sexta-feira, 31 de julho de 2009

A naturalização de Liedson

A naturalização de jogadores é um tema que serve para inúmeras conversas e outras tantas opiniões. Em Portugal, neste momento, isso também acontece em torno de Liedson. O avançado brasileiro-que-agora-também-será-português do Sporting é um jogador de enorme qualidade. Aliás, muitas vezes tem sido ele o abono de família da equipa leonina. É um caso em que se junta a fome à vontade de comer: Liedson joga cá, nunca foi chamado à selecção brasileira e quer representar Portugal, ao passo que os responsáveis nacionais há muito procuram um digno sucessor de Pauleta.

Pessoalmente, não vejo qualquer problema no facto de Liedson jogar pela selecção portuguesa. No entanto, não sou a favor da naturalização de jogadores. Confusos? Eu explico: defendo que cada um deve representar apenas o seu país mas há muito que foi aberto um precendente com as naturalizações de Deco e Pepe, dois brasileiros na mesma situação do Levezinho, para jogar por Portugal. Não faria sentido não concordar com a chamada de Liedson: por que razão alguns puderam fazê-lo e outros não? Bem diferente seria se este se tratasse de um caso pioneiro, nunca antes visto no nosso país.

Com certeza que o leitor poderá ter uma visão completamente contrária desta que aqui deixo. Existem os adeptos que não concordaram com as chamadas de Deco e Pepe e certamente também não concordarão com a de Liedson, por um motivo de bom senso. Porém, quem foi a favor das naturalizações dos dois primeiros não pode ser contra agora. Não sei se existirá alguém a pensar dessa forma mas que lógica teria se assim fosse? Nenhuma, quanto a mim. A convocatória de Deco abriu a porta às naturalizações em Portugal. Caso a entrada de Liedson fosse barrada, seria uma tremenda injustiça.

Sir Bobby Robson

A luta foi intensa, disputada até ao fim, sem um momento de tréguas. É sempre assim quando alguma doença maldita se mete no caminho. Não deu mais. Depois de uma batalha heróica para continuar a viver, hoje, faleceu Bobby Robson. Um verdadeiro senhor, ou não fosse um sir britânico, que marcou o futebol mundial. Esteve em Portugal, também: depois de não ter sido aproveitado no Sporting, rumou ao FC Porto e conquistou dois títulos da série do penta dos dragões. A ele José Mourinho deve muito do que é actualmente.

O primeiro grande momento mundial de Bobby Robson aconteceu em 1958 quando esteve presente no Campeonato do Mundo, como jogador, numa selecção que tinha o lugar de estrela reservado para o outro Bobby, Charlton. Porém, enquanto jogador nunca alcançou aquilo que viria a alcançar como treinador. Foi em 1968, com trinta e cinco anos, que Robson deixou as chuteiras de lado e se dedicou às tácticas. Depois de, em 1981, ter vencido a extinta Taça UEFA com o Ipswich Town chegou, no ano seguinte, à selecção inglesa. De novo, desta vez como treinador. Foi aí que ganhou maior prestígio.

Comandou os destinos de Inglaterra durante oito anos, até 1990. Esteve no Mundial do México, em 1986, onde acabou eliminado pela Argentina de Maradona, naquele famoso jogo em que El Pibe marcou um golo com a mão, la mano de Diós. Ainda recentemente, numa entrevista ao Maisfutebol, Bobby Robson mostrou-se resignado: "Foi o lance mais bizarro a que assisti. Acho que toda a gente no estádio percebeu que tinha sido com a mão mas não há nada a fazer." Foi batota, claro que sim, mas nem nestes momentos ele perdia o cavalheirismo. Por isso, é diferente.

Após o Mundial de Itália em 1990, o primeiro em que Inglaterra chegou às meias-finais depois da vitória em 66, Robson abandonou o cargo de seleccionador britânico. Rumou à Holanda, para se sagrar bicampeão no PSV Eindhoven. Depois, seria Portugal a estar no seu caminho. Deixou as tulipas e assinou contrato com o Sporting. Esteve dois anos no cargo até ser despedido, em Dezembro de 1994, por Sousa Cintra após falhar nas competições europeias. Foi um erro tremendo, viu-se depois: sem perder tempo, o treinador inglês rumou ao FC Porto onde se sagraria campeão nacional em duas épocas consecutivas.

Com o dever cumprido em Portugal, aceitou um desafio à sua medida: ser treinador do Barcelona, sucedendo a Johan Cruyff. Fez um forcing para levar Vítor Baía, o guarda-redes que o impressionara nas Antas. E também um tradutor que o acompanhava desde os tempos em que esteve no Sporting: José Mourinho, esse que se viria a tornar especial. No entanto, nem tudo correu bem nessa equipa que tinha em Ronaldo, o verdadeiro fenómeno, a estrela maior e contava com os portugueses Fernando Couto e Figo, para além de Baía. Mesmo vencendo a Taça das Taças, o Barça falhou o título espanhol por um ponto.

Sem mais espaço de manobra, Robson daria lugar a Van Gaal mas manteve-se ligado ao clube espanhol. Em 1998, voltou ao banco do PSV. Depois, o Newcastle na sua última aparição como treinador. Em 2004, bem mais fraco devido à doença, decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Contudo, nunca cortou as raízes que o ligavam à bola e aceitou entrar para a estrutura da federação irlandesa. Sexta-feira, 31 de Julho de 2009, foi comunicado o seu falecimento. Setenta e seis anos depois de ter nascido. Um homem simpático, afável, bem-humorado que não será esquecido pelos amantes de futebol. Merece uma vénia.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Tour de France: Análise

O REI CANTADOR

Bem vistas as coisas, este Tour foi ferido de previsibilidade. Os Pirinéus transpunham-se demasiado cedo para serem influentes, o Tourmalet e o Aspin foram remetidos para o papel de meras passagens. O fim das bonificações em tempo matou a relevância competitiva das etapas de transição, o Mont Ventoux no penúltimo dia ameaçou o carisma dos Alpes e assim sucedeu. Alberto Contador anunciava-se como favorito e foi o justo vencedor. Então, o que conferiu afinal espectacularidade e interesse a esta edição da prova?

O regresso de Armstrong. Por alguma coisa o sal e a pimenta vão juntos à mesa. A variedade do condimento permite a um prato sensaborão ganhar versatilidade, personalidade a gosto de quem o consome. E, nestes dias do ciclismo in vitro, Armstrong deu ao Tour um paladar irrepetível. Na perspectiva de Contador, Armstrong foi sempre uma ameaça. Porque sem ele o Tour seriam favas contadas, com ele ia-se a hegemonia na equipa, nas atenções, no protagonismo mediático, na admiração dos fiéis seguidores da maior prova do mundo velocipédico.

Faça-se um exercício. Se Armstrong não tivesse regressado, Contador não seria para todos o mais-que-tudo da prova, o sucessor seguro do americano e de Indurain ao mesmo tempo? Reparem na forma única de pedalar do espanhol, quando explode, montanha acima. Não viram já aquela técnica em algum lado? Ironia das ironia. É a forma de pedalar, de se insinuar perante a maioria num exercício que ninguém mais alcança a prova provada da mentira de Contador. Ele admirou Armstrong, sim, ao ponto de o tentar repetir, igualar, imitar.

O que ele não perdoa ao americano é o facto de ter regressado neste Tour, dividindo com ele as primeiras e segundas páginas, os gregários e o amor do técnico e da equipa. Foi incapaz de descortinar que a colagem aos feitos de Lance lhe era possível neste Tour, mais que em qualquer outro. Mas este campeão tinha um plano feito há tanto tempo, tão pensado ao pormenor que já não havia espaço para um improviso.

No desenho feito por Contador, Armstrong foi a moldura que, irritante, resolveu entrar no quadro. Alberto é um corredor formidável, merece este e vai merecer os próximos triunfos. Faltam-lhe algumas peças do puzzle, é verdade. Nunca há-de entender que não se é gigante gritando a pequenez que vê nos outros. Alberto rasgou a tela e nem percebeu que, regressando, Armstrong lhe deu de mão beijada a oportunidade de uma vida: ser o seu sucessor e herdeiro na admiração de todos os que, no Mundo inteiro, amam o Tour. Em Pinto, no seu mundo pequenino, todos lhe deram razão e ele ficou satisfeito por já ser galo. Trocou o pódio por um poleiro.

JOÃO PEDRO MENDONÇA (Jornalista da RTP, narrador do Tour)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O mau arranque do Sporting frente ao Twente

Após o primeiro jogo oficial do Sporting, frente aos holandeses do Twente, ficou provada uma ideia da pré-época: o plantel é demasiado curto. É certo que não houve saídas importantes - apenas as dispensas: Ronny, Tiuí e Romagnoli - mas o mercado não trouxe grandes novidades pois apenas chegaram, até ao momento, Matías Fernandéz e Filipe Caicedo. Uma equipa que pretende chegar longe na Liga dos Campeões não pode jogar apenas com jovens vindos da formação, independentemente de toda a qualidade que tenham. Por alguma coisa lhe chamam liga milionária: nem todos lá conseguem estar, só os melhores se aguentam.

Uma das ideias defendidas por José Eduardo Bettencourt passava por dar continuidade a essa política de formar uma equipa jovem mas também contar com jogadores de algum nome no futebol internacional. Foram dados os exemplos de Schmeichel e André Cruz, jogadores que estiveram no último título nacional dos leões. Até agora, não foi assim. Reitero a ideia inicial: o plantel é curto. Não só para jogar além fronteiras mas até mesmo para consumo interno onde os rivais, FC Porto e Benfica, têm recebido bons reforços. Aliás, a pré-época e as movimentações do mercado passaram um pouco ao lado do Sporting. Assim pareceu, pelo menos.

O jogo do Sporting com o Twente, vice-campeão holandês logo atrás do Az Alkmaar, serviu para pôr a nu imensas fragilidades. A fase da época ainda é algo precoce, certo, mas repare-se que, dos onze titulares, apenas Matías Fernandéz não estava no plantel da temporada anterior. O treinador é o mesmo, o modelo também, a filosofia idem aspas. A partida terminou empatada a zero. O Sporting jogou, desde os vinte e cinco minutos da primeira parte (quando desperdiçou uma grande penalidade), com mais um jogador. A partir daí, assumiu o controlo do jogo e esteve sempre mais perto de ganhar. Mas não jogou bem. Demonstrou que não tem a frescura e o ritmo que lhe são necessários.

