segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O campeão tratou a imagem

Um empate e uma derrota depois, o FC Porto regressou às vitórias para o campeonato português. Fê-lo frente ao Rio Ave, no Dragão. Não se pense, porém, que foi um triunfo fácil. Pelo contrário, pois o Rio Ave é uma equipa que se sabe fechar e defender sem necessitar de colocar uma muralha junto à área. A vitória do FC Porto baseou-se, sobretudo, no esforço, na persistência e na crença que os jogadores mantiveram. Foi justa. E sofrida: o golo vitorioso demorou a chegar, por algum desacerto dos atacantes portistas mas, sobretudo, por uma magnífica prestação do guarda-redes Carlos. A prova maior à personalidade dos dragões surgiu após um penalty desperdiçado por Falcao, nos minutos inciais da segunda etapa. Foi ultrapassado, atitudo bem diferente das últimas mostras. O FC Porto está longe ainda da equipa que conhecemos mas melhorou.

Oitenta e dois minutos: canto de Raul Meireles, toque de Farías para a entrada da pequena área e desvio precioso de Varela para o fundo da baliza do Rio Ave. Suspiraram de alívio os adeptos portistas, o FC Porto desfez o empate e ficou com tudo para somar os três pontos. Foi uma recompensa pela insistência, para a equipa de Carlos Brito um castigo. Imperou a lei do mais forte. Antes disso, o jogo tinha sido entretido, bem dividido, sempre com maior poderio do FC Porto mas sem um Rio Ave encolhido ou demasiadamente encostado à baliza de super-Carlos - um guarda-redes que o jogo transformou em herói. Nem Carlos Brito joga assim. As suas equipas não se intimidam com o adversário, têm ambição (realista) e tentam explorar todo o relvado.

Faltavam, então, oito minutos para os noventa quando o empate foi desfeito. Não o nulo, porque antes disso, dentro da primeira vintena de minutos, já ambas as equipas tinham marcado. Aos vinte e três, Hulk furou a defesa do Rio Ave, tabelou com Falcao e atirou a contar. Pensou-se que o FC Porto teria aí facilitado a sua tarefa de vencer, que esse golo lhe poderia dar a tranquilidade que a equipa tanto tem procurado. Não. Jogaram-se somente mais dois minutos até João Tomás, elevando-se entre os defesas azuis-e-brancos, fazer voltar tudo ao início. O golo sofrido foi um bom mote para a reacção do FC Porto: pressionante, trocando a bola junto da baliza contrária, procurando marcar o quanto antes. Veio o penalty, Falcao falhou. Foi preciso esperar até Varela, salvador, fazer o golo tão desejado.

domingo, 29 de novembro de 2009

As duas faces do derby

O derby de ontem, entre Sporting e Benfica, não deixou ninguém totalmente satisfeito mas também não desiludiu. Faltaram os golos, o essencial de um jogo de futebol. Um resultado recheado é atractivo, nunca um nulo casmurro. O jogo não foi brilhante, porém foi bem disputado e intenso. Sobretudo em termos tácticos, onde houve um duelo bem interessante de seguir. Nenhuma equipa ousou arriscar na tentativa de chegar à vitória, sob pena de deixar o sector defensivo fragilizado. Os treinadores foram racionais, realistas e não correram o risco de dar um passo que fosse em falso. Deveriam ter sido mais astutos? A bem do espectáculo, sim. No entanto, poderiam pagar caro por isso. Assim, cada um à sua maneira, ficaram contentes: Carvalhal com o progresso da equipa, Jesus com o empate que mantém o Sporting onze pontos atrás - embora possa permitir que o Sp.Braga se distancie de novo.

Primeiro preocupar em suster o ímpeto do adversário e só depois partir para lances de futebol ofensivo. Foi assim, exactamente da mesma forma, que Carlos Carvalhal e Jorge Jesus montaram as suas estratégias. O Sporting apresentou-se em 4x2x3x1: Adrien Silva e João Moutinho à frente da defesa, Miguel Veloso, Simon Vukcevic e Matías Fernandéz num trio de apoio a Liedson. A colocação de dois pivôs defensivos comprova as preocupações que o treinador do Sporting teve para impedir que o Benfica criasse superioridade. Em termos defensivos, o xadrez produziu efeitos, pois os leões taparam bem os caminhos para a sua baliza. Ofensivamente, a equipa criou lances de perigo e teve ocasiões de golo. Fica a ideia de que Carvalhal poderia ter arriscado mais qualquer coisa. Porém, caso a equipa ficasse demasiado exposta, poderia ser fatal. Aí, sim, diria já adeus definitivo ao título.

No lado oposto, Jorge Jesus começou com o 4x4x2 losango que implementou no Benfica desde o início da temporada. Tem dado excelentes resultados, aliás. Porém, com o desenrolar da partida e para responder à superioridade inicial que o Sporting demonstrara, deslocou Pablo Aimar para o lado direito em troca com Ramires e recuou Saviola para as costas de Cardozo. A equipa ficou formatada num 4x4x1x1, com maior coesão na zona onde se desenrolou quase toda a acção deste derby: o meio-campo, sector nevrálgico para qualquer equipa. Contudo, o mago argentino não esteve particularmente inspirado e, sem ele, o Benfica perdeu a magia para criar lances perigosos para Patrício. À medida que o jogo se foi encaminhando para o final, Jorge Jesus percebeu que um ponto ganho na casa do rival é sempre positivo. O Benfica jogou pela certa, não abdicou de atacar mas fixou-se essencialmente em garantir o resultado. Teve sucesso.

Sporting-Benfica, 0-0 (crónica)

ONDE ANDA A ARTE DE MARCAR?

Um jogo equilibrado e dividido tinha que dar num empate. Mesmo sendo um derby.
O Sporting-Benfica teve intensidade, boas oportunidades para ambas as equipas chegarem ao golo, mas terminou a zeros. O Sporting esteve muitíssimo acima daquilo que havia feito até aqui, o Benfica não teve a criatividade necessária para marcar nem foi pressionante e incisivo como se esperaria. Em teoria, o empate seria sempre mais favorável aos encarnados, pois jogaram fora de casa. Na prática, também foi assim: não só por terem pertencido aos leões as melhores chances para quebrar o nulo mas também porque os onze pontos de distância se mantêm.

Um Sporting com dificuldades, um Benfica pleno de força. Dois grandes do futebol português que vivem agora em mundos diferentes. Um derby tem uma magia que não se explica, são noventa minutos onde tudo pode acontecer e onde o favoritismo nem sempre dá bons resultados. Lado-a-lado, Sporting e Benfica juntos num objectivo comum: ganhar. Nos leões, uma obrigação para iniciar uma recuperação que ainda lhes permita chegar ao título. Nas águias, para se manterem agarrados ao primeiro lugar e, ainda, deixaram o eterno rival definitivamente para trás. Carlos Carvalhal em busca de um tónico que faça a equipa recuperar a sua condição, Jorge Jesus atrás da afirmação.
Tudo isso num ambiente extraordinário. A convidar uma grande noite de futebol.

Hora do jogo, momento de desvendar as incógnitas que ainda restavam sobre os onze escolhidos. No Benfica, o regresso de César Peixoto à esquerda e a confirmação de Saviola com todas as condições para ser utilizado. Mais revolucionário foi Carlos Carvalhal: colocou o Sporting em 4x2x3x1, com Marco Caneira no lado esquerdo da defesa, Adrien Silva no meio-campo junto a Moutinho e ainda um tridente ofensivo com Vukcevic, Matías Fernandéz e Veloso. O novo treinador prometera atitude de leão nos seus jogadores e o início da partida trouxe um Sporting determinado, disposto a assumir o jogo. Liedson foi o primeiro a criar algum perigo, Cardozo respondeu com um remate que passou ao lado. Afinal, este era também um confronto de grandes goleadores.

BALANÇA EQUILIBRADA, OCASIÕES E... DESPERDÍCIO!

Porém, acabaria por pertencer a um defesa a grande ocasião de golo da primeira parte: Anderson Polga recebeu um passe teleguiado de Adrien, dominou a bola, encarou Quim, mas atirou muito por cima da trave da baliza encarnada. Seguir-se-ia, quase na jogada imediata, um remate de Liedson que o guarda-redes benfiquista parou bem. Na resposta, Patrício viu-se obrigado a sair da baliza para anular um lançamento longo para Cardozo.
Estavam jogados vinte e cinco minutos, o jogo finalmente teve um abanão. Até aí fora disputado, dividido e intenso, contudo jogado longe das áreas. O equílibrio esteve por detrás do espectáculo, a zona central do relvado foi o palco principal e os guarda-redes quase meros figurantes.

Após esse período em que o jogo se abriu, tudo voltou a ser como antes. Assim se prolongou pelos primeiros minutos da segunda parte. Pelo meio apareceu um remate forte de David Luiz que não teve consequências para a baliza de Rui Patrício. O momento de maior espectáculo que o derby de Alvalade ofereceu chegou, enfim, no minuto cinquenta e sete: Miguel Veloso rematou de longa distância e Quim opôs-se com uma monumental defesa. No canto que daí derivou, Moutinho teve um bom remate que passou perto do posto. Nunca uma equipa estivera tão próxima do golo. O Sporting era mais perigoso, o Benfica precisava que Aimar pegasse no jogo mas o argentino ficou demasiado preso ao lado direito. Jorge Jesus não teve gula, percebeu que um ponto ganho na casa do rival é sempre positivo e preferiu jogar pela certa.

O relógio apressava-se, a toada do jogo mantinha-se e um golo, fosse para quem fosse, parecia cada vez mais longe de surgir. Já dentro dos vinte minutos finais, com Rúben Amorim no lugar de Pablo Aimar, o Benfica voltou a aparecer num lance em que Di María viu Patrício negar-lhe o golo. A partida ganhou outro ânimo mas nenhum dos treinadores decidiu arriscar mais qualquer coisa em busca da vitória. Na parte final, a sete minutos dos noventa, os encarnados voltaram a estar próximos do golo: Ramires, junto à linha de golo, desperdiçou uma ocasião soberana de dar uma machadada final no Sporting. Seria injusto, há que dizê-lo, por aquilo que os leões fizeram. O jogo terminou, então, tal como começara: empatado a zero.

sábado, 28 de novembro de 2009

Sporting-Benfica (antevisão)

Decisivo? Carlos Carvalhal diz que não, é sim importante. Jorge Jesus discorda, para o Sporting é o tudo ou nada. A ideia do treinador do Benfica entede-se perfeitamente: quer colocar toda a pressão do lado do adversário e tranquilizar os seus jogadores. Carvalhal pretende precisamente o mesmo. No entanto, o actual momento de ambas as equipas dá razão a Jesus. Para o Sporting este é mesmo um jogo decisivo. Os leões estão, à décima jornada, no oitavo lugar e com um atraso de onze pontos para o primeiro lugar. É significativo, nada condiz com a condição de um grande. É decisivo, obviamente. O jogo frente ao Benfica, o eterno rival, poderá ser um bom tónico para iniciar uma recuperação. Ou, por outro lado, um ponto final nas aspirações que restam de chegar ao título.

Num derby, geralmente, não há favoritos. É um jogo, noventa minutos onde tudo pode acontecer e a vitória pode sorrir a qualquer um deles. Hoje, em Alvalade, será um pouco diferente: o Benfica, mesmo jogando fora, parte como favorito a triunfar.
As posições que as equipas ocupam na classificação e, sobretudo, o que fizeram até aqui sustentam essa tese. Existem, porém, contra-argumentos que importa ressalvar. O Sporting irá estrear, em jogos do campeonato, Carlos Carvalhal e essa troca de treinadores poderá ter um efeito moralizador. Os encarnados já deixaram as goleadas para trás, têm sido menos exuberantes, e sofreram, no último jogo, uma eliminação da Taça de Portugal. Também por isso há uma nota importante: o regresso de Óscar Cardozo, o jogador de quem os benfiquistas esperam golos.

