quando regressaram os problemas iniciais. Teve uma época de metamorfoses. O arranque para a nova temporada trouxe nova ambição, mentalidade renovada, jogadores e treinador novos, maior confiança. Os resultados não têm sido os desejados. No campeonato, por exemplo, o leão está já a dez pontos da liderança do FC Porto. Mesmo assim, mostrou consitência, capacidade e valor na Liga Europa, batendo o Lille, em teoria o adversário mais forte do grupo, jogando com apenas dois dos seus habituais titulares. Ante o Levski, o Sporting rugiu forte. Como nunca nesta época.

Sem Nuno André Coelho, sem André Santos, sem Yannick e sem Liedson. O Levezinho tem sido o grande suporte do Sporting, mostrou talento para resolver jogos sozinho, mas está em clara quebra. Perdeu o estatuto de indiscutível. Com isso, com as novas opções de Paulo Sérgio, beneficiaram Polga, Zapater, Postiga e o já referido Salomão. O primeiro golo surgiu, seguindo a ordem natural dos acontecimentos, à meia-hora: bola parada ofensiva, cabeceamento forte de Daniel Carriço, aberta a baliza de Petkov. Antes do intervalo, num inusitado golpe de cabeça, Maniche aumentou. O Sporting chegou a uma vantagem tranquila, concretizou o domínio territorial e ficou confortável. A segunda parte, mantendo a intensidade e a vontade de marcar, trouxe mais golos, mais três, até à mão-cheia: um remate de Diogo Salomão, um belíssimo tiro no regresso de Hélder Postiga e o fecho por Matías Fernández. Perfeito para o leão.

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