domingo, 26 de setembro de 2010

Estados de espírito: como vivem?

O FC Porto vive na felicidade extrema. Joga, ganha, as coisas saem bem, resultam, domina o adversário e marca os ritmos com confiança. Ganha terreno, impede as aproximações dos rivais, mantém o nariz empinado, cola-se no topo, não dá mostras de fragilidade, amealha pontos importantes e segue invicto: desde que venceu o Benfica, na Supertaça Cândido de Oliveira, o dragão somou nove triunfos, seis no campeonato, os outros na Liga Europa. André Villas Boas incutiu uma nova postura, um olhar diferente à realidade, percebe o que lhe é exigido, o seu FC Porto vence e convence sem precisar de ser massacrante ou brilhante em cada segundo dos noventa minutos de cada jogo. Trabalha ao pormenor, não deixa nada ao acaso, propicia rotatividade sem perder dinâmica, sabe o que faz, não relaxa sobre o extraordinário arranque, é impulsionada por Hulk. Givanildo deixou de ser um mortal e passou a herói: o FC Porto agradece.

O Benfica vive a sua recuperação. Começou mal, acumulou erros, perdendo pontos onde não se esperaria, assinou o pior arranque de sempre no campeonato português, pareceu deixar a defesa do seu título por mãos alheias. Agora, está em ascensão: leva duas vitórias na Liga, sobre Sporting e Marítimo, acrescenta-se outra ante o Hapoel, evidencia superioridade em todos, cresce, impede o adversário e cria diversas oportunidades, além de, finalmente, Roberto ter estabilizado e manter a baliza a zeros. Só que há uma diferença abissal, clara e explicativa, na força atacante da águia: perdeu fulgor, poder de fogo, está menos letal, dá bicadas mas não consegue o golpe de misericórdia. Contra o Marítimo, o Benfica teve diversas oportunidades, empurrou os maritimistas, rondou a baliza de Marcelo e só marcou por Fábio Coentrão. Valeu a vitória e isso é o importante. Mas não apaga, por exemplo, o desacerto do matador Cardozo.

O Sp.Braga vive um período estranho. Subiu ao céu ao eliminar o Sevilha, garantindo o passaporte para a fase de grupos da Liga dos Campeões, ao mesmo tempo que confirmou o seu poder no campeonato, querendo dar continuidade à extraordinária época realizada no ano passado, contribuindo mais um pouco para o crescimento do seu estatuto. Até que, de um momento par o outro, caiu com estrondo: vencido pelo FC Porto no melhor jogo do campeonato, dizimado pelo Arsenal numa espécie de praxe na liga milionária e surpreendido, depois de ter chegado à aparente tranquilidade, por vinte minutos finais arrasadores do Paços de Ferreira. Averbou três resultados negativos. A sua estrelinha empalideceu, perdeu-se um pouco, as dores de crescimento fizeram-se sentir e o Sp.Braga ficou abalado. Recuperou ante a Naval: vitória justa, cómoda e tranquila, marcando três golos e sofrendo um, sem que tenha jogado bem.

A Académica vive acima do que esperaria. À sexta jornada, para uma equipa que se habituou a estabelecer objectivos realistas e com o pensamento somente em garantir a permanência no principal campeonato português, ocupar o segundo lugar, tendo onze pontos, é fenomenal. A equipa de Jorge Costa começou bem com uma vitória na Luz, a primeira a que o campeão nacional foi sujeito depois do desaire na Supertaça, experimentou um empate e uma derrota nas jornadas seguintes, conseguiu reencontrar-se e assina um brilharete. Para quem tenciona apenas evitar o mal-estar de se ver inserido nos lugares de descida, fugindo deles a sete pés, a Académica está bem, recomenda-se, dá provas, como deu frente ao Vitória de Guimarães, num belo jogo de futebol entre duas equipas capazes e creditadas, de ter capacidade de algumas surpresas, podendo parar os grandes e, aos poucos, alargando horizontes.

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