Jorge Jesus tem essa boa notícia mas, pelo contrário, ainda não poderá contar com Luisão, o esteio defensivo. Sidnei será, como já fora na última partida, o seu substituto. Também Ramires e Saviola chegam a Alvalade condicionados em termos físicos mas, não sendo totalmente certo, deverão estar em condições de jogar. Para completar o rol das dúvidas, há ainda o lado esquerdo da defesa: preferir César Peixoto, que regressa de lesão, ou Fábio Coentrão, que tem dado boa conta de si mas denota ainda algumas falhas (naturais) em termos defensivos? O mistério só ficará desfeito bem próximo da hora do encontro. Essa é, de resto, uma preocupação comum aos dois treinadores: Caneira ou Veloso no lado esquerdo da defesa leonina?

O médio português deverá ser mesmo o eleito para desempenhar esse lugar - parece certo apenas que Grimi ficará de fora. Outra incógnita: ante o Pescadores da Costa da Caparica, Carlos Carvalhal inovou ao colocar a equipa em 4x3x3 mas, à medida que o jogo foi correndo, viu-se obrigado a regressar ao 4x4x2. Frente ao Benfica, como será? À primeira vista, é crível que opte pelo segundo sistema, pois os jogadores estão totalmente adaptados e houve pouco tempo para mudar todos os processos. Ainda sem poder contar com Izmailov nem com o castigado Tonel, Carvalhal tem Carriço de volta e é sobre Liedson que recairá a maior responsabilidade de condimentar este jogo com golos para o Sporting. Às 21h15, em Alvalade, joga-se o derby dos derbis. Com crónica no FUTEBOLÊS.

EQUIPAS PROVÁVEIS

SPORTING: Rui Patrício; Abel, Polga, Daniel Carriço e Miguel Veloso; João Moutinho, Pereirinha, Vukcevic e Matías Fernandéz; Postiga e Liedson

BENFICA: Quim; Maxi Pereira, David Luiz, Sidnei e Fábio Coentrão; Javi García, Ramires, Di María e Aimar; Saviola e Cardozo

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Milão sem ser Internazionale

Olhemos ao jogo de terça-feira, em Camp Nou. Um clássico do futebol europeu entre Barcelona e Inter de Milão. O jogo, importante para clarificar as contas do grupo, teve apenas um sentido. O Barça construiu uma vitória fácil na primeira parte, depois geriu o tempo e baixou o ritmo - outro jogo grande, este frente ao Real Madrid, se aproxima. Pelo contrário, o Inter foi sempre incapaz de criar lances de verdadeiro perigo, de jogar no meio-campo adversário e pressionar em busca de uma vitória que lhe garantiria a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A pressão alta e consistente do Barcelona contrastou com a apatia e incapacidade do Internazionale. Uma equipa que se viu quase vulgarizada, sem ter como ripostar e impedir o desenrolar dos acontecimentos.

Guardiola deixou, por precaução, Messi e Ibrahimovic no banco. Logo aí, sem poder contar com dois dos maiores génios do futebol mundial, o jogo perdeu alguma cor. Temeram os adeptos blaugrana que, por isso, a sua equipa partisse com alguma desvantagem. Do lado do Inter, faltou Wesley Sneijder, jogador que Mourinho recebeu in extremis mas se tem revelado fundamental na equipa italiana. Fazendo agora uma retrospectiva, a ausência de Sneijder é que teve real importância. Não que sirva de justificação para a má imagem deixada pelos nerazzuri mas pesou claramente. No Barcelona, os golos de Piqué e Pedro Rodríguez deixaram as ausências para trás. Que poderia fazer o Inter? Aquele que jogou em Camp Nou, quase nada.

José Mourinho, enquanto treinador do Inter de Milão, tem tido sucesso internamente mas ficado aquém na Liga dos Campeões. Conquistar a prova maior de clubes é um objectivo declarado. Veja-se que Roberto Mancini fora tetracampeão mas saiu por não ter triunfado internacionalmente. Por isso mesmo foi contratado Mourinho. Na época passada, a equipa caiu nos oitavos, derrotada pelo Manchester United. Agora, em 2009-10, tem sido demasiado intermitente na fase de grupos e o jogo de Barcelona complicou a tarefa. O Inter poderá mudar, chegar à próxima eliminatória e ter uma prestação de sucesso. Claro que sim. No entanto, à primeira vista, parece estar alguns furos abaixos da maior concorrência. O exemplo de cima é perfeito.

Barcelona, Manchester United e Chelsea têm estado, nas últimas temporadas, presentes em finais da Liga dos Campeões. Para esta época, voltam a ser os principais candidatos a erguer o troféu. Junta-se ainda o renovado Real Madrid, embora necessite de afirmar definitivamente, e até o Arsenal pode completar o lote. O Inter está junto a estes, sem que seja um dos principais favoritos. As soluções são menores, José Mourinho sobrevive essencialmente do tal talento de Sneijder, dos golos de Milito e Eto'o, das defesas de Júlio César. Uma equipa que pretenda chegar ao título de campeão europeu tem de ser mais do que isso: mais colectivo, mais consistente, mais regular. Só assim poderá ambicionar a Champions.

Menos azul do dragão

É uma evidência incontornável: este FC Porto está mais fraco do que no passado. A equipa não tem a mesma eficácia nem a coesão que tantas alegrias lhe valeu. O FC Porto de Jesualdo Ferreira não foi nunca uma equipa que impressionasse pelo futebol apresentado mas fazia uma gestão perfeita do jogo e sabia ser decisivo nos momentos cruciais. Esta época, porém, tem sido diferente: os portistas apresentam um futebol demasiado trapalhão, pouco pressionante e já perderam pontos importantes - dois empates, com Paços de Ferreira e Belenenses, juntam-se a duas derrotas, em Braga e nos Barreiros. No campeonato nacional, à décima jornada, são cinco os pontos de atraso para o primeiro lugar.

Poder-se-á argumentar que, na mesma altura da época anterior, o Leixões liderava com três pontos de vantagem. Também que o Benfica era líder na pausa natalícia e chegou a contar com mais cinco pontos, tantos quantos dispõe actualmente. Tudo isso faz sentido, corresponde à realidade. No entanto, é necessário compreender cada especificidade: uma delas, talvez a maior, é que os encarnados, os rivais mais director, estão mais fortes, e também o Sp.Braga tem demonstrado que se poderá intrometer entre os grandes. Qualquer escorregão poderá, então, para os portistas, ter mais importância do que nas épocas anteriores devido ao aumento da qualidade da concorrência.

Em termos internos, uma das explicações para a pouca consistência do futebol do FC Porto é o desgaste do sistema táctico. Jesualdo, desde que chegou ao Dragão, preferiu sempre o 4x3x3. Época após época viu sair jogadores importantes, mudou as peças mas manteve o desenho do xadrez exactamente da mesma forma. A ideia que fica, actualmente, é que este sistema conta pouco dinamismo e os jogadores estão demasiado presos às suas funções, sem se conseguirem soltar para criar lances de perigo para as balizas contrárias. O 4x3x3 está gasto? Sim, de certo modo, pois torna-se até previsível para os adversários. Frente a equipas com superioridade no meio-campo, o FC Porto sente dificuldades de progressão.

Quando uma equipa não consegue fazer valer o seu jogo colectivo, ter boa ligação entre os sectores médio e ofensivos e colocar todos os maquinismos defensivos em funcionamento, costuma socorrer-se das individualidades. Porém, é extremamente perigoso que uma equipa espere por um golpe de génio que lhe dê a vitória. Este FC Porto, a princípio, valeu-se do talento de Falcao e Belluschi, do instinto de Farías. São jogadores que têm aparecido, no entanto, com alguma intermitência. Os novos ainda não estão totalmente sincronizados, El Tecla já mostrou que é uma boa arma-secreta mas não obtém o mesmo rendimento quando joga de início. Teriam obrigação de decidir quando o colectivo não funciona?

Depois, há Hulk. No início da temporada, após as perdas de Lucho e Lisando, os adeptos centraram as suas esperanças no Incrível. O brasileiro é um jogador de qualidade, indiscutivelmente. Mostrou na primeira temporada em Portugal uma capacidade excepcional de aliar a velocidade à boa técnica que possui. Este afigurou-se como o ano da sua afirmação. Contudo, até este momento, Hulk não tem sido um jogador fundamental como se esperaria. As suas jogadas não fazem tremer as defesas contrárias, em 2009-10 ainda não teve um momento de verdadeiro inspiração. A equipa ressente-se disso, da mesma forma que se ressente do facto de Raul Meireles estar bem menos interventivo do que em temporadas anteriores. Ante o Chelsea, o médio português esteve bem acima do que tem feito. Será, talvez, um sinal de mudança.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Comentário: Sina traçada

O mesmo resultado de Londres, o mesmo carrasco: o Chelsea voltou a vencer o FC Porto, graças a um golo de Nicolas Anelka. Sem a pressão de ter de olhar aos pontos para o apuramento, o primeiro lugar era a meta que qualquer das equipas pretendia atingir. Não houve, porém, na primeira parte, quem tenha conseguido desatar o nó. O jogo foi dividido, enrolado até: começou melhor o Chelsea mas, depois de ter estabilizado, o FC Porto conseguiu superiorizar-se. As melhores ocasiões de golo pertenceram, aliás, à equipa portista. Em dois remates de longa distância de Belluschi: primeiro, aos vinte e dois minutos, Cech defendeu bem e ainda negou a recarga de Falcao; em cima da meia-hora, o argentino acertou com estrondo na barra.

Foi precisamente após esta última tentativa que o FC Porto mudou a toada da partida que, até aí, fora marcada pela boa troca de bola do Chelsea, conseguindo assim o controlo das operações. Os portistas levaram perigo à baliza de Petr Cech, conquistando espaços no meio campo e na defesa blue, mas sem conseguir um futebol bem apoiado e explorar a velocidade de Varela ou Rodríguez - por opção, Hulk cedeu o seu lugar ao extremo português que regressou de uma paragem de dois meses. O jogo do FC Porto continuou trapalhão, com passes errados. O Chelsea, sobretudo através de jogadas de Florent Malouda pela esquerda, levava algum perigo à baliza de Beto, embora sem nunca colocar à prova o guarda-redes portista.

Contudo, numa das muitas vezes em que Malouda escapando a Sapunaru, o Chelsea chegou ao golo. Anelka escapou-se aos centrais portistas e empurrou para o fundo da baliza. Tudo tão simples, tão eficaz. Aos sessenta e nove minutos, um golpe frio desferido num momento crucial. O resultado ficou feito aí: a equipa portuguesa não baixou os braços mas não teve força para apoquentar a vantagem do Chelsea, que teve um controlo perfeito da bola. O FC Porto, já se disse, está diferente e não tem a mesma fluidez e rapidez na execução de processos mas deixou uma imagem bem melhor do que nas últimas partidas .Não ganhou, porém, e o primeiro lugar está entregue.

Olhos no topo (antevisão)

A qualificação está garantida, resta decidir quem terminará o grupo D como líder. É assim que FC Porto e Chelsea encararão o que falta jogar da fase de grupos da Liga dos Campeões. Depois de cumprirem cedo o objectivo, qualquer um deles tentará finalizar no primeiro lugar, embora, em termos desportivos, nem sempre traga assim tantos benefícios. Seja como for, está em jogo o prestígio internacional e nenhuma das duas equipas quererá fazer má figura numa prova tão importante. Para o FC Porto, esta é uma oportunidade para passar para a liderança e, à semelhança da temporada anterior, conseguir ser o mais forte da fase de grupos. Além disso, defrontar uma equipa como o Chelsea é sempre motivador: os portistas quererão vingar a derrota de Londres, a única até agora.