Uma nota final sobre Felix Brych, o árbitro do jogo. Fez uma arbitragem má, deixando um penalty por marcar para cada lado e teve mais um par de erros. Criticar tudo aquilo que se faz internamente e enaltecer o que vem de fora é uma forma de ser bem portuguesa. Ouve-se muitas vezes que nenhum dos árbitros portugueses tem categoria, até há quem peça que se importem alguns de outros países para resolver os problemas existentes. Mas todos eles erram. Uns mais e outros menos, é certo. Em qualquer país do planeta, há árbitros bons, outros maus e uns assim-assim.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Keirrison, o novo avançado do Benfica

Keirrison, avançado brasileiro de vinte anos, é o mais recente reforço do Benfica. O jovem jogador chega por empréstimo do Barcelona e torna-se no sexto (!) avançado do plantel de Jorge Jesus para a nova temporada - Saviola, Cardozo, Weldon, Nuno Gomes e Mantorras eram os residentes. Apesar de idade, Keirrison é visto como um jogador possuidor de uma enorme margem de progressão mas também já passou por momentos bem dolorosos, devido a uma lesão grave que o afectou no joelho. Após ter sido noticiado que o Barça o poderia incluir num negócio com o FC Porto, na tentativa de adquirir Bruno Alves, o médio brasileiro ruma à Luz.

Fique com os melhores momentos de Keirrison em vídeo:




segunda-feira, 27 de julho de 2009

O novo Benfica

O Benfica está diferente. Pode parecer algo cedo para fazer qualquer juízo sobre o real valor da equipa mas é apenas uma constatação do óbvio. Não se quer com isto dizer que é o principal candidato ao título pois isso apenas se verá durante a competição oficial mas fazer uma comparação com o passado recente. Repito, o Benfica está diferente. Para melhor. Ganhou alma, atitude e vontade de ganhar mas também o conhecimento profundo que Jorge Jesus possui do campeonato português. A equipa está melhor do que na temporada passada.

O maior defeito do Benfica de Quique Flores foi, talvez, a irregularidade exibicional. Um candidato ao título não pode ser assim porque tem a obrigação de ganhar sempre. Por paradoxal que possa parecer, na temporada anterior, os encarnados estiveram melhor nos jogos com maior exigência e falharam noutros onde ninguém o esperaria. A derrota na Trofa, frente ao último classificado, quando o Benfica era líder é um exemplo disso mesmo. Existe uma frase que alguns treinadores gostam de usar e que faz todo o sentido: os campeonatos não se ganham nos clássicos mas sim quando se defrontam os chamados pequenos.

Actualmente, a mais ou menos um mês do início da competição oficial, o Benfica já se encontra num bom patamar. Os jogadores mostram mais alegria, mais vontade. Outro defeito de Quique: não colocar os jogadores nas suas posições originais, onde são mais produtivos. Jorge Jesus tem-no feito. O caso mais flagrante é, muito provavelmente, o de Aimar que está muitíssimo melhor pois deixou de jogar como segundo ponta-de-lança e passou para terceiro, ou seja, no vértice ofensivo do losango. É aí que ele é melhor e entende-se na perfeição com a dupla de goleadores: Cardozo e Saviola. Jesus leva vantagem a Quique e a pré-época deixou esperança aos benfiquistas. Resta saber se assim será na competição a doer.

domingo, 26 de julho de 2009

Tour de France: O rescaldo com a contagem de Alberto

Vinte e uma etapas cumpridas, milhares de quilómetros percorridos, imenso esforço e, por fim, glória. A nonagésima edição do Tour de France chegou ontem ao fim. Com uma notícia esperada: a vitória de Alberto Contador. O ciclista espanhol mostrou ser o mais forte não dando, sequer, espaço para serem levantadas dúvidas. Aliás, apenas Andy Schleck mostrou verdadeiramente ter capacidade para lhe fazer frente. E Lance Armstrong, claro, que apesar da sua veterania fez uma prova extraordinária. Porém, estavam na mesma equipa e apenas um deles poderia ganhar: seria o mais forte. Seria Contador, então.

O real Tour de France 2009, o espectáculo que todos querem ver, só começou com a chegada aos Alpes. Até aí houve expectativa a mais. O ciclismo é uma demonstração de força, por excelência. No entanto, nos dias que correm, já não existem aqueles ataques espectaculares que deixavam tudo para trás e davam um avanço abissal para os concorrentes. Agora existe táctica, estratégia, jogo de bastidores. Por isso mesmo, as comunicações entre ciclistas e director-desportivo são totalmente indispensáveis. Esse foi um tema que também deu pano para mangas e até originou uma etapa de protesto devido à proibição da utilização dessa ferramenta.

A camisola amarela apenas teve três donos que podem muito bem representar três fases da corrida: Fabian Cancellara foi o primeiro, logo após ter sido um autêntico rocketman no contra-relógio inicial; Rinaldo Nocentini alcançou a liderança, de forma surpreendente, nos Pirinéus após a primeira etapa de montanha; e, finalmente, Alberto Contador que chegou à camisola mais cobiçada por todos no último dia da segunda semana. Logo aí, nessa etapa que terminou no Verbier, ficou bem claro que, muito dificilmente, o ciclista espanhol deixaria fugir a vitória final no Tour'09. Aliás, ficou a sensação de que seria capaz de fazer ainda melhor porque estava forte, melhor do que todos os outros.

Além disso, é preciso reconhecer o trabalho desenvolvido pela sua equipa, a Astana, embora tenham existido diversos problemas internos. Com o regresso de Lance Armstrong - já falaremos dele -, o estatuto de Contador ficou algo fragilizado. Colocaram-se questões sobre quem seria o líder: se o norte-americano, heptavencedor do Tour mas com três anos de ausência, se o espanhol, reconhecido por unanimidade como o melhor ciclista mundial. Depois havia ainda Levi Leipheimer e Andreas Klöden, corredores de grande qualidade que liderariam, de caras, qualquer equipa do pelotão. Não eram líderes mas também não eram homens para fazer o trabalho duro. Outsiders.

Foi precisamente por essa razão, por falta de operários e excesso de líderes, que Sérgio Paulinho foi sujeito a um desgaste muito grande. Contudo, também ele provou ser um ciclista de qualidade mundial, servindo de autêntico escudeiro de Alberto Contador. Acabou no trigésimo quinto lugar mas isso é o menos importante pois cumpriu, e bem!, o seu trabalho. A Astana foi, desde o primeiro dia, quem impôs o ritmo e controlou o pelotão. Pode parecer algo estranho porque, nessa altura, a liderança não lhes pertencia mas foi o que realmente aconteceu. Falamos de portugueses e, para além de Sérgio Paulinho, também Rui Costa (Caisse d'Epargne) participou neste Tour. Fez a sua estreia não conseguindo, porém, chegar a Paris devido a uma queda que lhe cortou o sonho. Demasiadamente cedo.

Voltemos aos candidatos na luta pela camisola amarela. Ou melhor, aos teóricos candidatos porque somente os manos Schleck, Andy e Frank, colocaram Contador em sobressalto. Carlos Sastre, vencedor da competição no ano anterior, mostrou não estar nas mesmas condições que o levaram à glória e não possuir uma equipa suficientemente forte - Cervélo - para competir com a Astana. O mesmo se pode aplicar a Cadel Evans, australiano da Silence-Lotto, ciclista que tem somado segundos lugares mas habituado a estar desapoiado. Deles pouco se viu - Sastre tentou no Ventoux, tarde. Denis Menchov poderia ser incluído no grupo, mas mostrou-se demasiado fatigado pela vitória no Giro de Itália.

Alberto Contador, Franco Pellizotti, Thor Hushovd, Andy Schleck e Astana. Foram estes os vencedores do Tour de France'09: geral individual, montanha, pontos, juventude e equipas. Ora, a camisola verde (a amarela dos sprinters) foi uma das grandes atracções da prova. Mark Cavendish, o Expresso da Ilha de Man, dominou todas as chegadas em pelotão compacto conseguindo seis vitórias. Deixou bem claro que não tem, nesse tipo de decisão, qualquer paralelo. Apenas por uma vez saiu derrotado: por Thor Hushovd. Ora, Cavendish seria o mais lógico vencedor do prémio por que correm todos os sprinters. No entanto, a camisola foi ganha pelo tal Hushovd, norueguês da Cervélo, que se fez valer da sua melhor condição na montanha.

Lance Armstrong, para terminar. Mesmo com trinta e sete anos de idade e três de ausência, o heptavencedor do Tour deu um sentido perfeito à máxima de que quem sabe nunca esquece. Acabou no terceiro lugar da geral. Confirmou-o na subida ao Mont Ventoux onde sofreu ataques de Frank Schleck, o único que poderia ambicionar retirá-lo do pódio, com enorme classe. Chegou em sexto na etapa e até aumentou a vantagem para o luxemburguês. No próximo ano voltará a marcar presença em França. Estará na Team RadioShack, uma equipa construída à sua volta e talvez dirigida por Bruyneel, como candidato assumido. Terá trinta e oito anos mas tentará a oitava vitória na prova. Contador terá lá o maior perigo, o ex-colega.

O FUTEBOLÊS acompanhou os melhores momentos do Tour'09

sábado, 25 de julho de 2009

Mercado: Caicedo chega ao Sporting por empréstimo

O avançado Filipe Caicedo é o segundo reforço do Sporting para a próxima temporada. O equatoriano chega por empréstimo do Manchester City e não terá qualquer custo para a equipa portuguesa que ficará com opção de compra de 9,9 milhões de euros. Está assim confirmado mais um jogador para o plantel de Paulo Bento. Além disso, A BOLA avança com o nome de César Gonzalez, extremo venuzuelano que actuou no Huracán e, actualmente, se encontra livre para ocupar o lugar de Izmailov. Recorde-se que o russo estará lesionado até Outubro.

No Benfica, após terem sido confirmadas as entradas de Javi García e Weldon, Jorge Jesus ainda procura um guarda-redes. O Record noticia que Quim será uma carta fora do baralho e, por isso, os nomes de Júlio César (Belenenses) e Felipe (Corinthians) ganham força. Ambos se tratam de guarda-redes jovens e com mais de 1.80m, sendo sabido que a altura é algo que o técnico encarnado considera essencial. Perto da saída, estará Luisão. O central brasileiro, um dos esteios da equipa do Benfica, deverá rumar à Fiorentina nos próximos dias.

Quem deverá ter o seu plantel composto, pelo menos no que toca a entradas, é o FC Porto confirmada que está a aquisição do argentino Sebastian Prediger, ao Colón, por 3,3 milhões de euros. O médio-defensivo de 22 anos cumpriu ontem os exames médicos e irá juntar-se aos novos colegas no estágio de Isla Canela, onde o FC Porto prepara a participação na Peace Cup. No entanto, a situação de Bruno Alves parece ainda não estar bem definida: Jesualdo Ferreira já confessou que não está preparado para o perder mas o central português continua ser um alvo apetecível.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Adeptos que não sabem estar

Há uma frase bastante utilizada que diz que, em Portugal, os adeptos gostam dos clubes e não de futebol. Existe a chamada clubite, impeditiva de ver o que quer que seja de forma imparcial. O futebol deve ser vivido com paixão e emoção mas nunca com fanatismo que leve a que sejam ultrapassadas as fronteiras do espectáculo. Afinal, é apenas um jogo. Nem sempre se pensa assim. Os adeptos, sobretudo dos três grandes, vivem quase num clima de guerra onde os outros são vistos como inimigos. E não como pessoas que defendem exactamente a mesma coisa, só que em clubes diferentes.

