sábado, 16 de janeiro de 2010

Um dragão intermitente

Chegou o FC Porto ao fim da primeira volta com um saldo de dez vitórias, dois empates e três derrotas. Trinta e dois pontos somados no total. Um a mais do que em igual período da temporada transacta, portanto. Porém, se em 2009 os dragões lideravam, agora estão em terceiro e com menos quatro pontos do que o líder. Esse é, obviamente, um sinal claro de como os adversários estão mais bem preparados. No entanto, para além da frieza dos números favorável aos dragões, é necessário olhar à forma como a equipa se apresenta. Aí, o FC Porto de 2009-10 é inferior ao de 2008-09. A esta equipa falta magia, por vezes capacidade de descompensar as defesas contrárias, parece menos talhada para ser dominadora. E consistente, acima de tudo.

Nas equipas de Jesualdo Ferreira é habitual que exista uma evolução positiva ao longo da temporada e, por isso, sejam alcançandos aos objectivos propostos. Poderá ser essa uma imagem de marca do treinador, algo que também está bem patente no FC Porto. Voltando à comparação com a última época: os portistas tiveram dificuldades no começo, conseguiram suplantá-las, ascender paulatinamente na classificação e, então, chegar a um título incontestável. A partir de 1 de Novembro de 2008, data da derrota na Figueira da Foz, já depois de ter caído perante o Leixões, o FC Porto não mais vacilou. Eram visíveis, a cada jogo, melhorias na equipa.
No presente, os portistas também arrancaram de forma intermitente. Recuperaram. Não totalmente, contudo. Os problemas regressaram.

A melhor fase da temporada do FC Porto surgiu após uma derrota frente ao Marítimo. Tal como em 2008-09. Entre Novembro e Dezembro, os portistas somaram três vitórias consecutivas para o campeonato - com boas exibições ante Rio Ave, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal - e uma prova categórica em Madrid, com o Atlético. Parecia ser a pedra de toque para a ascenção portista. Todavia, o clássico com o Benfica, a fechar o ano, trouxe talvez o pior FC Porto da época. Depois da retoma, quando se esperava que fosse absoluta, uma recaída. Para fechar a primeira volta, de novo uma vitória: ante a União de Leiria, inteiramente justa, embora com grande dose de sofrimento à mistura. Importava, por isso, partir para a segunda metade do campeonato da melhor forma.

Era o objectivo dos portistas, jogando em casa, frente ao Paços de Ferreira. Que culminou em empate e distância para o topo em risco de poder ser aumentada (os rivais jogam amanhã). Os males do FC Porto são antigos, bem conhecidos, prendem-se essencialmente com a deficiência que a equipa demonstra em construir jogo, em se sobrepor ao adversário no momento de decidir, em ter rasgos de talento. Frente ao Paços, foi preciso um golo contrário para a equipa acordar verdadeiramente. Em desvantagem, com doze minutos pela frente, contabilizando os descontos, os portistas fizeram mais do que em todo o tempo jogado. Deu um golo, foi tarde. A Lei de Murphy ganhou destaque: grande exibição de Cássio, perdidas incríveis, um golo mal anulado. Tudo junto explica o resultado.


3 Comentários:

Anónimo disse...

e o golo mal validado (golo do falcao é com a mao) n convém referir????

Ricardo Costa disse...

Anónimo,

Quando escrevi o texto nem sequer se havia falado dessa possibilidade, o golo pareceu a todos absolutamente legal. Apenas agora, vendo as variadas imagens presentes no Youtube, me foi possível observar que, de facto, antes de entrar, a bola resvala no braço de Falcao. Portanto, há uma ilegalidade.

Jornal Só Desporto disse...

Bom artigo.

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