Para o ataque a este jogo, no Dragão, Jesualdo Ferreira não contará com Helton e Fucile. O guarda-redes brasileiro, titular em todos os jogos, apesar de recuperado da lesão sofrida frente ao Marítimo, ficará de fora por precaução. Em situação semelhante está o lateral uruguaio, que agora regressa de uma paragem forçada após a partida com o Belenenses. Na baliza, Beto deverá ter a sua primeira prova de fogo ao serviço dos portistas, enquanto Sapunaru manterá a titularidade no lado direito da defesa. As alterações não deverão, porém, ficar por aqui: após ter jogado a partida decisiva frente ao APOEL, Guarín cederá, ao que tudo indica, o seu lugar a Belluschi. O FC Porto necessita mais da criatividade do argentino do que da força do colombiano.

Nesta temporada, contrariamente ao que tem sido apanágio num passado bem recente, os portistas têm sido demasiado intermitentes. A equipa ainda não assumiu a força de outrora e as últimas exibições têm deixado os adeptos apreensivos. Por isso, este afigura-se como o jogo ideal para deixar para trás essa tendência e regressar à boa forma. No Dragão, os adeptos esperam uma exibição convincente e, claro, uma vitória que catapulte a equipa para o topo. Pela frente estará uma equipa do Chelsea que se renovou com Carlo Ancelotti e respira confiança, liderando o seu campeonato. Com o apuramento alcançado, será provável que o treinador italiano faça algumas modificações na equipa. Que poderão aumentar as probabilidades do FC Porto.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um Benfica sem reviravoltas e sem Cardozo

O Benfica perdeu, ante o Vitória de Guimarães, a oportunidade de prosseguir na Taça de Portugal. Sem ser o objectivo prioritário, trata-se de uma competição com história no futebol português e os grandes são crónicos candidatos a vencê-la - pelo menos um deles, regra geral, marca presença na final do Jamor. Nenhuma equipa pretenderá, obviamente, ficar longe das decisões. Contudo, para além disso, a partida frente aos vimaranenses serviu para deixar bem patentes as dificuldades que o Benfica encontra para transformar um resultado desfavorável em favorável. E ainda que Óscar Cardozo não tem um substituto à altura: o ataque encarnado não funciona da mesma forma sem o paraguaio.

Reviravoltas. Esta temporada, até ao momento, Marítimo, Sp.Braga - jogos para o campeonato -, Vorskla Poltava, AEK Atenas - Liga Europa - e, agora, Vitória de Guimarães foram equipas que se colocaram em vantagem frente ao Benfica. Resultado ao cabo dos noventa minutos? Em nenhum deles, os encarnados conseguiram vencer. Aliás, apenas ante o Marítimo, na primeira jornada do campeonato português, conseguiram chegar à igualdade. Que representa, então, tudo isto? O Benfica tem demonstrado uma excelente fluidez de jogo e um ataque temível mas, quando o adversário se coloca à frente no marcador, não consegue virar o resultado adverso. Todas as equipas que marcaram primeiro do que os encarnados, não perderam.

Poder-se-á ainda referir a ausência de Cardozo. O Tacuara falhou, por castigo depois dos incidentes no jogo com o Sp.Braga, as partidas frente à Naval, na última ronda da Liga Sagres, e ao Vitória de Guimarães. Foi precisamente nestes dois jogos que o ataque encarnado sentiu maiores dificuldades para finalizar as situações criadas - algo que já se verificara na segunda parte do jogo de Braga, onde Cardozo fora expulso ao intervalo.
Existe um Benfica com e outro sem o paraguaio: não há um substituto que obtenha o mesmo rendimento. Keirisson, Weldon e ainda Nuno Gomes podem juntar-se a Saviola no duo atacante, e têm sido utilizados por Jorge Jesus, mas nenhum deles é letal como Cardozo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O antes e depois do playoff - Rogério Azevedo

1. QUE OBJECTIVOS DE PORTUGAL PARA A ÁFRICA DO SUL?

Octávio Machado diria que o objectivo é traçado jogo a jogo. Passar a fase de grupos é o mínimo dos mínimos, chegar aos quartos-de-final será um 'suficiente mais', atingir as meias-finais será qualquer coisa como 16/17 valores. Daí para a frente será só lucro: Portugal nunca esteve numa final de um Mundial, logo mais do que a meia-final é sonhar altíssimo.

2. DEVERIA PORTUGAL TER ATINGIDO A QUALIFICAÇÃO MAIS CEDO?


Talvez. O grupo onde a Selecção estava inserido não era, pelo menos em teoria, de elevado grau de dificuldade, pelo que se esperavam bem menos complicações. Não nos podemos esquecer, porém, que a Suécia (afastada da África do Sul) é a oitava Selecção, de todos os tempos, com mais pontos somados em fases finais de Campeonatos do Mundo, só ultrapassada pelo Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Inglaterra, França e Espanha. A Dinamarca, vencedora do grupo, está cinco lugares atrás de Portugal neste mesmo ranking: Portugal é 19.º com 34 pontos em fases finais, a Dinamarca é 24.ª com 23 pontos. Portugal deveria ter sido primeiro no grupo? Sim. É surpreendente que tenha sido obrigado a ir ao playoff? Talvez. Mas não muito.

3. ESTE É O REAL VALOR DE PORTUGAL?

O valor individual dos jogadores portugueses é superior ao valor individual dos jogadores dinamarqueses ou suecos. O valor colectivo de Portugal é que esteve, até ao 'esmagamento' no Brasil (derrota por 2-6), bem abaixo da soma das partes. Depois, passo a passo, jogo a jogo, Carlos Queiroz conseguiu encontrar os equilíbrios necessários para a Selecção melhorar imenso. A primeira parte da qualificação é para deitar fora, a segunda parte é quase para emoldurar.

4. PARALELO COM OS ÚLTIMOS TEMPOS DE SCOLARI?

Scolari teve a vida muito mais facilitada no primeiro ano em Portugal. Não teve de passar pelas qualificações para o Euro-2004, tinha um naipe de jogadores muito mais forte em termos mentais e teve Portugal quase inteiro a assinar por baixo de tudo o que dizia. Psicólogo social brilhante, treinador de craveira média, o brasileiro 'chupou' tudo o que havia para 'chupar' dos jogadores. Queiroz, ao invés, teve de passar pelas qualificações, ficou sem Figo, Pauleta e Fernando Couto, por exemplo, sendo substituídos por jogadores com menor traquejo mental. Mas isto foi para o Euro-2004. Para o Mundial-06, as coisas foram diferentes. Scolari qualificou-se e chegou ao quarto lugar na Alemanha. A qualificação de Queiroz para o Mundial-2010 não foi diferente da qualificação de Scolari para o Mundial-06. Ou seja, tudo o que fique abaixo dos quartos-de-final ficará a perder, claramente, para Scolari.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

Taça de Portugal: Vitórias inesperadas

QUARTA ELIMINATÓRIA


O Benfica caiu. Na Luz, a sua fortaleza, frente ao Vitória de Guimarães. Uma espécie de repetição do que acontecera em 2005-06. Paulo Sérgio, treinador que na temporada anterior levou o Paços de Ferreira à final do Jamor, tinha dado o mote: não há nenhuma equipa invencível e, por isso, os vimaranenses podiam ser felizes. Para que a estratégia surtisse efeito perante este Benfica, seria necessária audácia, coragem e enorme concentração. O Vitória foi tudo isso. E eficaz, sobretudo: tanto a defender, com Nilson em destaque maior numa defesa muito consistente, quer no ataque, onde o golo de Gustavo Lazzaretti deu o acesso à fase seguinte da Taça de Portugal. O Benfica pressionou, Jorge Jesus lançou Weldon e Nuno Gomes, mas falhou no momento de finalizar - o ataque encarnado sente claramente a ausência de Cardozo.

Carlos Carvalhal estreou-se, à frente do comando do Sporting, com uma vitória. Contra o Pescadores da Costa da Caparica, equipa que lidera a série F da III Divisão. Resultado que era esperado, sim, mas a tarefa em nada foi facilitada. Bem pelo contrário, pois os Pescadores colocaram-se em vantagem através de um excelente golo de Tozé e chegaram ao intervalo a ganhar. Carvalhal apresentou, na equipa que iniciou o jogo, uma novidade em termos tácticos: deixou para trás o losango e optou por um 4x3x3. Porém, devido ao resultado adverso e à pouca consistência da equipa, remodelou a equipa no sistema preferido de Paulo Bento. Foi assim que, na segunda etapa, os leões conseguiram a reviravolta e partir para uma vitória folgada por 4-1. Os Pescadores conseguiram somente meia-surpresa.

Aliados de Lordelo, Freamunde e Beira-Mar são os tomba-gigantes desta eliminatória da Taça de Portugal. Recebem, justamente, esse estatuto porque eliminaram equipas primodivisionárias. Os primeiros deixaram o Leixões pelo caminho após uma vitória por 1-0 no tempo regulamentar, enquanto os outros sorriram após a marcação de grandes penalidades frente a União de Leiria e Académica, respectivamente. Em situação semelhante, no recurso às penalidades, estiveram Tirsense (ante o Paços de Ferreira) e Fátima (na Choupana, com o Nacional) mas aí levaram a melhor as equipas do principal campeonato português. O Gil Vicente morreu literalmente na praia: jogou na Figueira da Foz, aos noventa minutos tinha uma vantagem de dois golos, a Naval chegou ao empate e, após o prolongamento, deu a volta ao resultado. O Valenciano, que na eliminatória anterior havia eliminado o Olhanense, viu o sonho ser quebrado pelo Belenenses.

PS: Verdadeiramente bizarro o estado em que o Mafra jogou. Ou melhor: foi obrigado a jogar. Mesmo com jogadores de quarentena devido ao vírus da Gripe A, a equipa treinada por Filipe Moreira apresentou-se em campo, diante do União da Madeira, e venceu após o desempate por grandes penalidades. Grande mérito.

domingo, 22 de novembro de 2009

A atribuição de culpas no Sporting

Paulo Bento, numa extensa entrevista publicada ontem pelo jornal Record, abriu o jogo sobre a situação que viveu no Sporting. Por entre alguns avisos a José Eduardo Bettencourt, mostrou-se crítico em relação a Rogério Alves, presidente da assembleia-geral da SAD leonina, acusando-o de ter demonstrado pouca ética e ainda de querer um poleiro maior. Além disso, referiu que nunca trabalharia com Sá Pinto, novo director do futebol. A reacção não se deixou esperar, a bola foi imediatamente devolvida para o outro campo por Rogério Alves. Numa declaração forte e desconcertante, o dirigente referiu que a entrevista de Paulo Bento serviu somente para desculpabilizar o mau momento em que o Sporting se encontra.

Numa fase tão delicada quanto esta, deve existir união para que os problemas sejam ultrapassados. Esse é um princípio fundamental, meio caminho andado para uma boa resolução. Caso existam divergências entre os principais responsáveis do clube, como poderão surgir boas soluções que permitam deixar a crise de resultados para trás? Impossível. Por isso mesmo, este ping-pong de críticas e atribuição de culpas só pode ser prejudicial para o Sporting. Paulo Bento poderá ter toda a razão naquilo que diz, mas, a bem do clube leonino, nunca o deveria ter feito nesta altura. O timing escolhido não é, de todo, o melhor e em nada contribuirá para a serenidade do Sporting. Fá-lo num momento em que já abandonou o clube.