Confesso, leitor, que me faz uma certa impressão que o futebol seja assim encarado. Dir-me-ão que é a lógica do jogo, eu aceito. No entanto, desejar que algo de mal aconteça a um defensor do clube rival do nosso é ridículo. É triste, principalmente. Por essa razão, os jornalistas desportivos estão mais expostos às críticas: são do clube A, B ou C e só querem destruir os outros. Não importa se são ou não bons profissionais porque são facciosos e abutres como é usual dizer-se. Porém, a maioria dos adeptos, e é desses que aqui falamos, não consegue despir a camisola e ser objectivo. O mesmo de que acusam os outros.

O futebol é o desporto-rei, provoca ódios e tem uma interferência tremenda na vida das pessoas. Hoje faleceu Rui Cartaxana, ex-director do Record. Inacreditavelmente, foi uma boa notícia para muitos adeptos. Revolta. Como é possível? Não entendo. Asseguro que não gostava dos seus textos e, por essa razão, poucos foram os que li. Lá teria a sua opinião, tal como eu tenho a minha e o leitor terá, muito provavelmente, uma diferente. Sendo bom jornalista ou não, nada justifica que se fique feliz com uma notícia destas. Enfim, é triste. Muito.

Tour de France: A vitória do Contador da Astana

A velocidade dos ponteiros é grande, o cronómetro não pára. Contam todos os segundos e um mínimo erro pode deitar tudo a perder. É assim uma prova de contra-relógio. Só um bom contador de segundos poderá ter sucesso. O trocadilho não é difícil de perceber, bem pelo contrário: Alberto Contador, o líder, fez jus ao seu estatuto de campeão espanhol e venceu o segundo contra-relógio individual do Tour de France'09. Um passo de gigante para a vitória final. Apenas uma verdadeira catástrofe lhe tirará a liderança. Sem discussão. Sem surpresa. A vitória de Contador - certo, ainda não está confirmada - é, talvez, a única coisa que não representa nada de anormal nesta edição do Tour.

Mesmo com o regresso de Lance Armstrong, o espanhol é reconhecidamente o melhor nestas provas de longa duração. Além disso, está inserido numa equipa sem paralelo. Independentemente dos problemas que surgiram e que provocaram uma desunião que, ainda hoje, é bem visível. A etapa dos Alpes que antecedeu este crono, trouxe mais sal a toda a polémica que já existia na Astana: em plena subida, Contador atacou, algo que não teve resposta por parte dos irmãos Schleck. Porém, inesperadamente, o corredor espanhol abrandou o ritmo. Olhou para trás e permitiu a recolagem dos ciclistas da Saxo Bank. A ideia seria que Andreas Klöden, seu companheiro, reentrasse. Algo que nunca mais aconteceu.

É difícil de entender o que aconteceu porque
o ataque de Contador poderia ter sido uma machadada final e ter arrumado, de vez, as dúvidas que restavam quanto à camisola amarela. A razão para essa desaceleração é um enorme ponto de interrogação. Não se sabe se terá sido uma decisão própria do ciclista ou de Johan Bruyneel, director-desportivo. Contudo, não foi algo normal e, feitas as contas, o único prejudicado foi Klöden. Tal como foi estranho, no mínimo!, o facto de Contador, acompanhado dos Schelck na recta final, ter contactado o seu director pelo rádio como que a perguntar se disputaria ou não a vitória na etapa. Não o fez. Ganhou Frank Schleck.

Serve isto para exemplificar que, mesmo vencendo o Tour (individual e, de forma provável, colectivamente), a Astana é um caso perfeito de como, na maioria das vezes, não dá bom resultado juntar demasiadas estrelas. Uma equipa de ciclismo conta com nove elementos, sendo um deles um chefe-de-fila. Em quase todas é assim. Na Astana, não. Havia Contador e Armstrong. Ainda Klöden e Leipheimer, outsiders, pois não são ciclistas para fazer o trabalho mais duro. Pelo contrário: seriam líderes e fortes candidatos à vitória final em qualquer outra equipa. Mas estavam os quatro juntos. Apenas o mais forte poderia ganhar. Os outros, quisessem ou não, teriam de o ajudar. Assim foi com Alberto Contador. E se Lance Armstrong tivesse vestido a amarela após a quarta etapa? Pois, os ses.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour'09

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A nova época: Bernardino Barros e Jorge Baptista










quarta-feira, 22 de julho de 2009

O futebolês que dispensa as cargas literárias

O futebolês é um jogo de palavras, de imaginação e criatividade. Os relatos de futebol, sobretudo, pela rádio estão recheados de metáforas e dessas expressões da gíria. Para um adepto fanático, não há dificuldade nenhuma em saber que a zona do agrião é aquela parte da área junto à marca do penalty e que um buldozer é um jogador que joga com tudo, com toda a garra. Mas para quem anda um pouco desligado destas coisas, percebe-se o porquê de, por vezes, não conseguirem perceber o que o relator ou narrador quis dizer quando afirmou que a equipa estava a usar o chuveirinho para a área ou que foi um golo de antologia.

Mas não são só os jornalistas e comentadores que cultivam o futebolês. José Maria Pedroto falou, enquanto treinador do FC Porto, num roubo de igreja. Mourinho no autocarro em frente à baliza.
Ouvir dizer que um jogador é um autêntico passador e tem uns pézinhos que parecem dois ferrinhos de engomar é algo comum e que faz parte dessa tal gíria futebolística. Vamos a um exercício de descodificação: uma equipa está a dar um bigode a outra que não consegue sair do ferrolho e pode levar uma cabazada. Resultado: um determinada clube está a dominar o jogo e o adversário não consegue sair da zona defensiva e arrisca uma goleada. Simples.

Afinal, o que significa dizer que um jogador sujou os calções? Fácil: esforçou-se, correu, fez de tudo para ser bem sucedido. Pelo contrário, há o que vai chegar ao final sem precisar de lavar o equipamento, sinal de pouco trabalho. Também há aquelas situações em que um jogador estava acampado, tal era a sua posição de fora-de-jogo. Ou que levou uma traulitada. São incontáveis as expressões que fazem parte do jogo, do vocabulário dos adeptos, sabido de cor e salteado. Quando é para falar de uma boa jogatana não há ninguém que não use o futebolês. Mesmo sem querer.

A força vinda de Lance Armstrong

Armstrong é um nome com algum significado. Melhor: com importância mundial. Um deles, o Neil, tem sido relembrado nestes últimos dias porque, anteontem, se completaram exactamente quarenta anos desde que chegou à Lua, algo nunca antes ou depois conseguido. Foi, como é hábito dizer-se, um passo de gigante para a Humanidade. Há ainda, Louis, considerado por muitos como o pai do jazz. Ambos se distinguiram, bem ao seu jeito e em especialidades bem diferentes. Tal como Lance, ciclista norte-americano. Falemos dele, pois.

Lance Armstrong ficará imortalizado como o homem que conseguiu vencer sete Voltas a França, a prova maior do ciclismo internacional. São sete vezes consecutivas, algo que superou os cinco triunfos de Miguel Indurain mas também um feito que dificilmente será alcançado num futuro mais próximo. Além disso, de ser um ciclista vencedor, provou ainda ser mais forte do que um cancro que o afectou. Foi mais uma vitória a juntar às que tem no Tour. Precisamente por essa razão, para provar que há força para abater as doenças, criou uma fundação (a Livestrong) e decidiu regressar ao ciclismo.

Fê-lo na Astana, junto do director-desportivo Johan Bruyneel que o comandou nos anos dourados. Mesmo com trinta e sete anos de idade e três de ausência de competição de ciclismo de estrada, mostrou-se disposto a lutar pela sua oitava vitória em França. Criou-se algum frissom com Alberto Contador pois o ciclista espanhol era, antes do regresso de Armstrong, o líder da equipa sem que ninguém levantasse qualquer questão e ficou melindrado com o regresso do texano. Não deve ser fácil ver o seu estatuto em perigo devido à chegada de outro. Mesmo que esse outro seja um heptavencedor.

Já dentro da terceira semana de Tour de France, Lance Armstrong tem estado bem. E recomenda-se. Não que tenha o fulgor de outrora, nem seria possível, mas é segundo da geral e continua dentro dos candidatos à vitória final. Esteve perto, pertinho, de ser camisola amarela após o contra-relógio por equipas mas não o foi por vinte e dois segundos. Actualmente, tem um minuto e trinta e sete de desvantagem para Contador. Desde domingo, quando o espanhol ganhou na chegada a Verbier, em plenos alpes suíços. Aí, pela primeira vez no Tour'09, Armstrong deu sinais de fraqueza.

Ontem, terça-feira, seguiu-se mais uma etapa de alta montanha. Há um momento que, mesmo não tendo significado algum no que toca às decisões finais, merece ser ressalvado: já perto do final, Andy Schleck, ciclista da Saxo Bank e um dos candidatos à vitória final, atacou. Contador respondeu de pronto. Andreas Klöden, seu companheiro na Astana, seguiu-o. Ficou Armstrong num grupo mais recuado. O ritmo na frente foi aumentando, a vantagem para o norte-americano era cada vez maior. Pensava-se que estaria a passar por dificuldades. Naturalmente. Perdeira imenso tempo e ficaria com as aspirações comprometidas.

Foi então que, de repente, as objectivas deixaram o grupo da frente. Era Lance Armstrong quem atacara. Arrancou forte, com um ritmo que nenhum dos corredores que estavam consigo conseguiu acompanhar. Apenas Kim Kirchen chegou perto mas também ele perdeu o contacto. Erguendo-se na bicicleta, Armstrong pedalava quase como nos velhos tempos. Rapidamente o minuto que tinha de atraso para o grupo de Contador desaparecera. Esse momento deixou os adeptos de ciclismo deliciados. Não foi nenhuma fuga para a vitória mas tratou-se de uma recuperação incrível. Merece um aplauso. Não, não há exagero!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Benfica acerta Javi García... e Weldon

O Benfica confirmou hoje, através de um comunicado oficial enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, a aquisição do médio espanhol Javi García. Pelo negócio, os encarnados pagam sete milhões de euros ao Real Madrid e oferecem ao jogador espanhol de vinte e dois anos um contrato válido por cinco temporadas fixando uma elevada cláusula de trinta milhões de euros. Com a aquisição de Javi García, fica preenchida uma lacuna importante no plantel: a posição seis, do médio defensivo.

No entanto, para além disso, de acordo com o que anuncia a Rádio Renascença, o avançado brasileiro Weldon será o sexto reforço do Benfica. O ex-jogador do Belenenses, actualmente com vinte e oito anos e a jogar no Sport Recife, custará cerca de cento e quarenta mil euros e reencontrará Jorge Jesus. Foi o próprio presidente do clube brasileiro, Sílvio Guimarães, a dar o negócio como certo. Desta forma, o plantel do Benfica para a nova temporada deverá estar encerrado.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os clubes e os jornalistas

Liberdade de expressão é um direito há muito consagrado para uma boa vivência em sociedade. Cada um, à sua maneira, pode ter a sua opinião sobre um determinado assunto. Em Portugal, é assim desde a queda da ditadura e o desaparecimento do célebre lápis azul. A comunicação social, seja televisões, rádios ou jornais, tem total direito de escrever sem receios. Seguindo um cógio próprio, cumprindo certas normas, mas fazendo-o de forma livre. No entanto, nem sempre é assim. Infelizmente.

