sábado, 20 de fevereiro de 2010

Dois meses até aparecer a luz no túnel

A luz ao fundo do túnel, por fim. Foram anunciadas, hoje, as consequências dos incidentes ocorridos no final do Benfica-FC Porto, a 20 de Dezembro: Hulk foi castigado com quatro meses de suspensão, Sapunaru com seis meses e o Benfica multado em mil e quinhentos euros por actuação provocatória dos stewards. Ora, esta acção dos elementos da empresa de segurança contratada pelo clube encarnado foi, nas palavras de Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, uma atenuante que permitiu reduzir as penas a aplicar aos jogadores do FC Porto - a moldura penal variava entre seis meses e três anos, mas, devido a esta situação, foi reduzida para metade. Conforme adiantou Ricardo Costa, o Benfica é penalizado por não ter sido mantida a ordem no caminho para os balneários.

Com suporte nas provas testemunhais recolhidas, o relatório dos delegados do jogo, da equipa de arbitragem e das forças policiais, ouvidos na fase de instrução do processo, a Comissão Disciplinar aplicou os castigos, dentro da moldura penal, que lhe pareceram justificados pelos indícios recolhidos. Não há, por isso, qualquer discussão relativamente a esse tema: o inquérito foi instaurado, as testemunhas ouvidas, lidos os relatórios e foram tomadas estas decisões penalizadoras. Levanta-se, contudo, um problema: o atraso para serem conhecidas as sanções a aplicar. Segundo um cronograma anexado ao acórdão da Comissão Disciplinar, o processo foi entregue ao seu instrutor no dia 23 de Dezembro. Os castigos conhecidos a 19 de Fevereiro.

Num processo tão importante quanto esta, para o clube, mas, acima de tudo, para os futebolistas profissionais indicados, a decisão tem que ser tomada e conhecida o quanto antes. Suspensos preventivamente até ao final do inquérito, os jogadores ficaram impedidos de dar o seu contributo à equipa - algo previsto nos regulamentos, o maior problema de toda a questão. O tempo passou, a fase de instrução manteve-se, tardaram em ser conhecidas as decisões. Apenas hoje a Comissão Disciplinar as anunciou. Diz Ricardo Costa que se tratou de uma decisão célere. Não foi, obviamente. Dois meses, com doze jogos pelo meio, é demasiado tempo para deliberar castigar quem quer que seja. A justiça desportiva, à semelhança do sucedido após o Sp.Braga-Benfica, foi pouco lesta na sua acção.

O tempo em que esteve suspenso, sem saber o resultado da averiguação disciplinar, corresponde a metade do castigo aplicado a Hulk. É fundamental, a bem da credibilização do futebol, que a justiça seja rápida a agir. Os jogadores, profissionais de futebol, não poderiam ter estado tanto tempo neste impasse. Este caso do túnel é, indiscutivelmente, o expoente máximo de uma época marcada por inúmera polémica. E poderá não estar terminado, já que o FC Porto tem, ainda, a possibilidade de recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, na esperança de ver mudada a sanção aos seus atletas - sobretudo a Hulk, uma vez que Sapunaru foi emprestado, até final da temporada, ao Rapid de Bucareste.
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2 Comentários:

Anónimo disse...

Qualquer Processo Disciplinar, tem os seus trâmites e tempos, ponto assente

Lendo de cruz o acordão é curioso verificar que quer o FCP quer o SLB, sempre que tiveram que contestar ou semelhante o fizeram sempre no ultimo dia do prazo

Também o FCP apresentou várias contestações que tiveram que ser decididas, mais tempo utilizado

No final de tudo apenas uma pequena nota

Os Clubes e só os Clubes é que fizeram este regulamento, agora entendam-se com o que armaram

Jornal Só Desporto disse...

Em Portugal e no Desporto em geral só se sabe é fazer actos de autêntica cobardia. Porque os dirigentes e alguns intervenientes matam a paixão do desporto o que se joga o ir ao estádio e não só acompanhar etc.

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