Do outro lado, Rogério Alves está ainda em funções. Diz que o maior culpado do estado do clube é Paulo Bento. Será mesmo? Não. O treinador tem a sua quota de culpa, sem dúvida, mas está longe de ser a principal razão para o insucesso leonino. Se o problema fosse somente o treinador, não faria sentido querer mantê-lo no comando. Independentemente disso, para que o Sporting possa dar passos seguros para o futuro, para que Carlos Carvalhal tenha a tranquilidade necessária para mostrar o seu trabalho e para que os jogadores possam jogar descomplexados, o clube precisa de ter uma boa estrutura que seja capaz de funcionar como um verdadeiro suporte. Actualmente, em Alvalade, não existem esses alicerces seguros. Essa, sim, é uma das razões do insucesso.

sábado, 21 de novembro de 2009

Tantas diferenças e uma semelhança

Luiz Filipe Scolari tinha uma capacidade de mobilização absolutamente notável. Incentivou os portugueses, não se coibiu de comprar algumas guerrilhas, ganhou o respeito e a admiração de um país que se transformou num grande apoio à sua Selecção. Goste-se ou não do estilo, tem mérito. Há, no futebol português, um antes e um depois de Scolari. Chegou após um enorme sarilho criado na Coreia, quando era necessário um treinador capaz de revitalizar a Selecção e lançá-la para a glória a curto prazo. O Europeu de 2004, realizado em Portugal, era um objectivo declarado. Falhou mas o nosso futebol mudou. Scolari é um grande responsável. Houve, contudo, algo que ficou esquecido: o futuro.

Carlos Queiroz é diferente. Ou melhor, é o total oposto. Não tem o mesmo discurso capaz de juntar a população portuguesa em torno da Selecção nem goza do mesmo estatuto. Porquê? Boa pergunta, mas o facto de Scolari ter sido campeão mundial na Ásia talvez tenha contribuído para ser bem recebido. Queiroz, pelo contrário, não teve muita sorte nos clubes onde passou e os seus melhores momentos foram passados nas Selecções jovens de Portugal. Ao longo da fase de qualificação para o Mundial 2010, foi notória a desconfiança dos portugueses para com o seleccionador. A certa altura, o descrédito instalou-se. Poucos, muito poucos, mantiveram a esperança intacta.

O seleccionador acreditou sempre no seu trabalho. Foi persistente, fez questão de lembrar que as contas só são feitas no final. Ganhou. Está de parabéns, agora. Evidentemente que teve erros, demonstrou receio nalgumas partidas e noutras não teve as opções mais correctas. Falhou como todos falham mas cumpriu: Portugal não esteve bem, conseguiu recuperar e justificou o apuramento. Foi repetido o último resultado de Scolari, pois, para o Euro 2008, Portugal alcançou a segunda posição do seu grupo, atrás da Polónia. Agora, para a África do Sul, voltou a ser segundo. A diferença, grande, é que o primeiro deu a qualificação directa. Tão diferentes no feitio, tão iguais nas qualificações.

Decisão atrasada

A princípio, seria uma jornada de grande festa para a população de Oliveira de Azeméis: teriam junto a si o FC Porto, tetracampeão nacional. Essa aproximação é inquestionavelmente a maior riqueza que a Taça de Portugal permite aos clubes de menor dimensão. À medida que o dia do jogo se foi aproximando, chegou também a apreensão devido às poucas condições do estádio Carlos Osório, palco do embate. De segurança, devido ao aumento da lotação, mas sobretudo por causa do relvado. O FC Porto lembrou o seu estatuto e reclamou outras soluções. A Oliveirense prometeu, com uma ajuda da meteorologia, um relvado suficiente. Hoje, dia da realização da partida, o jogo foi adiado. Ainda para data incerta. Tão esperado que era e ninguém o conseguiu antever.

No meio de tudo isto, o papel da Federação Portuguesa de Futebol ficou para segundo plano. Completamente contrário ao que deveria ser feito, falamos do órgão máximo do futebol português. A última palavra deveria ser sua, analisando e tomando a última decisão, nunca deixando tal encargo para o árbitro do jogo. Bruno Paixão decidiu, após o aquecimento, não realizar a partida. Fez bem, pois a integridade física dos intervenientes deve estar acima de tudo. O relvado estava mesmo impraticável. Sabia-se que assim seria, aliás. Por isso, causa estranheza que a tomada de decisão tenha sido tão demorada. Haveria necessidade de mobilizar público a um estádio onde se realizou apenas o aquecimento? Não. Obviamente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Balanço de um apuramento sofrido

Comecemos com uma questão que, neste momento, importa colocar: teria Portugal obrigação de se apurar directamente para o Mundial 2010? Sim, afinal a maior parte dos jogadores que fazem parte da Selecção nacional, para além de jogarem em clubes de topo mundial, possuem qualidade que ninguém questiona. Para perceber melhor essa argumentação, precisamos olhar aos adversários. Entre Dinamarca, Suécia, Hungria, Albânia e Malta, nenhum deles se apresenta como uma equipa que faça temer os portugueses pelo seu poderio. Aliás, apenas dinamarqueses e suecos se destacaram e, sabia-se desde logo, que não seriam fáceis de levar de vencida. São equipas de média/alta valia. O sorteio foi, decerto, recebido com um sorriso de confiança.

Depois de estarem cumpridas todas as jornadas da fase de qualificação, chegamos à conclusão de que Portugal apenas cumpriu os requisitos mínimos porque deixou escapar, para a Dinamarca, a liderança do grupo. Ou seja, não conseguindo alcançar a única posição que certificava a presença na África do Sul, o playoff passou a ser uma boa via alternativa - sobretudo por culpa própria, verdade seja dita, fruto de alguns tropeções sem explicação plausível. Após ter estado tão próximo do abismo, este segundo lugar foi uma espécie de pequena vitória e recompensa por todo o esforço despendido na parte final da fase de qualificação. Agora é uma confirmação: estamos mesmo apurados.

Nos dez jogos de apuramento, ao todo, foram onze os pontos desperdiçados. A primeira metade dessa fase de qualificação revelou-se absolutamente desastrosa para Portugal. A ansiedade, claro, após jogos bem pouco conseguidos e até opções incertas de Queiroz, tomou conta de todo o povo português. Não houve, porém, partida alguma em que a Selecção nacional fosse inferior ao adversário. Mesmo na derrota com a Dinamarca, sofrida nos minutos finais após um volte-face incrível, foram os erros defensivos que apagaram aquilo que de bom havia sido produzido. Contudo, há resultados que são inaceitáveis para uma equipa que pretende chegar longe: empatar, em casa, frente a uma Albânia reduzida a dez jogadores... é uma coisa do Diabo.

Além disso, acentuou-se, até ao primeiro jogo frente à Hungria, em Budapeste, uma tendência que remonta já aos tempos de Scolari: não vencer os adversários directos na luta pelo apuramento. Frente à Dinamarca voaram cinco pontos, os suecos ficaram com quatro. Dois adversários directos, oito pontos perdidos. Juntam-se mais dois, verdadeiramente desperdiçados nesse encontro com a Albânia, para chegar aos onze. Foi após o jogo de Copenhaga, com os dinamarqueses, que o Mundial ficou quase como uma miragem para os portugueses. Poucos seriam, aliás, aqueles que realmente ainda mantinham a esperança porque, para além de vencer as duas partidas com a Hungria e ainda Malta, na última jornada, era necessário que a Suécia não vencesse os três jogos.

Com determinação, enorme espírito de sacrifício e entrega total, foi alcançado o objectivo que, em dado momento, passou a ser prioritário. As partidas, independetemente da beleza ou não do futebol apresentado, culminaram todas em vitórias. Numa fase tão delicada quanto esta, ninguém se atreveria a pedir jogos de deliciar. Importava ganhar, nada mais. Agora, com todas as contas feitas, causa uma enorme estranheza como Portugal não conseguiu resolver, desde logo, as contas do apuramento. Esteve demasiado tempo adormecido, talvez à procura de um fio condutor. Esteve em baixo mas teve a capacidade de se erguer. Renasceu das cinzas.O playoff foi uma ponte para o destino de sempre: África do Sul. Até lá, Queiroz terá tempo para melhorar o que ainda não está bem.

Futebolices



As fintas hipnotizantes de Ronaldo, os dribles com a bola tal como um íman no pé esquerdo de Messi, o perfume espalhado por Kaká, a classe infinita de Xavi, as defesas miraculosas de Casillas, os pormaiores de Ibrahimovic. Um cardápio perfeito, com todos os condimentos necessários para o lucro, tudo junto para nuestros hermanos espanhóis se maravilharem. A nós, portugueses, basta ligar a televisão e ficar agarradinho noventa minutos a esse ópio. Como se fosse um desfile de estrelas, onde pode surgir qualquer coisa de excepcional e único em todo o momento. O jogo acaba, então, ficamos apenas com a satisfação entranhada. Tão perto e tão longe que estão os futebóis.

O tempo passou num ápice, nem se deu por ele. Um outro jogo há-de vir, não há problema. Sem que nada façamos para isso, somos levados para outra galáxia. Há mesmo quem a considere a maior de todas: Inglaterra. O Cristiano Ronaldo já lá não está. Ok, e depois? Não se perdeu o cerrar de dentes de Rooney ou a excelência de Giggs. O instinto de Drogba, Torres ou Anelka. O toque de Gerrard ou Lampard. Nada disto saiu, tudo continua exactamente como antes. E estes são apenas os atractivos maiores para uma tarde bem passada. Recheada da magia que a televisão atira para junto de nós, aquela que só os ingleses conseguem pôr nos seus estádios. Não se explica, entra-se na onda.

Começamos nas raízes de Iglesias, chegamos aos Beatles, falta Ramazzotti para completar o trio de ouro. Do futebol que muitas vezes se torna música. José Mourinho, claro. É o primeiro a vir à memória. De quem mais nos poderíamos lembrar quando falamos do Calcio? Não pensou logo no Speciale, leitor? Muitos são os que se tornaram fãs de Itália devido ao setubalense. É um futebol chato. Mas Mourinho, por si só, é um bom motivo para continuarmos da mesma forma, sem pensar sequer em mudar de canal, porque há espectáculo garantido. Ibra foi embora, veio Eto'o. Não é bem a mesma coisa em termos de jogo mas para o adepto a diferença é quase nenhuma. Pato e Diego, pés mágicos nos rivais, garantias de qualidade em casa. Que pena é que Ronaldinho não esteja para aí virado. Que pena!...

Percorremos as três fortalezas, falta ainda chegar à França e à Alemanha. Estão mais abaixo, ninguém duvida, mas sempre matamos saudades de uma dupla que tanto talento por cá deixou: Lucho e Lisandro. Bendita a televisão que o permite! Repitam-se as graças porque, além disso, também nos encanta com Ribéry ou faz-nos descobrir a arte de um Grafite brasileiro com pés mágicos. Tanta coisa boa que podemos ver num dia só, com um pequeno toque no botão do comando da televisão. Depois disso, desligamos a corrente. Continuamos comodamente instalados no sofá. Nunca dali saímos. O corpo, pelo menos, não se mexeu. Mas ficou a satisfação.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ultrapassar barreiras até ao sucesso

Portugal, no próximo ano, marcará presença no Mundial da África do Sul. Desde 2000 que não ficamos de fora de uma grande prova de Selecções. Este apuramento não foi, todavia, nada fácil. Antes pelo contrário, mas o objectivo foi atingido. A qualificação de Portugal foi conquistada com inúmero esforço, resultante do playoff que apareceu como um bónus pela boa ponta final da fase de apuramento. Após o empate em Copenhaga, frente à Dinamarca, a esperança portuguesa perdeu-se. Não toda. Foi necessário recorrer à calculadora mas o golo de Liedson, coroando a sua estreia por Portugal, serviu para manter viva a ambição. Poucos seriam os que realmente tinham a confiança intacta, o Mundial era quase utópico, mas ela ainda lá estava. No fundinho.