O impedimento que uma equipa de reportagem da TVI foi alvo, hoje, no Estádio da Luz é simplesmente ridículo e um exemplo bem vivo de como a censura ainda exite. Não que seja algo sem precedentes, bem longe disso, até porque o Record, o Correio da Manhã e o 24 Horas também foram barrados. Ou convidados a sair, como é normal dizer-se. Um jornalista faz o seu trabalho, gostem os dirigentes ou não. Não se trata de um fait-diver ou um simples passatempo. Mas, atenção, acontece noutros clubes. Claro que não é exclusivo do Benfica.

Uma manchete que critique o treinador, uma análise séria que mostre um fracasso de um jogador que foi anunciado como craque ou uma notícia que o presidente não goste de ler são bons motivos para que se vejam esse tipo de situações. Apenas aqueles que não fazem uma única crítica são bem vistos e têm total acesso. Os adeptos aplaudem: afinal, os abutres, palavra que tão utilizada é, têm de ser eliminados. O profissionalismo do jornalista de nada conta porque ele é adepto do clube rival. É triste que assim se pense, de facto. E, feitas as contas, os clubes é que ficam minimizados.

Longe, bem longe, vai o tempo em que qualquer jogador falava com um jornalista ou estava próximo de qualquer câmara. Até no intervalo dos jogos isso acontecia. Agora não: a maioria dos jogadores não quer nada com jornalistas e aqueles que querem são impedidos pelos clubes com um blackout. Acontece mesmo nos clubes de menor dimensão, algo que pode parecer um paradoxo pois existem inúmeras queixas de falta de atenção. Não se percebe, por isso, o porquê de contar com directores de comunicação. Alguns deles ex-jornalistas que deviam ser os primeiros a saber comunicar com o exterior. Mesmo não parecendo, é essa a sua função.

domingo, 19 de julho de 2009

Tour de France: Alberto a contar até a Paris

Deram alvíssaras os adeptos de ciclismo, já sem mais paciência para tanto calculismo e medo de arriscar. Foi preciso esperar até à décima quinta etapa do Tour de France, à chegada a Verbier, para isso acontecer: Alberto Contador deixou-se de pragmatismos e atacou a valer. Viu a posição dos adversários e arrancou, imparável, rumo à meta. Já tinha deixado uma boa amostra nos Pirinéus, aliás, numa resposta a um primeiro abanão de Cadel Evans. Agora, ganhou isolado, chegou à camisola amarela e firmou, de uma vez por todas, que é ele o líder da Astana. Quem conseguirá fazer-lhe frente?

Tal como um jogo de xadrez em que os jogadores precisam de pensar bem naquilo que querem fazer, sem dar nenhum passo em falso e com todo o calculismo do planeta, este Tour tem sido pragmático demais. A metáfora do xadrez é perfeita. Facilmente se comprova que a colocação das etapas de alta montanha na última semana obrigam a que existam cautelas. Os próprios ciclistas admitiram que não é bom para o espectáculo mas é necessário se pretendem bons resultados. Uma boa corrida é feita de uma boa táctica. Hoje em dia, é cada vez mais difícil vermos espectaculares arranques como outrora. Há muito mais jogo estratégico.

Esta tem sido uma prova completamente anormal. Há bons exemplos disso: a vitória de Nicki Sorensen, na décima segunda etapa, depois de o pelotão ter recusado juntar-se ao grupo da frente para uma chegada ao sprint e, logo no dia seguinte, Heinrich Haussler, um sprinter, que venceu numa etapa que incluía subidas complicadas. Ah, é verdade: aquela etapa, de autêntico cicloturismo, em que deu para fazer de tudo um pouco e serviu de boicote devido à proibição da utilização dos rádios. Foi quase como nos Campos Elísios, no derradeiro dia.

Os Pirinéus, em tempos tão decisivos, acabaram por ser uma desilusão. Querem mais um exemplo de como esta corrida não é como habitualmente? Pois bem: a subida para o Tourmalet, um local mítico do Tour de France que por norma causa grandes dificuldades, foi ultrapassada por um pelotão composto por sessenta a setenta ciclistas. Pelotão, esse, que tem sido sempre controlado pela Astana. Com o ritmo que lhe convém, sem que ninguém (ou quase ninguém porque, nestes últimos dias, a Saxo Bank já se mostrou) se intrometa. A equipa cazaque tem sido a comandante.

Voltando a Contador, o homem do momento. Está à frente e tem um minuto e trinta e sete segundos de vantagem para Lance Armstrong, seu colega de equipa. Neste momento, resta aos outros candidatos atacar essa liderança, sabendo que não será nada fácil: Carlos Sastre e os irmãos Scheck são os rivais, embora também se possa colocar Cadel Evans nesse pequeno grupo. E, claro, Armstrong que, apesar dos seus trinta e sete anos e três de ausência, não pode ser descartado. Ele, afinal, venceu o Tour por sete vezes e tem dado boa conta de si no regresso.

A última semana do Tour de France'09, será a mais dura das três: logo após o dia de descanso de hoje, há duas etapas consecutivas de alta montanha; ainda o contra-relógio individual e, no penúltimo dia, a subida ao Mont Ventoux. Existem diversas oportunidades para destronar Alberto Contador, é certo, mas o espanhol já deu uma prova cabal da sua classe. A Astana de Sérgio Paulinho (além dos dois primeiros, tem Andreas Klöden na quarta posição) terá de resistir a todos os ataques que irá sofrer. Será difícil retirar a amarela a Alberto mas o contador só encerra em Paris.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour'09

sábado, 18 de julho de 2009

Olhar para a nova época

Como que ao som de Final Countdown, dos Europe, o campeonato aproxima-se do seu início. A contagem decrescente já começou e é tempo de serem feitas as primeiras projecções. As equipas reforçaram-se mas também perderam jogadores, é verdade. Alguns deles importantes. O título, esse, tem os três candidatos crónicos: FC Porto, Benfica e Sporting. Mesmo com um plantel com algumas mudanças na espinha dorsal, os portistas partem na pole-position para chegarem ao seu segundo pentacampeonato. Benfica e Sporting estão à espreita.

Até ao momento, no FC Porto, saíram Lucho, Lisandro e Pedro Emanuel. A dupla argentina era fulcral na equipa, sempre titular e já idolatrada pelos adeptos, enquanto Pedro Emanuel, como capitão, representava bem a garra e a tal mística que os portistas tanto gostam de enaltecer. São baixas importantes, aos quais se poderá juntar ainda Bruno Alves. Para as colmatar, os responsáveis do FC Porto voltaram-se para o mercado sul-americano: chegaram Falcão, Belluschi e Valeri. Além desses, também Álvaro Pereira foi contratado para o lado esquerdo da defesa, de onde Cissokho já saiu para o Lyon - por 15 milhões, pois então. Do mercado nacional, Beto, Maicon, Miguel Lopes, Nuno André Coelho, Orlando Sá e Varela foram os primeiros a chegar.

O Benfica, para 2009-10, apostou claramente no plano desportivo. Vencer títulos é aquilo que os dirigentes e adeptos benfiquistas pretendem: o campeonato é o objectivo prioritário, sem rodeios, porque a Taça da Liga conquistada na temporada passada soube a muito pouco. Entrou Jorge Jesus, treinador português com grande experiência no nosso campeonato. Ora, isso é realmente um trunfo importante. Chegaram Saviola (nome mais sonante), Shaffer, Patric e Ramires. São jogadores com categoria, sobretudo o avançado argentino ex-Real Madrid, que vêm dar mais potencial à equipa. Porém, as saídas de Katsouranis e Reyes (ainda não confirmada mas provável) representam duas baixas importantes.

No Sporting, com a nova presidência de José Eduardo Bettencourt, foi feita uma aposta de clara continuidade. A criação de uma equipa de jovens vindos da formação, sem jogadores de renome no mercado internacional e com orçamento mais baixo do que os rivais continua a ser uma realidade. Contudo, os leões mantiveram o esqueleto da temporada passada: saídas, à excepção das dispensas de Paulo Bento (Ronny, Romagnoli e Tiuí), não houve. Entrou Matías Fernandéz, médio criativo que jogava nos espanhóis do Villareal. Além disso, tem sido noticiado o interesse em Filipe Caicedo, do Manchester City, embora os valores que aufere possam ser impeditivos. Seja como for, à primeira vista, o Sporting parece ter um plantel curto para voltar a repetir o título de 2001.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tour de France: O espectáculo segue dentro de momentos

Completam-se amanhã duas semanas desde que o 96º Tour de France arrancou no Mónaco. No entanto, bem ao contrário do que era expectável, pouco há para contar. As grandes emoções, os verdadeiros espectáculos dos candidatos à vitória final, estão reservados para a terceira semana: para os Alpes, precisamente. Apesar de não ser bom para os adeptos de ciclismo, compreende-se que esta corrida esteja tão calculista e defensiva porque a etapa rainha, a subida ao Mont Ventoux, apenas acontece no penúltimo dia. Mas, afinal, este não é um Tour normal. Até já houve tempo uma espécie de cicloturismo, em protesto devido à proibição da utilização dos rádios.

A décima terceira etapa, a última até este momento, toda ela cumprida debaixo de chuva, foi atípica. Mais uma vez. Uma tirada bem dura, com contagens de montanha de segunda e primeira categoria, ganha pelo alemão Heinrich Haussler (Cervélo), um sprinter. Está tudo explicado quando assim é. Rinaldo Nocentini continua como camisola amarela. E, verdade seja dita, sem que tenha sido obrigado a grandes esforços para que isso aconteça. Ninguém colocou a sua liderança em sério perigo. Ninguém ousou fazê-lo, sequer. Os ataques estão todos prometidos para o final: Cadel Evans e os irmãos Schleck já o assumiram. Alberto Contador também.

Nos sprints, Mark Cavendish parece imbatível. Em cinco chegadas com pelotão compacto, o britânico apenas perdeu numa delas: em Barcelona, para Thor Hushovd, seu grande rival na luta pela camisola dos pontos. A Columbia, equipa de Cavendish, tem mostrado uma força incrível quando se trata de fazer a recolagem aos corredores que estão na frente. Vamos a mais um exemplo da estranheza deste Tour de France: na décima segunda etapa, a Columbia não perseguiu e mais nenhuma equipa de sprinters o fez. Deixaram que a fuga vingasse, sem acelerar o ritmo, perdendo assim uma excelente oportunidade de vencer uma etapa. Aproveitou Nicki Sorensen, da Saxo Bank, para conseguir uma vitória espectacular.

