sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Futebolices



As fintas hipnotizantes de Ronaldo, os dribles com a bola tal como um íman no pé esquerdo de Messi, o perfume espalhado por Kaká, a classe infinita de Xavi, as defesas miraculosas de Casillas, os pormaiores de Ibrahimovic. Um cardápio perfeito, com todos os condimentos necessários para o lucro, tudo junto para nuestros hermanos espanhóis se maravilharem. A nós, portugueses, basta ligar a televisão e ficar agarradinho noventa minutos a esse ópio. Como se fosse um desfile de estrelas, onde pode surgir qualquer coisa de excepcional e único em todo o momento. O jogo acaba, então, ficamos apenas com a satisfação entranhada. Tão perto e tão longe que estão os futebóis.

O tempo passou num ápice, nem se deu por ele. Um outro jogo há-de vir, não há problema. Sem que nada façamos para isso, somos levados para outra galáxia. Há mesmo quem a considere a maior de todas: Inglaterra. O Cristiano Ronaldo já lá não está. Ok, e depois? Não se perdeu o cerrar de dentes de Rooney ou a excelência de Giggs. O instinto de Drogba, Torres ou Anelka. O toque de Gerrard ou Lampard. Nada disto saiu, tudo continua exactamente como antes. E estes são apenas os atractivos maiores para uma tarde bem passada. Recheada da magia que a televisão atira para junto de nós, aquela que só os ingleses conseguem pôr nos seus estádios. Não se explica, entra-se na onda.

Começamos nas raízes de Iglesias, chegamos aos Beatles, falta Ramazzotti para completar o trio de ouro. Do futebol que muitas vezes se torna música. José Mourinho, claro. É o primeiro a vir à memória. De quem mais nos poderíamos lembrar quando falamos do Calcio? Não pensou logo no Speciale, leitor? Muitos são os que se tornaram fãs de Itália devido ao setubalense. É um futebol chato. Mas Mourinho, por si só, é um bom motivo para continuarmos da mesma forma, sem pensar sequer em mudar de canal, porque há espectáculo garantido. Ibra foi embora, veio Eto'o. Não é bem a mesma coisa em termos de jogo mas para o adepto a diferença é quase nenhuma. Pato e Diego, pés mágicos nos rivais, garantias de qualidade em casa. Que pena é que Ronaldinho não esteja para aí virado. Que pena!...

Percorremos as três fortalezas, falta ainda chegar à França e à Alemanha. Estão mais abaixo, ninguém duvida, mas sempre matamos saudades de uma dupla que tanto talento por cá deixou: Lucho e Lisandro. Bendita a televisão que o permite! Repitam-se as graças porque, além disso, também nos encanta com Ribéry ou faz-nos descobrir a arte de um Grafite brasileiro com pés mágicos. Tanta coisa boa que podemos ver num dia só, com um pequeno toque no botão do comando da televisão. Depois disso, desligamos a corrente. Continuamos comodamente instalados no sofá. Nunca dali saímos. O corpo, pelo menos, não se mexeu. Mas ficou a satisfação.

1 Comentário:

Jornal Só Desporto disse...

Queria dar os parabéns ao autor deste artigo.

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