Dentro dessa percentagem que sempre acreditou no sucesso está Carlos Queiroz. O seleccionador nacional não baixou nunca os braços, deixou bem patente que o país nunca poderia sentir vergonha dos jogadores ou acusá-los de falta de entrega. A qualificação não é uma prova de sprint mas sim uma maratona, frase repetida várias vezes nessa fase delicada. No entanto, tudo indicava de que fosse apenas uma questão de tempo até Portugal perder definitivamente as aspirações. Seria assim se a equipa virasse à luta e se escondesse nas fases más. Agora, após a vitória de ontem, Portugal tem a presença garantida no Mundial. Como mudaram as coisas: a esperança de uma minoria transformou-se numa certeza e alegria de dez milhões de portugueses. Custou mas foi!

As exibições não terão deixado ninguém maravilhado e, por mais estranho que possa parecer, as partidas com a Dinamarca (derrota e empate) foram as que se situaram acima da média. O grupo não era fácil, por lá estavam boas equipas de dinamarqueses e suecos, mas Portugal tinha todas as condições para se ter apurado directamente. Acordou demasiado tarde para isso, passou por momentos bem negros mas felizmente ainda teve tempo de conseguir estar no playoff. A Bósnia foi o último obstáculo colocado no caminho. Com preserverança, com objectividade e com mérito foi vencido. Também houve sorte, sobretudo no jogo da Luz. Tanta falta fez na fase de apuramento, nada quis com os portugueses, veio no momento decisivo. Que equipa passa sem ela?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Playoff Mundial: A caminho da África do Sul!

CRÓNICA

Portugal está apurado para o Mundial 2010. Não foi um caminho fácil de percorrer, bem longe disso. Os portugueses tiveram inúmeros obstáculos, caíram, passaram por momentos complicados mas a esperança, defendeu que as contas só se poderão fazer no final. Talvez fosse o único a pensar assim. A África do Sul chegou a ser uma miragem. O apuramento foi sofrido mas sempre num plano ascendente que permitiu chegar ao playoff. A Bósnia era o último obstáculo. Missão cumprida, com dificuldade mas também com justiça. O equipamento está sujo das quedas. O sucesso chegou.

Ambiente louco, louco, louco. Um público frenético, com toda a confiança do planeta, convicto para empurrar a sua nação rumo à glória. Um verdadeiro inferno. Portugal já sabia o que o esperava, a recepcção fora um exemplo e importava que os jogadores não acusassem a pressão. Carlos Queiroz manteve o esquema e a equipa que venceu o jogo da primeira mão. Apenas com uma excepção: Deco ressentiu-se de uma lesão e ficou no banco. Sem Ronaldo, logo à partida, Portugal ficou também sem o seu jogador mais criativo. Do outro lado, a aposta era bem declarada: futebol directo para Dzeko e Ibisevic. A Bósnia assumiu, desde o primeiro minuto, a iniciativa do jogo mas bem longe do sufoco prometido. Tinha maior tempo de posse de bola, sim, até porque havia um resultado negativo para inverter, mas nunca sendo intimidatório.

Se a aposta declarada dos bósnios no jogo aéreo não tinha o resultado esperado - por boa acção de Pepe e os dois centrais, Bruno Alves e Ricardo Carvalho - também o futebol português estava demasiado desorganizado e conseguir ligação. Enfim, um jogo com pouca velocidade e quase sem lances de perigo para qualquer uma das balizas. Um futebol bem mais conveniente para Portugal, que mantinha a bola afastada da área. O minuto vinte e cinco poderia ter sido um ponto final nas dúvidas, uma espécie de carimbo no passaporte para África do Sul: Raul Meireles teve uma oportunidade de ouro para marcar mas Hasagic agigantou-se. Nada mudou, após isso. A Bósnia manteve-se com mais iniciativa, jogando essencialmente pela direita do seu ataque, mas sem nunca deixar os portugueses com reais motivos de preocupação. Apenas alguns sustos. A primeira parte foi assim, com pouco interesse.

TODOS JUNTOS RUMO À ÁFRICA DO SUL

No reatamento, a Bósnia decerto intensificaria a sua pressão. Se quisesse ambicionar a presença no Mundial, era necessário que fizesse mais do que conseguira no primeiro tempo. Miroslav Blazevic lançou Muslimovic, a arma guardada, para juntar qualidade à dupla atacante. A segunda parte começou com um susto para os portugueses, quando Dzeko foi apanhado em fora-de-jogo. O jogo prometia ser mais aberto, agora. Assim foi, pouco tempo passou até que Nani obrigou Hasagic a mais uma bela defesa. A Portugal importava manter a concentração no limite e nunca se pôr a jeito para as investidas bósnias. Era o momento de ser cínico e deitar ao tapete a confiança de um país. Veio o minuto cinquenta e cinco, veio o golo: Nani recebeu de Liedson, abriu para Raul Meireles. O portista, frio na hora das decisões, chutou para o fundo da baliza. Golo!

O passe do extremo do Manchester United rasgou as pretensões bósnias, o remate final foi o carimbo que faltava para o Mundial. O ambiente infernal que se sentia até então deu lugar a um profundo silêncio. Ouviram-se somente os gritos de vitória em bom português. A Selecção nacional galvanizou-se, seguiram-se lances para aumentar a vantagem e deixar tudo mais esclarecido. A Bósnia estava obrigada a reagir mas o golo fora um golpe demasiado rude. Tentou, é certo, atacou muito mas nada do que prometera. Como as coisas mudam: a altivez exagerada do início transformara-se numa enorme descrença. A tarefa que prometia ser tão complicada, após o golo ficou demasiado simplificada. O resultado estava feito, o jogo terminado, as dúvidas completamente dissipadas: Portugal está no Mundial 2010. Custou, foi um caminho longo, mas acabou em sucesso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Façam o favor de ser felizes (antevisão)

Com maior ou menor brilhantismo, o primeiro capítulo está cumprido. Falta agora a segunda parte, a das decisões. São noventa minutos que colocam dois extremos em confronto, o tudo ou nada. Portugal parte para a Bósnia com a vantagem de um golo. Longe de ser confortável, é importante. Os bósnios, já o assumiram, estão esperançados em dar a volta à eliminatória e quase desvalorizam o jogo da Luz. Mas o futebol é incontornável, nunca satisfaz as duas equipas: uma estará no Mundial, a outra ficará pelo caminho. Carlos Queiroz não poderá, de forma alguma, cair na tentação de defender o magro resultado que Portugal conquistou no sábado. O golo de Bruno Alves poderá ser decisivo para o apuramento mas é demasiado matreiro para gerir.

A Bósnia desespera por se assumir no futebol internacional. Se eliminar Portugal, estará pela primeira vez numa fase final de um Mundial e nada será como antes. Miroslav Blazevic, o seleccionador nacional, é o reflexo da confiança na nação bósnia. Contudo, não poderá contar, para além dos que foram amarelados no sábado, com Misimovic - lesionou-se na véspera.
Do lado português, mantêm-se as ausências de Ronaldo, Bosingwa e Pedro Mendes mas o intervalo na eliminatória não trouxe qualquer má notícia a Carlos Queiroz. Mesmo assim, Portugal deverá apresentar mudanças. Em Zenica será preciso um futebol mais físico e possante, com especial atenção ao jogo aéreo, para anular as investidas que os bósnios procurarão levar a cabo.

Hugo Almeida encaixa na perfeição nesses aspectos e, por isso, deverá ser chamado à equipa titular. O esquema habitual, ao que tudo indica, também dará lugar a um 4x4x2, com o avançado do Bremen junto a Liedson. Repete-se, ainda, a interrogação sobre quem será o lateral esquerdo: Duda voltou a não estar bem, deixando a nu fragilidades defensivas, e Miguel Veloso é um sério candidato a ocupar o lugar. Do outro lado, mesmo com a sombra de Miguel, Paulo Ferreira, em princípio, manterá a sua condição de titular. A partir das 19h45 começará a rolar a bola, hora e meia depois estará decifrado o maior enigma: o resultado. Ou a emancipação da Bósnia ou uma história portuguesa dramática mas com final feliz. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Os pecados de Bettencourt

É uma evidência: José Eduardo Bettencourt perdeu o estado de graça que o levou à esmagadora vitória nas eleições para a presidência do Sporting. Uma grande percentagem de adeptos leoninos estará, aliás, contra as medidas levadas a cabo por Bettencourt. Após as renúncias de Paulo Bento, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles, o presidente ficou só na liderança. A agitação que se vivia fruto das fracas exibições e dos maus resultados, atingiu o seu ponto máximo com as saídas dos três homens fortes do futebol profissional e a posição do próprio Bettencourt, pensou-se, teria ficado fragilizada. Poderia haver mais uma demissão na estrutura sportinguista. Nada disso, o presidente disparou forte sobre os contestatários: Vamos expulsar os terroristas do clube. Sei quem é o Harri Batasuna cá do sítio.

José Eduardo Bettencourt tem um discurso muito próprio, frontal e sem meios-termos. É bom que assim seja, contrastando com as velhas máximas e guerrilhas do futebol português. No entanto, uma frase tão forte como a referida acima só contribuirá para uma maior inquietação no seio dos adeptos. Ou seja, precisamente o contrário daquilo que seria pretendido porque, numa fase tão delicada quanto esta, importa que todos se unam sob os mesmos objectivos. Falar em terroristas e cretinos nunca poderá ser benéfico. A reestruturação do futebol do Sporting foi, então, o primeiro grande problema que Bettencourt teve pela frente: Sá Pinto, Salema Garção (embora em moldes diferentes dos anteriores) e, agora, Carlos Carvalhal são os sucessores.

Contudo, a escolha do treinador também se revelou um processo de gestão algo complicada. A primeira aposta, André Villas Boas, acabou fracassada, pois o treinador voltou atrás na sua decisão de rumar a Alvalade e a Académica não prescindiu da remuneração de um milhão de euros. Bettencourt, após ter sido conhecida a permanência do técnico em Coimbra, negou que tivesse havido qualquer contacto com Villas Boas - contradizendo até o que o clube indicara à CMVM. Tal como se vira na despedida de Paulo Bento, o presidente mostrou ser mais emocional do que racional e, por vezes, isso custa-lhe caro. Numa empresa como num clube, a frieza é extramamente necessária para uma boa liderança.

Currículos, riscos e desconfianças

Jesualdo Ferreira chegou ao FC Porto com sessenta anos e sem títulos. Agora, três temporadas volvidas, é tricampeão nacional, tem uma Taça de Portugal e uma Supertaça no palmarés. Assumiu um estatuto de treinador de topo, de elite. Jorge Jesus chegou ao Benfica com cinquenta e quatro anos e sem títulos. Está ainda na sua primeira época nos encarnados e, por isso, não enriqueceu o currículo. Contudo, é o treinador da moda em Portugal e é grande responsável por encher os adeptos benfiquistas de esperança e optimismo. Que se pretende com isto dizer? Que, quando assumiram os comandos dos seus clubes, os treinadores de FC Porto e Benfica tinham trabalhos meritórios - Braga como elo de ligação comum - mas nada de conquistas de troféus.

Agora, com quarenta e três anos, é a vez de Carlos Carvalhal chegar ao Sporting. Também não tem títulos? Errado, tem um: Taça da Liga conquistada em 2007-08 frente ao seu actual clube e o seu antecessor. Os adeptos sportinguistas, numa percentagem bem elevada, não gostaram da escolha. Preferiam alguém mais experiente, alguém com mais estofo para levantar a equipa da passividade em que se encontra. É legítimo que assim seja, compreende-se perfeitamente. Trata-se de um caso algo semelhante ao da chegada de Augusto Inácio, em 1999. Foi olhado de lado, a princípio, mas levou o Sporting à conquista do campeonato nacional. Contudo, o panorama agora é bem diferente e, mesmo sendo um bom treinador, Carvalhal terá trabalho árduo. Será capaz de revitalizar a equipa? Veremos... a partir do derby.