A Astana perdeu Levi Leipheimer. É uma baixa importante. O norte-americano é um ciclista de topo, era quarto da geral e um lógico candidato aos primeiros lugares em Paris. No entanto, à semelhança de Andreas Klöden, era mais um líder do que propriamente um ciclista para trabalhar em prol da equipa tal como tem acontecido com o português Sérgio Paulinho. Já que se fala em portugueses: Rui Costa, jovem da Caisse d'Epargne, foi vítima de uma queda colectiva - envolveu três colegas seus - e foi obrigado a abandonar. A segunda baixa da equipa espanhola depois de ter visto o seu líder, Oscar Pereiro, sair devido a problemas físicos.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour'09

Totós e outros que tal

José Eduardo Bettencourt, antes de ser eleito presidente do Sporting, afirmou que gostava de manter boas relações com os rivais, FC Porto e Benfica, à semelhança daquilo que Soares Franco fazia com Pinto da Costa. No entanto, ontem, junto dos sócios leoninos de Rio Maior, o presidente lançou farpas: "Ser do Sporting é ser diferente. Nós não somos totós, somos os maiores. Não fomos apanhados em escutas e temos de nos orgulhar. Totós são os que fazem igual aos outros e são apanhados". Os sportinguistas gostaram do sinal de força deixado.

O que se pretende dizer com isto é que, em Portugal, os clubes têm de manter relações hostis. Ou melhor, nem ter relações. Os adeptos do FC Porto não querem nada com os do Sporting e, muito menos, do Benfica. O mesmo acontece com os rivais, sem excepção. São vistos como inimigos, quase. Se existir algum tipo de ligação entre clubes, fala-se que existe uma aliança e que iso não favorece. Bettencourt tinha manifestado a intenção de manter a cordialidade com os outros líderes. Porém percebeu que, para ter o apoio dos adeptos do seu clube, precisa de os tratar como alvos a abater. É a lei do jogo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vítor Balizas


A primeira aparição foi como que uma obra do acaso. A onze de Setembro de 1988, este de boa memória, o FC Porto jogava em Guimarães. E, azar dos azares, não tinha os habituais guarda-redes disponíveis: o malogrado Zé Beto estava castigado pelo clube e Mlynarczyk, o gigante polaco que havia estado nas conquistas europeias, lesionara-se. Quinito, o treinador, chamou um júnior que já fizera alguns treinos com a equipa principal. Tinha apenas dezanove anos mas esteve na baliza com uma postura sóbria. Como se fizesse aquilo há imenso tempo. Era apenas a sua estreia. Chamava-se Vítor Baía.

O espanto foi geral. Como é que aquele rapaz tão novo mostrou aquela segurança?, perguntaram-se os adeptos portistas. Até Quinito ficara surpreendido: um jovem precocemente velho, disse depois o treinador. Logo ali, após aquele jogo frente ao Vitória que terminou empatado com um golo, projectaram grande futuro ao jovem Baía. No entanto, não se assumiu nesse momento. Mlynarczyk recuperou e regressou à titularidade da baliza portista. Porém, a lesão voltou a importuná-lo e não mais o deixou continuar. Entretanto, chegou Artur Jorge, o tipo do bigode farfalhudo e ideias fortes. Não havia volta a dar: aquele jovem estava destinado a ser o número um dos portistas.

Cimentada a titularidade no FC Porto, veio a Selecção. Na Maia, no início da década de noventa. Num ápice, sem discussão, Vítor Baía assumira-se como o melhor guarda-redes português. Já ninguém se lembrava do jovem daquela bela tarde de Setembro. Estava crescido, cheio de confiança. Em 1992 entrou para a História: conseguiu superar o record de imbatibilidade, pertença do mítico Manuel Bento, depois de estar 1192 minutos sem sofrer golos. Mil-cento-e-noventa-e-dois. É aqui que o Vitória de Guimarães volta a entrar em cena porque foi Paulo Bento, esse mesmo que agora treina o Sporting, ao serviço dos vitorianos a quebrar a série de minutos. De penalty. Ironias do destino.

Barcelona chegou em 1996, era impossível ao FC Porto mantê-lo. Logo após o Europeu de Inglaterra, o tal da chapelada de Poborsky, Vítor Baía rumou à Catalunha. Foi recebido em extâse, numa total euforia, como se fosse Axl Rose ou Bon Jovi. Tudo correu às mil maravilhas na primeira época. Depois, bem, depois veio um verdadeiro inferno com a chegada de Van Gaal para substituir sir Bobby Robson. Os conflitos sucederam-se e, para piorar o que já por si era mau, as lesões vieram dar uma ajudinha. Baía perdeu a titularidade, o apoio dos adeptos, enfim, tudo aquilo que tinha conquistado. Regressou ao FC Porto em 1999. Com a camisola noventa e nove.

Seguiram-se anos bem complicados, um calvário. Os joelhos traíram vezes sem contas. Era legítimo que se pensasse que, o ponto final de uma carreira brilhante, estava cada vez mais iminente. Seria o fim do guarda-redes da Geração de Ouro. Não foi, felizmente. Vítor Baía transformou-se, as fraquezas passaram a forças. Voltou. Melhor do que nunca. Reassumiu a baliza do FC Porto em 2002. Esteve nos anos de glória com José Mourinho. Chegou ao céu em 2004, ao ser consagrado como o melhor da Europa. Agora sim, estava no máximo. No entanto, numa tremenda injustiça, continuava de fora da Selecção. Por simples opção de Scolari. É algo que nunca ninguém irá compreender.

Independentemente disso, no FC Porto, tudo continuava como sempre. A comparação com o vinho do Porto era inevitável. Co Adriaanse chegou em 2006 e não foi nessas conversas. Começou por dar a baliza a Vítor Baía mas, após um tremendo erro na Amadora, não foi de modas e entregou-a a Helton. Foi um erro que custou caro. A partir desse momento, o guarda-redes brasileiro não mais largou o lugar. Porra, sempre os holandeses. Foi o fim mas Baía soube admitir que deixara de ser titular. Deixou as luvas, tornou-se uma referência do balneário. Em Maio de 2007, com uma ovação estrondosa, despediu-se dos relvados. Um dos melhores de sempre. O guarda-redes que até a dar frangos é elegante, disse Valdano.

VISTO DA BANCADA é um espaço semanal de opinião

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pré-época

Confesso que não gosto da pré-época. Chegam os reforços, as equipas vão ganhando forma e fazem-se as primeiras projecções. Há quem goste mas, repito, Eu não gosto. Os clubes portugueses, os grandes, fazem os seus estágios e jogam, quase sempre, contra equipas mais fracas. É impossível que, com meia dúzia de treinos efectuados e dois jogos contra equipas de divisões inferiores, seja possível ver o que determinada plantel poderá fazer. Podem argumentar que sempre dá para ficar com uma ideia do que o treinador pretende. Certo, não discuto. Porém, no campeonato tudo é bem mais diferente.

A pré-época é, também, uma fase de alegria desmedida. Aquilo a que se chama de embandeirar em arco, tão repetida é esta expressão no futebol. Os adeptos entusiasmam-se com os primeiros golos do novo reforço sonante ou com as defesas impossíveis que o guarda-redes contratado in extremis é capaz de fazer. Nos treinos ou nesses jogos particulares. À partida, a nossa equipa só tem craques. Este ano não damos hipóteses e vai ser tudo nosso, diz-se nesta fase da época. No entanto, a época acaba por se revelar um autêntico fracasso e os jogadores que nos encantavam, no final de contas, passaram mais tempo no banco do que outra coisa. Conclusão: são avaliações precipitadas.

Para que o leitor fique mais esclarecido sobre esta minha visão, dou-lhe um exemplo. O Benfica acaba hoje um estágio na Suíça onde realizou dois jogos: um empate frente ao Sion, a dois golos, e uma vitória por 2-0 sobre o Shakhtar Donestk, vencedor da última Taça UEFA. No dia seguinte a esta última partida, A BOLA escreveu, em manchete: "Já jogam o dobro!", aludindo ao facto de Jorge Jesus ter garantido que, com ele, os encarnados dobrariam aquilo que fizeram com Quique Flores. Parece-me um bom caso onde estão essas tais avaliações precipitadas. O problema aqui não é o clube nem o jornal, atenção. É esta euforia sem sentido que invade os adeptos e jornalistas nesta fase tão precoce.

No lugar desta manchete de ontem, poderia estar qualquer apreciação que um órgão de informação faça de um novo jogador que um clube nacional recebe. Apenas com o decorrer da época, com os altos e baixos do campeonato e as provas que terá pela frente, dará para fazer uma boa avaliação. Todos os adjectivos aplicados, assim que pisam solo português, de nada servem. Quantos chegaram como craques e se revelaram verdadeiros flops? O número é incontável, decerto. Em processo inverso, há aqueles por quem ninguém dava nada e se tornam pedras-chave. Esses sim, têm real valor e merecem o destaque.

Falcão chega ao Dragão

Agora é mesmo oficial: Radamel Falcão, avançado de 23 anos e internacional colombiano que representava os argentinos do River Plate, é jogador do FC Porto para as próximas quatro temporadas. Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, os portistas adiantam que, por 60% do passe do jogador, desembolsaram 3,9 milhões de euros. Falcão chega ao Dragão, depois de ter estado muito perto do Benfica, para tentar fazer esquecer Lisandro. Não será tarefa fácil. E as opiniões dos adeptos sobre o negócio... divergem.

Perante as saídas da dupla argentina que espalhou classe nos relvados portugueses, Lucho e Lisandro, o FC Porto sentiu a necessidade de investir no mercado internacional. A rota foi, mais uma vez, a América do Sul. Da Argentina chegou Fernando Belluschi, médio que representava os gregos do Olympiacos; da Colômbia, vem, agora, Falcão. Em declarações ao jornal Clarín, o novo reforço dos portistas mostrou-se grato ao River Plate por tudo aquilo que lhe proporcionou mas confessou que, no FC Porto, vai "cumprir o sonho de jogar a Liga dos Campeões". Assim, sobem para nove os reforços do plantel para a nova temporada que, seja como for, ainda não deverá estar fechado.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Jesualdo Ferreira, o construtor

É incontornável que, ao projectar o novo ano do FC Porto, não se comece por falar das saídas de Lucho e Lisandro. São jogadores demasiado importantes para serem esquecidos num estalar de dedos. A época passada, por esta altura, saíram Paulo Assunção, Quaresma e Bosingwa. Jesualdo Ferreira teve uma verdadeira bomba-relógio nas mãos: a construção de uma nova equipa. Chegaram Fernando, Rolando, Hulk, Rodríguez e, mais tarde, Cissokho. O FC Porto, apesar de um começo aos solavancos, sagrou-se campeão sem qualquer margem para dúvidas. Foi, reconhecidamente, um título que teve muito do professor. Também a nível da construção de jogadores.

Agora volta tudo à estaca zero. Ou quase. Jesualdo volta a ter a missão de reconstruir a equipa, colmatando principalmente as ausências da dupla argentina que tão bem se deu em Portugal. Foram duas pedras-chave nas conquistas recentes do clube, sempre utilizados. Não será fácil apagá-los da memória dos adeptos portistas. Contudo, para isso, o clube já contratou o médio, também do país das pampas, Fernando Belluschi para fazer o lugar de Lucho. No ataque, como já foi confirmado por Pinto da Costa, Radamel Falcão é uma boa hipótese embora não seja certo o negócio. Porém, o plantel está ainda longe de estar fechado. Jesualdo está ainda sem saber com quem vai contar. Mas ele gosta destes desafios.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O mau discurso do Benfica

Não costuma ser bom quando dirigentes ou treinadores, ainda antes da época arrancar, prometem o céu e a Terra aos adeptos. Geralmente, são declarações que se cobram quando os resultados não aparecem e as promessas não passam disso mesmo. Certo, José Mourinho prometeu o título quando foi apresentado no FC Porto e cumpriu mas é um caso à parte, sem qualquer paralelo. Ora, um dos males do Benfica tem sido precisamente esse: o discurso, tão utilizado, de que esta época é que vai ser. Luís Filipe Vieira, sempre que as coisas correm bem, puxa dos galões. É aquilo a que se chama embandeirar em arco.

Vamos a um exemplo, ocorrido na temporada passada: com estes adeptos e esta equipa ninguém nos pára, afirmou o presidente como que a enaltecer o apoio manifestado. Nessa altura, o Benfica tinha a liderança do campeonato, deixara o FC Porto para trás e, pela primeira vez desde o título em 2005, parecia lançado para a glória. Porém, nada disso aconteceu como o leitor bem sabe. O treinador era Quique Flores, realista e racional, que nunca levantou os pés do chão. Nunca entrou na euforia que, a certa altura, se gerou. Aliás, foi o primeiro a acalmá-la. E, por isso, acusado de falta de ambição.

Esta época, com Jorge Jesus, o Benfica volta a começar mal. O discurso de apresentação do novo treinador mostrou ambição e a verdade é que os adeptos benfiquistas gostaram. Depois disso, numa entrevista, Luís Filipe Vieira adiantou sem rodeios que Jesus é o melhor treinador português. É um bom treinador, sem dúvida, mas obviamente que não é o melhor. Se, na temporada passada, Quique não entrava nesse jogo de palavras para convencer os adeptos, Jorge Jesus fá-lo. Ainda ontem, após o empate com os suíços do Sion no primeiro jogo de preparação: vai ser muito difícil travar esta equipa.

É certo e sabido que Jorge Jesus é assim, diz o que pensa. No entanto, agora que chegou a um grande clube e tem imensa pressão, não o pode fazer da mesma forma que fazia antes porque qualquer passo em falso ser-lhe-à cobrado. Os próprios benfiquistas ficam divididos: uns acreditam que é mesmo este ano que o clube chega ao título e motivam-se com estas declarações; outros ouvem, ano após ano, o mesmo discurso que não tem qualquer resultado. Jesus até pode ter razão, pode ser que venha a ser difícil parar o Benfica mas não o deve dizer. Isso apenas se verá no decorrer do campeonato. Para, no final, se fazerem as contas. Não agora.

domingo, 12 de julho de 2009

Tour de France: O (pouco) que se jogou até agora

Nove etapas depois, muitos quilómetros já percorridos, o Tour de France tem a primeira pausa. Sem que algo de muito extraordinário se tenha passado até ao momento. Rinaldo Nocentini, ciclista da AG2R e desconhecido para a maioria do público, tem a camisola amarela. De forma inesperada, totalmente. Essa liderança resulta do cautelismo, expectativa e defesa que se tem visto. De forma exagerada, todos eles. Há Armstrong, Contador, Evans, Sastre, Menchov e os Schleck mas nenhum deles se parece querer assumir de vez. Pena para o espectáculo. Assim, a emoção e a incerteza perdurará até final. Literalmente, pois só no penúltimo dia a prova chega ao mítico Mont Ventoux.

Na primeira semana de Tour apenas existiram dois líderes: Fabian Cancellara, vencedor do contra-relógio individual do primeiro dia, e o tal Rinaldo Nocentini. Foi na chegada a Andorra, na sexta etapa, que houve essa mudança. E onde houve espectáculo, o ingrediente que os amantes do ciclismo sempre esperam. Porém, apenas dentro dos dois últimos quilómetros alguém teve coragem para abanar o ritmo da Astana que, como tem acontecido (quase) sempre, controlava a corrida a seu bel-prazer: foi Cadel Evans, segundo classificado do ano anterior, e honra lhe seja feita por isso. Ora, até isto pode parecer um paradoxo pois Evans é, tradicionalmente, um corredor expectante - embora já tenha sido bastante mais interventivo no Dauphiné Libéré.

Essa explosão de Evans não teve resultados para o australiano da Silence Lotto mas foi a pedra de toque para mudar as coisas: Alberto Contador tentou a sua sorte, escapando a todos na procura da camisola amarela. Não conseguiu mas pelo menos tentou. Ficou a seis segundos de Nocentini., ultrapassando Armstrong. Esta foi a etapa que mais espectacularidade trouxe e, por isso, tinha de ser colocada em destaque. Mas houve mais motivos de interesse. As etapas três e quatro, sobretudo: na primeira, inesperadamente, houve um corte no pelotão em que os líderes e candidatos ficaram para trás, à excepção de Armstrong que conseguiu saltar para terceiro da geral; depois, o contra-relógio por equipas que serviu para provar que a Astana, independentemente dos problemas internos, não tem paralelo.

A Astana e os seus problemas internos, falemos deles. A formação cazaque é, sem dúvida, a melhor equipa do Tour. No entanto, a verdadeira novela em torno de quem é o verdadeiro líder, se Contador se Armstrong, tem feito correr imensa tinta. Actualmente, cumprida a primeira semana, são segundo e terceiro da geral: o espanhol a seis segundos da amarela, o norte-americano a oito. Já foi o contrário e precisamente isso levantou polémica. A situação, já referida, da terceira etapa em que Contador ficou para trás provocou uma ira tremenda nos espanhóis que acusaram o director-desportivo, Johan Bruyneel, de beneficiar Armstrong. Bruyneel, categórico, respondeu: "O líder da Astana sou eu".

Antes de voltar à estrada e deixar os bastidores, só falar dos controlos anti-doping a que Lance Armstrong tem sido sujeito: o número já passou os limites do razoável e o próprio ciclista confessou que já lhes perdeu a conta. Olhando agora para o que falta do Tour - a procissão ainda vai no adro, é verdade - é nítido que a colocação do Mont Ventoux no penúltimo dia tem retirado as hipóteses de os corredores atacarem. Preferem a expectativa, a defensiva porque essa etapa será decisiva e paira como um autêntico papão. Referência para os franceses: já venceram três etapas (Thomas Voekler e Pierrick Fedrigo da Bouygues Telecom; Brice Feillu da Agritubel) e, mesmo sendo italiano, Nocentini corre por uma equipa gaulesa. Para um país que procura há tanto tempo um ciclista forte para vencer o Tour, pas mal.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour'09

sábado, 11 de julho de 2009

Liga Sagres com calendário definido

Está definido o calendário da próxima Liga Sagres. Numa cerimónia decorrida em Portimão, no intervalo de um "All Stars", o sorteio ditou que o Benfica é o único dos três grandes a começar em casa: defrontará o Marítimo, ao passo que o Sporting se desloca à Choupana e o FC Porto a Paços de Ferreira, equipa com a qual jogará a 8 de Agosto para a Supertaça Cândido de Oliveira. Curioso o facto de, pelo terceiro ano consecutivo, haver um duelo de Vitórias na ronda inicial.

Era sabido que, devido às condicionantes a que este sorteio foi sujeito, as quatro primeiras jornadas não poderiam ter nem clássicos nem derbis regionais. Por isso, o FC Porto-Sporting, à sexta jornada, será o primeiro jogo grande. Segue-se o Benfica-Sporting, na décima primeira, e o Benfica-FC Porto, na penúltima. Esta medidas implementadas pela Liga visam dar maior emoção ao campeonato. A meio do próximo mês, a bola começa a rolar.

Carregue para aumentar e ver o alinhamento completo da Liga Sagres:



(Também no FUTEBOLARTTE)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tour de France: Liderança (i)Nocentini

A sétima etapa do Tour de France trouxe a primeira prova de alta montanha, nos Pirinéus. Era, à partida, uma oportunidade para os candidatos à vitória geral se mostrarem e assumirem. No entanto, a chegada ao Mont Ventoux, na penúltima etapa, obriga a um certo calculismo. Aliás, isso foi bem visível. A tirada acabou em grande para a França, há vinte e cinco anos à procura de um homem para chegar à vitória final para suceder a Bernard Hinault: Brice Feillu, da Agritubel, venceu e a AG2R chegou à camisola amarela. Através de Rinaldo Nocentini, um italiano.

A corrida foi como num jogo de xadrez, cheia de calculismo e táctica. Inesperadamente, no meio de tantas estrelas, os vencedores saíram da fuga do dia, que chegou a ter quase doze minutos de vantagem para o pelotão: Feillu e Nocentini. Dois nomes quase desconhecidos. Porém, o interesse maior estava mais atrás. No pelotão onde a Astana foi controlando a etapa colocando o seu ritmo, tudo muito consentido por todos os outros. Houve até um momento em que os fugitivos pareciam condenados: quando o português Sérgio Paulinho aumentou a pedalada e funcionou como um verdadeiro reboque. Nada disso.

O pelotão fragmentou-se, os corredores foram perdendo o contacto aos poucos. Fabian Cancellara, até aí camisola amarela, aguentou como pôde: apenas quebrou a cerca de seis quilómetros do final. Depois, os candidatos mostraram-se, finalmente!, já dentro dos últimos dois quilómetros. Cadel Evans, segundo classificado do ano anterior, resolveu agitar o domínio da Astana e tentar recuperar tempo na geral. Não teve sucesso, contudo. Veio Contador, depois. Cerrou os dentes e saiu disparado em relação à meta. Ganhou tempo precioso e assumiu-se, de vez, como líder da equipa.

Lance Armstrong havia prometido que, caso avançasse o espanhol, ficaria com os rivais. Foi o que aconteceu e, acompanhado de Leipheimer, fez de polícia aos manos Schleck, Bradley Wiggins, Denis Menchov ou Carlos Sastre. O grupo compunha ainda Vande Velde ou Karpets mas esses não terão, em teoria, aspirações a vencer o Tour. Contas feitas, Rinaldo Nocentini assumiu a camisola amarela; Contador está a escassos seis segundos e Armstrong a oito. Agora, se verá quem tem realmente condições para chegar a Paris.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour'09

"Não faço milagres!"

Não faço milagres, não sou o Merlin nem o Harry Potter. A pergunta era sobre novos reforços. E sobre as expectativas para a nova época. Irónica, a resposta de José Mourinho foi essa. No seu estilo habitual, neste primeiro dia da temporada em Milão, Mourinho afirmou que este não é o plantel que mais desejava mas é o possível. No entanto, deixou bem claro que a afirmação não se tratava de uma crítica aos dirigentes milaneses: "Não sou crítico, desiludido ou arrependido. É a realidade e temos de nos adaptar a ela". Voltemos a uma frase célebre de Mourinho, ainda no Chelsea: sem ovos não se fazem omoletes. É precisamente isso que pretende passar.