Pode parecer paradoxal, porém, que se defendesse a chegada de André Villas Boas que apenas começou a carreira de treinador em Outubro passado, na Académica. Até aí fora sempre colaborador de Bobby Robson e José Mourinho. Pode-se gabar, como poucos, de ter tido dois grandes mestres, invejáveis para qualquer um, mas seria isso suficiente para lhe entregar o comando de uma clube que vive momentos tão delicados? Bettencourt achou que sim, foi a sua escolha para suceder a Bento. O próprio Villas Boas foi quem negou a transferência. Seria, talvez, um passo maior do que a perna. Esta contratação seria mais justificada do que a de Carvalhal? Muito sinceramente, leitor, creio que não. Certo que a Académica, com Villas Boas, está diferente e poderemos estar perante um treinador de grande sucesso. Mas no futuro. Não agora.


domingo, 15 de novembro de 2009

Carlos Carvalhal é o eleito de Bettencourt

Carlos Carvalhal foi hoje confirmado como novo treinador do Sporting. Trata-se de uma enorme surpresa, porque Carvalhal é um nome que nunca havia sido falado para preencher a vaga deixada em aberto por Paulo Bento. Boa escolha? Má escolha? Só o tempo será capaz de o dizer, mas a larga maioria dos adeptos sportinguistas torceu o nariz a esta aposta de José Eduardo Bettencourt. Após o fracasso nas negociações com André Villas Boas, devido ao milhão de euros que a Académica pedia como reembolso e ainda ao volte-face do técnico, os adeptos preferiam um treinador estrangeiro e experiente. José Pekerman e Fatih Terim foram nomes falados. O eleito, porém, foi Carvalhal. Terá capacidade para devolver a alegria aos leões? É uma incógnita gigantesca.

O cartão de visita de Carlos Carvalhal dá-nos um treinador
com grandes conhecimentos do futebol português, jovem e com enorme caminho pela frente. Apenas na temporada anterior, Carvalhal experimentou um campeonato diferente: esteve no Asteras Tripolis, da Grécia, mas maus resultados impediram-no de terminar o seu projecto. Aliás, para compor essa contra-argumentação, tem mesmo esse rótulo de saltimbanco: desde 2006 passou já por Belenenses, Sp.Braga, Beira-Mar, Vitória de Setúbal, Tripolis e Marítimo. A última experiência, nos madeirenses, começou em Fevereiro de 2009 - após a demissão de Lori Sandri - e terminou em Setembro, face aos maus resultados apresentados à sexta jornada (uma vitória, dois empates e três derrotas consecutivas). Tal como o próprio já admitiu, a sua carreira não tem sido estável.

Curiosamente, o Sporting está intimamente ligado aos melhores momentos do treinador de quarenta e três anos. Em 2001-02, Carvalhal levou o Leixões, então na II Divisão B, a uma excepcional presença na final da Taça de Portugal onde defrontou os leões e acabou derrotado por um golo de Jardel. Fruto desse feito, a equipa leixonense qualificou-se para a Taça UEFA e foi aí que o treinador ganhou protagonismo. Em 2007-08, alcançou o seu único título: o Vitória de Setúbal venceu, na lotaria dos penaltis, a primeira edição da Taça da Liga... frente ao Sporting de Paulo Bento. Agora, Carlos Carvalhal terá o maior desafio da sua carreira, numa altura em que o clube leonino vive momentos bem conturbados. Sem meios-termos, a aposta arriscada ou será feliz ou acabará num hara-kiri.

sábado, 14 de novembro de 2009

Playoff Mundial: Tanto sofrimento para a vitória

CRÓNICA

Teve final feliz mas foi um filme com argumento de Alfred Hitchcock. A exibição da Selecção portuguesa passou por diversas fases: começou atada, conseguiu chegar ao golo, retraiu-se após estar em vantagem, sentiu um aperto, reassumiu o jogo com oportunidades para fazer mais golos, teve uma ponta final de enorme sofrimento e recheada de sorte. A sorte que nada quis com os portugueses na fase de apuramento, agora foi uma boa ajuda para a manutenção da vitória. Houve que sofrer, muito, muito. Contudo, como era seu objectivo, Portugal parte em vantagem para a segunda mão.

O primeiro desejo de Carlos Queiroz estava cumprido: os portugueses criaram um ambiente verdadeiramente fantástico num estádio da Luz a transbordar confiança. E de emoções sempre fortes. Este era, claro, um jogo com uma enorme carga emotiva e um dos mais importantes que Portugal teve num passado mais recente. Para uma equipa que renasceu das cinzas na fase de qualificação, conseguindo a enorme custo estar neste playoff, só se pode pedir que marque presença na África do Sul. Com confiança, nunca abusando da altivez. O adversário não é nenhum colosso, nenhum papão mundial, mas tem valor. Alerta máximo, por isso. Nos horizontes bósnios estava somente a baliza de Eduardo. De qualquer zona do relvado que fosse, Dzeko, Ibisevic e Misimovic não deixariam de tentar rematar.

O jogo começou amarrado, enrolado, dividido. Portugal tentou sempre ser mais empreendedor, aproximar-se da baliza de Hasagic, mas a Bósnia tinha o jogo que mais lhe convinha. Era preciso que Portugal fosse mais incisivo e pressionante para desorganizar a estratégia de Miroslav Blazevic e chegar ao golo. Apareceram alguns fogachos de Nani, pedia-se que Deco assumisse o jogo e espalhasse a sua magia. Uma espécie de sociedade entre ambos, entre os mais criativos. Essa associação funcionou, pela primeira vez, aos trinta minutos. O resultado? Um golo: Deco recuperou a bola, entregou-a para Nani que, com um excelente cruzamento, permitiu que Bruno Alves fizesse o primeiro golo de Portugal. Na cabeçada do portista estava a alegria de dez milhões de portugueses.

TER OS DEUSES AO LADO

Pouco passou para que a Bósnia se mostrasse, dissesse que ainda muito havia para jogar. Ibisevic, solto entre os centrais, teve espaço mas falhou o alvo. Frisson, silêncio de cortar. Ofertas assim não podem ser dadas a jogadores de qualidade, porque raramente são desperdiçadas. Estranhamente, ao contrário que seria de esperar, o golo marcado provocou alguma intranquilidade na equipa portuguesa. A Bósnia esteve, de novo, perto do empate. Eduardo teve uma bela defesa e negou a vontade a Salihovic. Portugal tentou responder mas, nesta fase, era a Selecção de Miroslav Blazevic quem estava por cima. Nova oportunidade para eles: Ibricic acertou na trave, com estrondo. Que perigo! Chegou o intervalo, foi bom para Portugal porque estava, sejamos sinceros, a ter inúmeras dificuldades para suster o ímpeto bósnio.

Na segunda etapa, Portugal dispôs da primeira grande oportunidade para dar uma machadada no jogo aos cinquenta e oito minutos. Liedson teve um pormenor extraordinário sobre a defensiva bósnia mas falhou o alvo. Foi a pedra de toque que trouxe a serenidade que faltava ao jogo português, intermitente mesmo em vantagem. Apareceriam, depois, remates perigosos de Deco e Simão Sabrosa mas nenhum deles levou a direcção certa. Agora, com Portugal mais calmo na gestão do jogo, a Bósnia estava mais comedida e sem o mesmo caudal que demonstrara após o golo português. O intervalo marcou essa separação no jogo, mudou a forma como estava a decorrer. Como se esperava, o descanso fez bem a Portugal.

No entanto, Carlos Queiroz não esteve feliz nas substituições. Após as saídas de Nani (Fábio Coentrão, estreia demasiado nervosa), Simão (Tiago) e Deco (Hugo Almeida), Portugal passou para um 4x4x2 mas perdeu os jogadores que melhor conservavam a posse da bola. Os bósnios raramente chegavam com perigo à baliza de Eduardo mas um golo caído do céu aos trambolhões poderia deitar tudo a perder. A vantagem tangencial nunca é garantia de segurança. Minuto 88, um verdadeiro milagre: Dzeko acerta na trave, a bola sobra para Muslimovic que, de baliza escancarada, envia a bola ao poste direito. Como foi possível? Um verdadeiro Euromilhões para Portugal, uma sorte que tantas vezes faltou. A ponta final foi de sofrimento atroz. Terminou na vitória. Uff... Longo alívio.

O primeiro acto do espectáculo (antevisão)

O Estádio da Luz será o palco da primeira parte do espectáculo, uma espécie de local de batalha de uma guerra dividida em dois actos. Portugal tem essa vantagem de começar perante o seu público, contando com apoio incessante em cada um dos noventa minutos. Hoje estaremos todos juntos para vencer a Bósnia. Seremos nós, um só. Carlos Queiroz deu o mote, apelando ao sentido colectivo dos intérpretes portugueses. Falta o maior artista, Cristiano Ronaldo, mas Portugal já deu provas de que tem vida para além do melhor do mundo. Não há, nesta eliminatória, meio-termo: matar ou morrer. Nada ficará decidido já, é bem verdade, porém o caminho poderá ficar traçado. É isso que se pede.

Deixemo-nos de rodeios: Portugal é favorito a vencer esta Bósnia. A confiança está em alta, depois de uma passagem pelo purgatório da fase de apuramento, e faz todo o sentido que assim seja. Todavia, isso não é indicador de facilidades ou vitória garantida. O adversário deverá ser encarado com todas as preocupações, nunca sendo subestimado nem inferiorizado. A Bósnia não é uma equipa de topo mundial mas conseguiu apurar-se para este playoff, à frente de Bélgica e Turquia, e faz por merecer o respeito. Tem a sua mina de ouro no ataque: Dzeko, Misimovic e Ibsevic são jogadores com provas dadas na Bundesliga e asseguram golos. Numa fase como esta, todos os cuidados parecerão poucos.

Na Selecção de Portugal, para além de Ronaldo, há ainda as lesões de Bosingwa e Pedro Mendes. Para ocupar as três vagas, Carlos Queiroz deverá chamar Nani - para compor o tridente atacante com Simão Sabrosa e Liedson - , Miguel será o dono do lado direito da defesa, e Pepe regressará à posição de médio defensivo que desempenhara no losango, fazendo com que Bruno Alves volte para o centro da defesa. Muitas mudanças. E ainda outra dúvida: quem será o lateral esquerdo? Duda ou Miguel Veloso? O primeiro tem sido o dono do lugar mas uma boa exibição do jogador do Sporting frente a Malta poderá ter baralhado as contas. A partir das 20h30, na Luz, ficam as certezas apenas. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

À procura de um sucessor perfeito

O Sporting não procura apenas um treinador, um sucessor de Paulo Bento. Procura um psicólogo, um aventureiro que não se atemorize nem com as adversidades nem com a pressão. Alguém capaz de devolver a alma ao clube. André Villas Boas é o nome mais veiculado. O mais jovem treinador do campeonato português (trinta e dois anos) caberá perfeitamente no ideal traçado por José Eduardo Bettencourt. Aposta de risco, sem dúvida: Villas Boas é inexperiente, a Académica é o primeiro clube que o tem como treinador principal, após a saída de Rogério Gonçalves, e, por isso, ainda há bem pouco tempo começou a carreira. Antes era um adjunto de Mourinho, uma espécie de discíplo que o acompanhou desde o Porto até Milão, e também aprendera com Bobby Robson.