O Inter não foi, nem por sombras, dos clubes mais interventivos no mercado. O destaque foi inteirinho para o Real Madrid, mas o treinador português garante que isso não lhe tira o sono: "Podemos nem defrontar o Real Madrid e, por isso, não me preocupa". E os clubes italianos? "Nenhum me preocupa e todos me preocupam. Quem pensa que não precisa melhorar é parvo". Ilucidativo. Embora tenha acertado as contratações de Thiago Motta e Diego Milito, a verdade é que o clube campeão italiano não correspondeu a dois desejos principais do treinador: Deco e Ricardo Carvalho, por considerá-los demasiado caros.

Já na temporada passada, José Mourinho não construiu uma equipa à sua imagem. Apenas fez algumas mudanças ao legado de Roberto Mancini. Sagrou-se campeão italiano mas falhou na Liga dos Campeões, algo há muito esperado por dirigentes e adeptos. Nesta sua segunda época, a conquista europeia foi apontada como fundamental. Contudo, Mourinho volta a não ter capitais para investir como bem gosta, tal como acontecia no Chelsea. Assim sendo, mais uma vez, a ideia que fica é a de que este Inter é demasiado curto para vingar na Europa. Mourinho sabe-o. E já fez questão de o dizer. Porque não é milagreiro e para não lhe vir a ser cobrado.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mercado: Falcão muda a rota da Luz para o Dragão


Afinal, Falcão sempre jogará em Portugal. Desengane-se quem pensa que o Benfica reatou as negociações porque, agora, o destino do avançado do River Plate é... o Estádio do Dragão. De acordo com a imprensa nacional, o colombiano de 23 anos que, inclusive, já havia recebido uma proposta dos encarnados será jogador do FC Porto nas próximas horas. Apesar da concorrência de Portsmouth e Aston Villa, os portistas acertarão o negócio que deverá ter em Bolatti a peça desbloqueadora. Pinto da Costa confessou que a contratação "está a ser tratada" mas que existem mais hipóteses, não sendo, para já, um dado adquirido. Em relação a novas saídas, A BOLA avança que o Barcelona prepara uma investida por Bruno Alves.

Depois da desistência por Falcão, o Benfica parece estar cada vez mais longe de continuar a contar com Jose Antonio Reyes. Rui Costa, director-desportivo dos encarnados, confirmou que o negócio é "difícil" mas não escondeu a esperança de ainda conseguiur um acordo com o Atlético de Madrid, ao passo que os espanhóis acusam o Benfica de não se decidir. Entretanto, o nome de Reyes esteve também associado ao FC Porto. Esta manhã, o presidente Pinto da Costa afirmou que o jogador espanhol "não interessa" e que o espanhol lhe "foi oferecido pelo Atlético para uma troca Ibson". Seja qual for o seu destino, é quase certo que Reyes não deverá fazer parte do plantel de Jorge Jesus para 2009-10 que já começou o estágio em Genebra.

Liedson ainda não formalizou a sua renovação com o Sporting. Apesar de a sua continuidade por mais três épocas há muito ser um dado adquirido e confirmado pelo próprio clube, os leões ainda não apresentaram o contrato para o Levezinho assinar. José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting, garante que apenas espera pelo melhor dia para anunciar o acordo. Quanto a novos reforços - apenas Matías Fernandéz foi apresentado até ao momento -, Bettencourt diz que "não está na corrida ao número de contratações". Para fechar o plantel, deverá chegar mais um avançado de forma a preencher a vaga deixada por Derlei.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Resolver na Playstation e o cafezinho na Atalaia



Como é que eu resolvo isto? Só se for na Playstation!
. Ora cá está uma das frases mais marcantes de 2009. O autor foi Jorge Jesus, enquanto treinador do Sp.Braga, após um jogo na Luz. Com o seu estilo à Rod Stewart, de cabelo esguedelhado e voz rouca, falou sem complexos. Todos os treinadores portugueses têm algumas particularidades engraçadas. Quase como se fosse um íman, Manuel Machado é o perfeito contrário de Jorge Jesus. Tem um registo sóbrio, discurso elaborado e até académico, utiliza palavras que deixam alguns de nós a pensar: Que raio é que o homem quis dizer?!.

Este caso de Jorge Jesus/Manuel Machado é, talvez, o mais flagrante de como existem pessoas com personalidades completamente opostas. Depois há o inevitável risco ao meio de Paulo Bento, característica que o identifica a milhas, aquela sua irreverência e teimosia. Após tanto se ter falado do seu penteado, o treinador do Sporting continuou firme e em nada se alterou. Tal como nas suas opções, tantas vezes acusado de ser teimoso. Há uns tempos a sua tranquilidade também deu motivo para colocar um sorriso nos adeptos. Assim como quando disse que não era espião, a propósito de uma questão sobre Vukcevic. Sem esquecer o cafézinho da Atalaia ou a folha A4 que pediu para escrever os erros de arbitragem que prejudicaram o Sporting.

Depois desses há Manuel Cajuda que, mesmo estando agora sem clube, não pode ser esquecido. Ele próprio se assume como um desalinhado, como alguém que não gosta de ser politicamente correcto. As suas análises aos jogos são diferentes de todos os outros: não entra em tácticas, enaltece o espectáculo e a forma como a sua equipa mostrou bom futebol. É um lírico por natureza. A carta que endereçou aos jornalistas, no final da temporada anterior, como forma de se redimir por algumas declarações menos felizes é um bom exemplo. E quem mais se assumiria como adepto do Benfica na véspera de o defrontar?

Porém, nenhum deles chega ao patamar de José Mourinho quando foi apresentado no Estádio das Antas. Já lá vão sete anos: para o ano tenho a certeza de que vamos ser campeões. As vozes críticas levantaram-se, perguntaram-se como era possível prometer algo assim. Foi dito e feito. Nesses anos, os portistas viveram os melhores momentos do seu historial. Mourinho saiu, depois, para o Chelsea com o seu enorme ego nos píncaros. Acabou com o cavalheirismo que reinava em Inglaterra e tratou de encontrar inimigos de estimação. Até a Ricardo Carvalho, seu jogador, recomendou fazer um teste de QI. Jaime Pacheco só tem um neurónio e está avariado, disse ele.

Já que se fala de José Mourinho, não há como não falar da polémica que criou em Itália apenas esta época. A prostituição intelectual da opinião pública foi o ponto alto. Mas também os zero titoli do Milan. E as críticas a Claudio Ranieri, treinador da Juventus, claro: tem quase setenta anos [na realidade, são cinquenta e seis] e está demasiado velho para mudar as suas ideias. Mourinho é um verdadeiro furacão por onde quer que passe. Pois bem, leitor, agora que a crónica está terminada deve ter percebido que foi diferente das anteriores. Não teve um tema concreto, um lance ou um gesto. Foram várias figuras, vários feitios. Começou com Jorge Jesus. Depois foi só desenrolar a imaginação. Uma crónica é assim mesmo.

VISTO DA BANCADA é um espaço semanal de opinião

terça-feira, 7 de julho de 2009

Best of 2008-09

O campeonato português continua de férias. Por isso, para descontrair, fica um compêndio das melhores declarações da temporada que passou. Divirtam-se:



Benfica desiste de Falcão?

Falcão já não fará companhia à águia. É um trocadilho fácil que quer dizer que o avançado colombiano do River Plate, Radamel Falcão, deixou de fazer parte dos planos de Jorge Jesus para a nova temporada. Tinha sido noticiado que o colombiano era uma prioridade para a frente de ataque dos encarnados e que, inclusive, já estaria tudo certo para rumar à Luz. Apenas faltariam detalhes. No entanto, hoje, num comunicado oficial, o Benfica afirma que desistiu da contratação devido "às indefinições mostradas pelo jogador e pelos seus representantes".

Causa alguma estranheza que o clube tenha terminado as negociações desta forma abrupta até porque já tinham sido noticiados valores para a contratação de Falcão (4,7 milhões de euros por 80% do passe) e só faltaria selar o acordo. O próprio jogador havia-se mostrado satisfeito por poder rumar ao Benfica e jogar com Saviola e Aimar. Repito, é estranho. A juntar a isso, as polémicas recentes com os comunicados para a CMVM: primeiro foi desmentido o interesse em Ramires, depois em Jorge Jesus. Ambos acabaram por assinar contrato. Desta vez, será que o Benfica se cansou de Falcão ou continua interessado? É quase como a história do Pedro e o lobo...

Lisandro e Belluschi: Um vai, outro vem!

Está confirmada a segunda saída de vulto no FC Porto: Lisandro López foi trasnferido para o Olympique Lyonnais por vinte e quatro milhões de euros. Após Lucho ter saído para Marselha, a dulpa argentina reencontrar-se-á em França: serão rivais, no entanto. Para os cofres azuis-e-brancos é um bom negócio. Para Jesualdo Ferreira e para os portistas, não. Lisandro era uma referência, tal como El Comandante, uma imagem perfeita de uma máxima que defende que é preferível quebrar do que torcer e, mesmo sem ter feito os golos de 2008-09, foi fundamental no tetra. Um profissionalão.

Poucas horas antes de ter sido dado como certa a saída de Lisandro, o FC Porto confirmou a contratação de Fernando Belluschi, médio do Olympiacos. O argentino já tinha sido apontado aos portistas em Janeiro passado, enquanto jogador do River Plate, mas acabou por rumar à Grécia. Agora, com a perda de Lucho, a sua contratação tornou-se numa necessidade. Por metade do passe de Belluschi, o FC Porto pagou cinco milhões de euros ao Olympiacos. Um excelente reforço para o ataque ao pentacampeonato que hoje se iniciou. Jesualdo agradece.


Ronaldomania



Noventa e quatro milhões de euros, mais de oitenta mil pessoas nas bancadas, número nove na camisola, loucura brutal. Em resumo, Cristiano Ronaldo foi apresentado no Santiago Bernabéu. Até deu para deliciar os adeptos com um Hala Madrid! bem efusivo. Galáctica apresentação.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tour de France: Um rocket e as falhas dos líderes

Elton John cantou pela primeira vez a letra de "Rocket Man" nos já longínquos anos setenta. Agora, mais de três décadas depois existe alguém perfeito a quem dedicar a música: Mark Cavendish, ciclista da Team Columbia. Após a vitória de Fabian Cancellara no contra-relógio, um verdadeiro voo sobre rodas, o inglês não deu qualquer hipótese à concorrência nas duas primeiras etapas em linha do Tour de France 2009: como um foguete, Cavendish arrancou e cortou a meta isolado. Os adversários deram tudo para acompanhar o ritmo mas não conseguiram sequer chegar perto. Um autêntico rocket. Haverá forma de pará-lo nas chegadas ao sprint?

A terceira etapa foi algo atípica. Já na parte final existiu um corte, totalmente inesperado, que separou o pelotão em dois na perseguição a quatro homens que estavam em fuga - devido a um trabalho notável de toda a equipa da Columbia. No final, a diferença foi de cerca de quarenta segundos entre os dois grandes grupos. Porém, os líderes das equipas ficaram para trás: Contador (Astana), Sastre (Cervélo), Evans (Lotto) e também Menchov (Rabobank). O tempo perdido, esses tais quarenta segundos, não farão grandes diferenças no final, ok, mas já é um espaço considerável. Ora, a Astana tinha Lance Armstrong no primeiro pelotão acompanhado de Yaroslav Popovych e Haimar Zubeldia que deixa ainda maior a interrogação de quem será o verdadeiro chefe-de-fila da equipa cazaque. É uma retórica.

Acompanhamento dos melhores momentos do Tour 2009 no FUTEBOLÊS

Pinho e Vilarinho

Há quem diga que os país está doido. Pois, se calhar até têm razão. A semana que passou trouxe duas pérolas que não serão esquecidas tão cedo. Dois Manuéis, um político e um dirigente desportivo: Pinho e Vilarinho. Ao estilo de cada um tomaram posições, tiveram gestos, disseram algo que não deviam. É óbvio que não perceberam bem onde estavam e qual a posição que tinham. Serviu para dois momentos cómicos para os portugueses que assistiram. Não foi a primeira vez que meteram os pés pelas mãos, contudo. Resultado: o primeiro foi obrigado a demitir-se, o segundo já tinha a mala feita quando proferiu as declarações.

As imagens do corninhos que Manuel Pinho fez no Parlamento, dirigindo-se a Bernardino Soares do PCP, abriu telejornais e tornou-se motivo incontornável de conversa. E de diversão. Pinho é claro que saiu do governo, do seu cargo de chefe da economia nacional. A imagem passou fronteiras, chegou a outros países e deu que falar. Porém, o ex-ministro já tinha estado no centro das atenções: ou com algumas gaffes conhecidas (por exemplo, quando afirmou que a crise estava perto do fim e nem tinha sequer começado) ou no momento em que foi controlado numa operação da brigada de trânsito. No Parlamento, quebrou as barreiras com tal gesto. E fez-nos sorrir.

Poucas horas depois foi a vez de Manuel Vilarinho. O presidente cessante da assembleia-geral do Benfica esteve na frente do furacão em que se transformaram as eleições do clube. Normalmente, pois cabia-lhe a ele decidir se as listas tinham ou não legitimidade para concorrer. Porém, quando esteve no programa Prolongamento da TVI 24, Vilarinho espalhou-se ao comprido: afirmou que o título de basquetebol, conquistado catorze anos depois, não lhe interessava e que verdadeiros benfiquistas só ele e "mais dez ou vinte". Claro que os adeptos não gostaram. No entanto, no dia da consagração de Luís Filipe Vieira, Manuel Vilarinho foi o animador de serviço: cantou, puxou pelos adeptos, mostrou o seu enorme benfiquismo. Aí, questionado pela RTP sobre se estava preocupado com a possível impugnação do acto eleitoral, Vilarinho foi claro: "Eu se não estivesse a falar para a rádio dizia que 'tou-me cagando!". De todo inesperado, voltou o sorriso.

domingo, 5 de julho de 2009

A Astana como Real Madrid do ciclismo

É regra básica que as equipas desportivas queiram contar com os melhores. Em qualquer desporto, seja ele qual for. Há o caso do Real Madrid, no futebol. Desde que o excêntrico Florentino Pérez reassumiu a presidência dos madrilenos que o mercado está em polvorosa. As contratações sonantes que têm sido feitas, sobretudo de Cristiano Ronaldo e Kaká, realizam os sonhos dos adeptos mas colocam um problema: será que Manuel Pellegrini, o treinador, vai conseguir formar uma verdadeira equipa com tantas estrelas? Pois bem, será algo para decifrar ao longo da época. Se houver choque de personalidades, será complicado.

No ciclismo, neste Tour de France 2009, há um caso parecido: a Astana, ou seja, o Real Madrid das bicicletas. Para França, a equipa levou corredores como Lance Armstrong, Alberto Contador, Andreas Klöden e Levi Leipheimer. Em nove corredores, estes quatro são de top mundial. Os dois primeiros são crónicos candidatos à vitória final. Armstrong dispensa apresentações e está imortalizado como o homem que venceu o Tour por sete vezes consecutivas mas, neste momento, Contador é o líder da equipa e já subiu ao lugar mais alto do pódio em Paris. Klöden e Leipheimer são outros ciclistas de enorme categoria, não talhados para fazerem o trabalho mais duro.

O regresso de Lance Armstrong ao ciclismo veio baralhar tudo no seio da Astana. Johan Bruyneel, actual director-desportivo e também dos anos de ouro do norte-americano, garantiu que Alberto Contador era o principal favorito à vitória final e o seu estatuto em nada ficava beliscado. No entanto, todos sabemos que Armstrong não chegou ao Tour apenas para dizer presente. Ele, se o fisico assim permitir, quererá aumentar o seu historial de vitórias na maior prova de ciclismo mundial. Só o desenrolar da prova e a condição de ambos os corredores servirá para perceber qual a melhor táctica a usar pela Astana. Sem que haja divisões no grupo. Para já, após a primeira etapa, estão as quatro estrelas nos dez primeiros lugares. Sintomático, não?

Mercado: Valeri e Belluschi para o FC Porto


Diego Valeri, médio argentino de 23 que joga no Lanús, está a caminho do FC Porto e a contratação está presa por pequenos detalhes. Nicolas Russo, presidente do clube argentino, confirmou a existência de uma boa proposta dos portistas. Segundo A BOLA, o valor a pagar pelo FC Porto deverá situar-se entre os cinco e seis milhões de euros, sendo que Mario Bolatti pode ser incluído no negócio. Também Fernando Belluschi, actualmente no Olympiacos, poderá estar próximo de rumar ao Dragão. A imprensa grega coloca já o jogar no FC Porto e adianta que o negócio ficará fechado hoje a troco de 4,5 milhões de euros por metade do passe. Diga-se que já no mercado de Inverno de 2008, o médio esteve perto de ser contratado pelos dragões.

De acordo com o jornal Record, o Benfica já terá efectuado uma proposta por Falcão no valor de 4,7 milhões de euros por 80% do passe. Ainda segundo a mesma publicação, o internacional colombiano de 23 anos aceitou a proposta dos encarnados embora estivesse também em cima da mesa um possível negócio com o FC Porto. Após acertar a sua situação com o River Plate, Falcão poderá rumar ao Benfica para depois se juntar ao grupo de Jorge Jesus no estágio na Suíça a partir do dia 8 deste mês. Ramires, médio contratado pelos encarnados neste defeso, mostrou vontade de regressar ao Cruzeiro, em Dezembro, por forma a estar presente no Mundial de Clubes: "Se o Benfica e o Cruzeiro chegassem a acordo seria excelente". A permanência de Ramires no Brasil foi permitida pelo clube da Luz mas apenas até à final da Taça Libertadores.

Em Espanha, chega amanhã o dia mais esperado por todos os adeptos do Real Madrid: Cristiano Ronaldo é oficialmente apresentado no Santiago Bernabéu. Prevê-se uma enorme euforia em redor do jogador português que, em entrevista ao jornal espanhol MARCA, garante que vale todo o dinheiro que Florentino Pérez pagou por ele ao Manchester United e que ser bem sucedido em Madrid é quase uma obsessão. Além disso mostrou-se grato a Alex Ferguson, considerando-o como um pai. Depois da loucura em torno de Kaká, apresentado com 40 mil pessoas no estádio, a expectativa por Ronaldo é grande. Do tamanho do Bernabéu, quase.

sábado, 4 de julho de 2009

Tour de France: A pedalar a partir de hoje


O Tour de France arranca hoje. Com a mesma emoção e expectativa para os amantes do ciclismo, independentemente dos inúmeros casos de doping que vão surgindo em catadupa ao longo dos anos. Para além de tudo o resto, há Lance Armstrong. Outra vez. O ciclista norte-americano decidiu regressar à competição após um interregno de três anos. Por isso, pelas suas sete vitórias na maior prova de ciclismo internacional, é mais um motivo de interesse. Agora com trinta e sete anos, Armstrong promete, se sentir que o pode fazer, lutar pela vitória final. A sua oitava. Não terá de lutar com Jan Ullrich, Vinokourov ou Pantani mas não será tarefa fácil.

Nada existe a apontar às ambições de Armstrong, mesmo desconhecendo a sua real condição física. No entanto, o seu maior obstáculo mora ali ao lado: Alberto Contador, seu colega de equipa. O jovem corredor espanhol é, naturalmente, o líder da Astana. Por mérito próprio pois já possui vitórias no Tour, no Giro e na Vuelta. Além disso, em 2008, não pôde estar em França devido a suspeitas de doping que levaram a que a organização não tenha convidado a equipa Ele próprio assumiu a vontade de voltar a ser coroado em Paris e é, quase de forma unânime, apontado como principal favorito. Para ter sucesso, Contador poderá ter um precioso apoio de... Lance Armstrong, pois então. Ao longo dos dias, se perceberá a estratégia da Astana.

Além da dupla Contador/Armstrong, quem mais ambicionará vencer o Tour 2009? Carlos Sastre é um deles. O ciclista espanhol, agora nos suíços da Cervélo, foi o vencedor da última edição, daí que seja um nome a ter em conta. Possuirá uma equipa que trabalhará para isso. Há Denis Menchov, da Rabobank, recente vencedor do Giro de Itália. A Saxo Bank comandada por Bjarne Riis (antigamente CSC, equipa de Sastre no ano passado) aposta nos manos Schleck, Andy e Frank. A esse lote poderá juntar-se Cadel Evans, australiano da Silence-Lotto, que tem acumulado segundos lugares e anseia por subir ao lugar mais alto do pódio. O vencedor da nonagésima sexta edição do Tour de France é um destes nomes.

Importa também falar da Caisse d'Epargne, equipa que não terá o crónico candidato Alejandro Valverde por decisão da organização do Tour. Daí que a equipa espanhola não tenha um homem-forte para chegar à camisola amarela. Seja como for, a Caisse d'Epargne conta com Oscar Pereiro, proclamado vencedor da competição em 2006 após um controlo positivo de Floyd Landis. Pereiro tem sido um fiel escudeiro de Valverde nas provas internacionais mas sem o líder, quer ele quer Luis Leon Sanchez poderão ambicionar chegar mais longe. Porém, não são, nem de perto nem de longe, favoritos.

Ciclistas portugueses. Ainda não falamos deles mas esta edição do Tour contará com dois: Sérgio Paulinho (Astana) e Rui Costa (Caisse d'Epargne). Inseridos em duas das melhores equipas do pelotão internacional, os portugueses terão a missão de ajudar os seus líderes. Paulinho, principalmente, por se tratar de um ciclista mais experiente e que já fez companhia a Alberto Contador no Tour de 2007. Rui Costa é ainda um jovem e, de forma algo surpreendente, foi escolhido para participar na competição já este ano. Depois dos feitos de Joaquim Agostinho (foi terceiro em 1978 e 1979) e José Azevedo (quinto em 2004, na US Postal de Armstrong), Portugal volta a estar bem representado no Tour. E o FUTEBOLÊS vai acompanhar.

FUTEBOLÊS © 2008 Template by Dicas Blogger.

TOPO