Tem esse trunfo a favor, o de ter aprendido com um dos melhores do planeta futebolístico - o próprio Mourinho também foi, antes de começar a sua bem sucedida carreira, um aprendiz de Robson e Van Gaal. Contudo, um adjunto somente. Pelo demonstrado em poucas aparições, perspectivaram-lhe um futuro risonho e recheado de sucesso. A médio prazo, evidentemente. Para Bettencourt, as primeiras mostras dadas por André Villas Boas terão chegado para lhe entregar o complicado momento do Sporting. Caso se confirme, será um verdadeiro teste de fogo. Para o clube e para um treinador que precisa de provar o seu valor. Há sempre as duas faces da moeda, a boa e a má, a feliz e a triste. Sucesso e fracasso, lado a lado.

Por entre o rol de treinadores que poderão estar na corrida ao lugar de Paulo Bento, surge outro nome forte: Co Adriaanse. O holandês que levou o FC Porto ao primeiro título deste tetracampeonato, está actualmente, segundo ele, num período sabático mas receptivo a um convite do estrangeiro. Co é um treinador vocacionado para o futebol de ataque - o 3x4x3 que implementou nos portistas prova-o - , tem trabalho na formação do Ajax e é um disciplinador. No entanto, será que os problemas do Sporting passarão por falta de disciplina? À primeira vista, não. Necessário será que o rendimento tirado dos jogadores seja bem maior. Os próximos dias desvendarão o segredo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sonho Real do Alcorcón

Recuemos, vá lá, um mês no tempo. Falemos do Alcorcón. De quem? Alcorcón, equipa do terceiro escalão do futebol espanhol. Que importância poderia ter esta informação para os adeptos portugueses? Absolutamente nada, todos eram perfeitos desconhecidos. O sorteio da Taça do Rei colocou no caminho deste pequeno clube dos arredores de Madrid, o colosso Real. Seria um passeio para a galáxia de estrelas que Florentino Pérez juntou no Santiago Bernabéu e uma oportunidade de ouro para os jogadores do Alcorcón experimentarem um grande palco. Em lógica, pelo menos, nem discussão haveria. Mas será que há lógica no futebol?

Um, dois, três, quatro golos. Marcados na primeira mão. Pelo Alcorcón, sem nenhuma resposta do Real Madrid. Inacreditável, não é? Estupefacção geral. Claro, ainda para mais numa equipa que gastou tantos milhões no reforço do seu plantel e tem os melhores jogadores do planeta. Todos eles de inegável classe. O modesto Alcorcón foi uma verdadeira lição de humildade. Como é possível um ataque com Raúl e Benzema não ter levado a melhor? É assim o futebol no seu estado mais puro, espectacular e mágico. Não acontece muitas vezes mas ainda há casos em que uma simples fisga tem mais sucesso do que uma potente arma. Um David contra Golias.

Havia, contudo, uma segunda mão para jogar no Santiago Bernabéu. O Real estava obrigado a ganhar por cinco golos. Difícil mas possível face às diferenças existentes. Qualquer adepto merengue teria plena confiança que assim fosse. Prova disso é o facto de terem composto a lotação do estádio. Manuel Pellegrini lançou Kaká, Higuaín, Raúl e Van Nistelrooy. A equipa, porém, fez muito pouco para que precisava de tanto - apenas um golo, marcado a nove minutos do fim por Van der Vaart. O Alcorcón soube segurar a estrondosa vitória que alcançara no primeiro jogo e foi feliz. De uma goleada anunciada, num ápice, passou a fenómeno conhecido mundialmente. O futebol vive disto.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O mau período azul

Seria exagerado falar em crise, para já é um mau momento. Não deixa, contudo, de ser preocupante: o FC Porto, à décima jornada, perdeu já escapar dez pontos e tem cinco de atraso para a liderança. Pior do que isso são os sinais recentes que os portistas têm deixado e que culminaram na derrota frente ao Marítimo, já depois do empate caseiro ante o Belenenses. A equipa não reage aos avisos lançados, parece cansada, intranquila, não tem a mesma capacidade para resolver os seus jogos. Este FC Porto de Jesualdo Ferreira não foi, em momento algum, espectacular mas demonstrava uma enorme habilidade em somar vitórias. A eficácia e regularidade que eram apanágio, têm faltado nesta primeira fase da temporada.

Se olharmos à frieza dos números, percebe-se que o FC Porto tem, nesta altura, exactamente os mesmos pontos que na temporada anterior. Há, porém, uma diferença substancial: antes, o Leixões era o líder e contava com três pontos a mais, enquanto o Benfica levava mais dois do que os portistas; agora, Sp.Braga e Benfica partilham o primeiro lugar e mais cinco pontos. Em termos pontuais, os dragões estão em igualdade com a época que lhes valeu a conquista do tetracampeonato. Seja como for, importa olhar à especificidade de cada caso: em 2008-09, por muito mérito que tivesse, o Leixões não era um sério rival na luta pelo título e o Benfica já havia dado mostras de alguma irregularidade; desta feita, não só os encarnados estão num patamar bem superior, como os bracarenses têm recursos de que o Leixões não dispunha.

O mau momento interno e a concorrência externa fazem soar o alarme no Dragão. Um dos maiores problemas dos portistas passa pela construção de lances de futebol ofensivo, até porque a defesa, exceptuando Álvaro Pereira, transitou da época anterior. É incontornável, então, que não relembremos Lucho González e Lisandro López: o comandante e o goleador. Sentirá o FC Porto a falta da dupla argentina? Sim. Sobretudo de Lucho, porque Belluschi, o substituto, mesmo sendo o jogador mais criativo do plantel, tem sido utilizado com alguma intermitência e até preterido a Guarín. Há, depois, outro problema fulcral: Raul Meireles. É notória a quebra do médio português, parece algo fatigado e sem conseguir ligar os sectores. A equipa ressente-se.

Robert Enke



Talvez um dia regresse ao Benfica
. As palavras são de Robert Enke, guarda-redes alemão, durante o Europeu de 2008. Os adeptos benfiquistas veriam com bons olhos o regresso de um guarda-redes que foi o escolhido para substituir o eterno Michel Preud'homme e deixou saudades nos adeptos portugueses. Esteve em Portugal durante quatro anos, de 1999 a 2002. Sairia, então, para o Barcelona mas a experiência espanhola não lhe correu de feição e acabou por rumar ao Fenerbahçe e, mais tarde, Tenerife. Em 2004-05 ingressou no Hannover. Assumiu-se como um dos melhores guarda-redes do seu país, provou toda a sua qualidade e chegou à Selecção alemã. Foi o clube onde Robert Enke esteve até hoje. Até decidir pôr termo à sua vida, a 9 de Novembro de 2009. Tinha trinta e dois anos.


Censurar as tácticas hiper-defensivas?

Sou daqueles adeptos que se insurge contra o futebol hiper-defensivo que muitas equipas apresentam quando defrontam outras que, indiscutivelmente, são superiores. A estratégia passa por colocar todos os jogadores na zona defensiva, abdicando do ataque para criar uma espécie de barreira ao adversário que o impeça de marcar. O espectáculo perde o espírito de disputa pela vitória, o seu verdadeiro sentido, e transforma-se, na perspectiva da equipa mais forte, numa luta contra o tempo. É futebol? Não, claro que não é. Existe, apenas, uma das partes que está interessada em jogar, em dar tudo para alcançar os três pontos, enquanto a outra procura aguentar-se como pode. Por vezes resulta. O maior prejudicado de tudo isto é o espectador que pagou o seu bilhete para estar no estádio.

O ideal seria ver duas equipas vocacionadas para o ataque, dando tudo para vencerem a partida e ainda agradarem a quem assiste ao jogo. No entanto, mesmo sendo contra essa táctica, a bem do futebol, não sou capaz de condenar quem opta por colocar um autêntico muro junto à área. Imaginemos que, de um lado, temos uma equipa com um orçamento de milhões, recheada de jogadores internacionais e com provas de qualidade mais do que suficientes. Joga em casa, além disso, diante de um público capaz de empurrar os jogadores para junto da baliza adversária. Pela frente, onze jogadores com pouca experiência, jovens, vindos de escalões secundários e que encaixam num plantel onde impera a contenção de custos.

O leitor terá, imediatamente, feito uma ponte entre o que foi referido e o jogo entre Benfica e Naval, jogado ontem na Luz. Trata-se de um exemplo flagrante. Algum espectador terá gostado de ver uma equipa a massacrar ofensivamente outra encostada à sua baliza? A resposta é fácil de adivinhar. Contudo, parece-me que não se possam fazer muitas críticas a Augusto Inácio, treinador dos figueirenses. Contando com uma exibição assombrosa do guarda-redes Peiser e com alguma sorte à mistura, claro, a Naval ficou pertíssimo de conseguir suster o ímpeto do Benfica. Ou seja, a sua equipa quase saiu com um grão para o seu objectivo. Não foi bonito. Mas, na sua visão, foi quase perfeito. Poderemos censurar a postura? Sim... mas olhemos aos argumentos de cada um.

Há coisas mesmo fantásticas

Minuto 86 do Dínamo Kiev-Inter, quarta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Os ucranianos, depois de empatarem em Milão, vencem por um golo de vantagem. O Internazionale está no último lugar do seu agrupamento, com três pontos resultantes de outros tantos empates, atrás de Barcelona, Rubin Kazan e do próprio Dínamo. O nono jogo internacional sem vencer era, para a equipa de José Mourinho, quase uma confirmação. Não: Diego Milito empata, Wesley Sneijder dá a vitória. Falta um minuto, o Inter deixa a última posição e passa para a liderança, com mais um ponto do que Barça e a surpresa Kazan. Sem que muitos o esperassem, chuta para canto a situação bem delicada em que ficaria e assume o favoritismo da passagem. Futebolices.

Minuto 78 do derby de Madrid, Atlético-Real. Três golos de vantagem garantiam a décima vitória consecutiva dos merengues em casa do rival. Pouco havia para discutir. Quique Flores, agora nos colchoneros, simbolizava-o na perfeição: no banco, sentado, braços cruzados, sem capacidade para fazer o que quer que fosse. O Real Madrid estava com dez desde o minuto sessenta e seis, por expulsão de Sérgio Ramos, mas nem isso dava maior alento. Até que, em dois minutos, o Atlético marca por Forlán e relança o jogo por Agüero. Faltam, agora, oito minutos para os noventa e o jogo não tem nada decidido. O Real tremeu, o empate esteve próximo: Simão desperdiçou, Casillas agigantou-se perante Forlán e garantiu a vitória. Com grande sacrifício. Quem diria...

Minuto 78 do Lyon-Marselha. Um clássico do futebol gaulês, resultado de 2-3. Quanto mais não fosse, poderia servir para matarmos saudades de um jogador que encantou Portugal: Lisandro López, agora ao serviço do Lyon. E não de Lucho, antes parceiro e actual opositor de Licha, porque uma lesão lhe tem estragado os primeiros tempos em França. Lembram-se do resultado quando faltavam doze minutos? 2-3.
Aos 79 minutos, o Marselha aumentou a vantagem para dois golos e pensou-se que teria acabado com o jogo. Nada disso. Esse tempo que restava até ao último apito trouxe um futebol frenético, louco, louco. De tirar o fôlego. Lisandro bisou e empatou. Bastos deu a volta. Mbia, três minutos depois dos noventa, igualou de novo. Terão eles tomado a poção mágica?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Liga Sagres: Liderança a dois

ANÁLISE

O líder foi derrotado. Essa é, sem dúvida, a maior notícia. O Sp.Braga não conseguiu levar a melhor sobre o Vitória de Guimarães, no tão intenso derby minhoto, e é obrigado agora a partilhar o trono da liderança com o Benfica. Uma semana depois de se terem defrontado, as equipas voltam a estar empatadas. Com a diferença de, neste momento, os minhotos levarem vantagem no confronto directo. Esta foi, também, a jornada em que o FC Porto deixou fugir uma chance de se aproximar do topo e teve a sua segunda derrota na prova. E onde Sporting viveu mais um acto da sua saga recente. A saída de Paulo Bento não produziu efeitos imediatos.


Apetece perguntar: o que se passa com este FC Porto? Ou melhor: que é feito do tetracampeão nacional que, mesmo sem ser espectacular, se tornava cínico e letal para com os adversários? A equipa tem entrado adormecida, só desperta após uma ameaça ou até um golo por parte do opositor, mas os requisitos mínimos são de menos para uma equipa como esta. Ante a Académica, Belenenses e Marítimo foi assim: o primeiro serviu de aviso, embora tenha trazido três pontos; o segundo terminou num empate que gerou apreensão; nada mudou e a derrota aconteceu mesmo à terceira. Na Madeira, frente ao Marítimo, após autogolo de Rolando. Um prémio justo para os madeirenses e o preço de o FC Porto se ter colocado a jeito.

O Sporting, no primeiro jogo pós-Paulo Bento, foi mais do mesmo. Não conseguiu mudar a pálida imagem que tem deixado e aumentou a profunda crise em que se encontra. Quem tivesse visto a primeira parte em Vila do Conde diria, porém, que esta partida seria um chuto no mau momento: a equipa jogou com alegria, com agressividade e foi eficaz. Ao intervalo vencia por dois golos de vantagem. No entanto, estava apenas cumprida uma metade do trabalho e era imperial que a equipa se mantivesse concentrada e nunca descansasse à sombra do resultado. Aconteceu o contrário, o Sporting encolheu-se e não soube suster uma melhoria do Rio Ave que nunca desistiu do jogo e acabou por ser feliz. João Tomás empatou, o leão viu a sua doença agravar-se.

À décima jornada, com algumas semelhanças do que acontecera em Guimarães, o Benfica encontrou as maiores dificuldades deste campeonato. Teve que ser persistente e saber sofrer. Augusto Inácio encarou bem a partida, soube ocupar as zonas nevrálgicas do Benfica pois jogar de igual para igual na Luz seria, para quem não tem, nem pouco mais ou menos, os mesmos recursos, um enorme risco e a Naval poderia sair vergada a uma goleada humilhante. Assim, o jogo teve sentido único, o Benfica fez de tudo para marcar mas foi parado quer pelo super-Peiser quer pelos ferros - sentiu-se ainda a falta de Cardozo, principal referência de área. O golo apareceu no último minuto através de uma cabeçada de Javí García. A Naval morreu na praia.

No derby minhoto, disputado no Berço da Nação, o Sp.Braga entrou adormecido. Não soube ser pressionante, agressivo e rápido como tem sido até aqui. O Vitória viveu na antítese: com profundidade no jogo, ambicionando atirar para canto o mau início de época, para assim recuperar na classificação. Desmarets, com um golo monumental, deu alma à excelente primeira parte vimaranense. O Sp.Braga reagiu, criou oportunidades, o Vitória soube segurar a vantagem e quebrou a invencibilidade do rival de sempre. Tão bem lhes soube!... Destaque ainda para as vitórias de Nacional (ante o Leixões, por 2-4, num jogo envolto em grande polémica) e Paços de Ferreira (agudizando a crise do Belenenses, 0-3). Ainda os empates entre Vitória de Setúbal e Olhanense (nulo), e União de Leiria e Académica (1-1).

O FC Porto não quer a liderança?

Em 2002-03, o FC Porto, então sob o comando de José Mourinho, foi derrotado pelo Marítimo. Daí para cá não mais os portistas saíram vencidos do estádio dos Barreiros e apenas em 2005-06 deixaram ficar dois pontos. Agora, sete épocas volvidas, os madeirenses voltaram a impor uma derrota ao FC Porto - a segunda nesta temporada, depois de Braga. Há, contudo, um denomidador comum entre ambos os triunfos: Mitchell Van der Gaag. Agora treinador, o holandês marcara o primeiro dos dois golos com que o Marítimo vencera os dragões pela última vez - como técnico, em jogos do campeonato, leva três vitórias e um empate. O FC Porto desperdiçou uma oportunidade soberana de se aproximar ao Sp.Braga, líder, e poderá ver o Benfica voltar a escapar-lhe.

Os portistas só poderão queixar-se de si próprios. A equipa de Jesualdo Ferreira não teve capacidade para recuperar de exibições pouco conseguidas e deixar para trás o tropeção, que lhe valeu um empate, frente ao Belenenses. O argumento não foi diferente do que aquele que se tem visto: pouca velocidade, pouca capacidade para empurrar o adversário, quase nenhuma ocasião de golo. As primeiras partes têm sido assim, invariavelmente, e nem os jogos com Académica e Belenenses serviram de aviso. Este FC Porto não tem o mesmo cinismo e a mesma eficácia que tantas alegrias lhe deu. É certo que, ontem, jogou num terreno complicado mas será que isso serve de atenuante? Não!

Assim como acontecera na ronda anterior, o golo do adversário surgiu por alguma fortuna. Após um cruzamento de Alonso, na esquerda do ataque maritimista, Rolando tentou um corte mas a bola acabou dentro da baliza de Helton. Foi um lance fortuito, sim. Em vantagem, o Marítimo não se encolheu em torno da baliza de Peçanha e procurou sempre mais. Esteve perto, em dois cabeceamentos de Baba, de poder fazer o segundo golo (cruzamentos para o jogo aéreo foram a principal arma da equipa de Van der Gaag). O FC Porto tentava reagir mas faltava sempre qualquer coisa. Depois, quando Falcao teve espaço para empatar, apareceu um super-Peçanha a impedir a festa. Eles não querem chegar à liderança, Jesualdo?

domingo, 8 de novembro de 2009

Problema desnecessário

Carlos Queiroz convocou Cristiano Ronaldo para a dupla jornada da Selecção nacional frente à Bósnia. Está, por isso, instalada a confusão. Recuemos algum tempo para uma melhor compreensão do problema. Desde a partida de Portugal com a Hungria, na Luz, que Ronaldo se encontra em recuperação da lesão que o afecta no tornozelo. No entanto, nos últimos dias foi avançada a hipótese de Queiroz convocar mesmo o jogador quanto mais não fosse para que os médicos portugueses avaliassem a extensão da lesão. De pronto, o Real Madrid se insurgiu alegando que, caso estivesse em condições, Ronaldo seria utilizado por Pellegrini. Agora, confirma-se: Cristiano Ronaldo está seleccionado. Fará assim tanta falta?

As desavenças entre os responsáveis da Selecção portuguesa e o Real Madrid, sobre Ronaldo, remontam ao jogo com o Liechtenstein que o jogador madeirense falhou devido a uma gripe. Gilberto Madaíl e Carlos Queiroz, na altura, criticaram a forma como o impedimento de Cristiano Ronaldo foi comunicada - que motivou mesmo uma reacção onde o jogador se mostrou desiludido com as desconfianças dos portugueses. Este é somente um novo capítulo. É certo que o Real não quererá perder a sua maior estrela e todos os cuidados são poucos. Mas... que adiantaria aos espanhóis inventar uma lesão se não lhe traz qualquer benefício e o jogador continua parado? Apenas contribui para uma polémica sem sentido.

Em Guimarães, a primeira batalha perdida

Nove batalhas depois, os Guerreiros perderam a primeira luta. Na fortaleza do inimigo de sempre, com quem nunca haverão de fazer um pacto de paz. O Sp.Braga, duas semanas depois de ter visto o Rio Ave parar-lhe a série vitoriosa, perdeu agora a invencibilidade frente ao Vitória de Guimarães. Os vimaranenses montaram uma boa estratégia que deixou o adversário manietado, preso, sem imaginação para partir para a nona vitória. Uma verdadeira bomba de Desmarets, à meia-hora de jogo, coroou a excelente primeira parte da equipa de Paulo Sérgio. O Sp.Braga reagiu, claro, até porque não lhe restava outra alternativa, mas pagou caro pela entrada a meio gás. O alarme soou tarde.

Em tempo de guerra não se limpam armas. Ainda para mais quando se joga um derby, os cuidados terão de ser redobrados porque, neste tipo de jogos, a sorte até costuma sorrir à equipa que está pior. O Sp.Braga não levou a máxima em conta: começou o jogo de forma demasiado relaxada, com pouca criatividade e fluidez de jogo, deixando-se anular pela teia que Paulo Sérgio lançou no relvado. O Vitória foi precisamente o contrário: equipa sedenta de vitórias para recuperar o seu lugar no futebol português, tinha neste jogo a oportunidade de dar a volta ao texto. Fê-lo com justiça, graças a um cruzamento perfeito de Nuno Assis que permitiu um extraordinário pontapé de Desmarets. Um hino ao futebol!

O intervalo foi como uma rajada de vento que tudo mudou. As equipas apareceram diferentes. Sobretudo o Sp.Braga que, apenas aqui, começou a fazer jus ao seu estatuto de líder e de equipa que tantos elogios tem merecido. Imprimindo bem mais velocidade, sendo mais pressionante no meio-campo e com profundidade nas alas, os bracarenses apertaram o cerco à baliza de Nilson. Do outro lado, o Vitória baixou as linhas, fechou-se na defesa do seu castelo, teve capacidade de sofrimento e conseguiu anular as tentativas do Sp.Braga - o flanco direito dos arsenalistas sentiu a falta de João Pereira, castigado. A vitória chegou a ser ameaçada mas, com grande esforço colectivo, foi conseguida. Mérito para eles.

sábado, 7 de novembro de 2009

Crónica de um pesadelo

Hoje é o primeiro dia do resto da vida do Sporting. O futebol leonino sofreu ontem um profundo rombo. Ou, se o leitor preferir, uma verdadeira revolução, com as saídas de Paulo Bento, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles: treinador, director-desportivo e vice-presidente para o futebol, respectivamente. O mesmo é dizer que os três homens fortes da estrutura leonina abandonaram o clube. A instabilidade que se vivia no Sporting devido aos maus resultados e às más exibições conseguidas, ganhou agora contornos bem maiores. A crise agudizou-se e o clube encontra-se numa profunda carência de identidade. Para culminar, também José Eduardo Bettencourt poderá sair.

A demissão de Paulo Bento foi apenas a pedra que fez ruir a montanha. O Sporting estava numa posição fragilizada, nada coadunante com a condição do clube. Mesmo cientes de que o problema não se resumia apenas ao treinador, os adeptos sportinguistas pediram mudanças que passariam invariavelmente pelo abandono de Bento. A equipa não reagia, mantinha-se apática, era necessário que tivesse um abanão para ainda poder lutar pelos seus objectivos. Ontem, na ressaca do empate caseiro frente ao modesto Ventspils, o treinador abdicou do seu lugar por entender não estarem reunidas as melhores condições para o prosseguimento do seu trabalho. Funcionaria sempre como uma quebra com o passado recente.

Assim foi, sem dúvida. No entanto, o abandono de Paulo Bento estendeu-se à estrutura do clube e também Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles renunciaram aos seus cargos, porque eram outros alvos que se mantinham no centro da contestação dos adeptos. O efeito positivo e reactivo que o abandono de Bento poderia trazer, apenas abriu um vazio no clube e deixou José Eduardo Bettencourt entregue a si próprio no que toca ao futebol profissional. A partir de hoje, nada será igual no universo leonino. O presidente já pondera o seu abandono, somente cinco meses após ter sido eleito para o cargo. A situação é delicada. Independentemente do que poderá acontecer nos relvados, é urgente que o Sporting se estabilize internamente. Só assim poderá ter sucesso.

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