domingo, 4 de outubro de 2009

Sp.Braga: a quarta potência nacional

Há muito que deixou de ser surpresa e passou a confirmação mas o encanto é cada vez maior. O Sp.Braga chegou ontem à sua sétima vitória consecutiva, o mesmo é dizer que venceu todas as partidas que realizou para o campeonato. Até agora esse era um feito apenas à medida dos três grandes. Fica, então, a questão: o Sp.Braga poderá continuar a ser considerada uma equipa menor ou já deu provas suficientes, mesmo não tendo ainda alcançado qualquer título de campeão nacional, de que segue logo atrás do poderio de FC Porto, Benfica e Sporting? A segunda alternativa é, sem que se levante grande contestação, a que mais sentido faz. E a aposta de António Salvador passa exactamente por essa progressiva escalada dos bracarenses.

Foi com Jesualdo Ferreira que o Sp.Braga ganhou uma nova importância no futebol português. Depois disso nada seria como antes: a equipa minhota construiu um plantel forte, criou dificuldades a quem lhe surgiu no caminho e assumiu-se como uma presença regular nas competições europeias. Não foi nunca um candidato ao título mas chegou a intrometer-se nessas contas. Com as bases bem sustentadas por esse trabalho, com um número cada vez maior de adeptos, era necessário dar continuidade a esse trabalho após a saída de Jesualdo Ferreira. Foi, no entanto, uma fase em que o clube viveu alguma instabilidade sobretudo a nível técnico.

Jorge Jesus chegou, no Verão de 2008, para recolocar o Sp.Braga no rumo certo, já que havia ficado fora da Taça UEFA na época anterior. Viria a entrar, através da Intertoto, e chegar o mais longe que alguma vez havia feito: quartos-de-final, onde acabou eliminado pelo Paris Saint-Germain. A prestação além fronteiras foi, a todos os nível, excepcional mas o quinto lugar no campeonato português, atrás do Nacional de Manuel Machado, soube a pouco aos adeptos minhotos. Jesus saiu para o Benfica e António Salvador encontrou em Domingos Paciência um sucessor à altura. Foi, deve-se dizer, um risco corrido pelo presidente: independentemente das boas épocas que teve na Académica, este era o primeiro grande desafio que Domingos teria pela frente.

A fasquia foi, contudo, elevada bem alto quer por António Salvador quer por Domingos Paciência: o presidente assumiu um desejo antigo de vencer a Taça de Portugal - competição conquistada pelos bracarenses em 1966 - e chegar longe na Europa; o treinador, por entre algumas alfinetadas a Jorge Jesus, garantiu querer fazer melhor do que aquilo que havia sido alcançado na época transacta. O início teve pouco de prometedor pois o Sp.Braga, após duas derrotas com os suecos do Elfsborg, ficou arredado da Liga Europa. Para quem aspirava a tanto, foi precoce de mais. Domingos tremeu. O primeiro jogo do campeonato, frente à Académica, representou um factor decisivo para a sua continuidade. Salvador, noutros tempos tão intransigente, soube esperar por resultados. Que estão, leitor, bem à vista.

3 Comentários:

afectado disse...

O Braga, enquanto o Salvador estiver por lá, será sempre uma equipa perigosa. Tal como na vida empresarial Salvador é ambicioso, joga sempre alto, e sabe-se movimentar bem nos meandros (quem não o souber fazer, seja no futebol, seja na vida empresarial, não tem grande sucesso). Não sei se ele pensa sair em breve. Se sair, eu estava capaz de apostar que já sei o nome do sucessor. E se acertar, podes escrever, o Braga vai continuar a ser a 4ª força do campeonato... no mínimo!

Miguel Pereira disse...

Discordo quando apontas o Jesualdo Ferreira como o pai deste Braga a caminho de se confirmar como a quarta potencia.

Foi com o Manuel Cajuda que pela primeira vez se percebeu o potencial dos arsenalistas num ano em que estiveram largas jornadas na luta pelo titulo e pelos postos de acesso à Champions. Claudicaram no final mas eram uma equipa temivel, eficaz e que jogava bem.

Depois da saída do Cajuda baixaram o nivel e foi aí que o Jesualdo pegou no conjunto e começou a reestruturaçao que o Jesus aproveitou bem no ano passado e o Domingos está a conseguir levar um passo mais à frente. E claro, o mérito de Salvador é quase total.

um abraço

Ricardo Costa disse...

Miguel Pereira,

Confesso que poderei ter aí cometido uma pequena 'gaffe' mas continuo a achar que as bases do sucesso do Sp.Braga apenas foram cimentadas durante o tempo em que Jesualdo Ferreira esteve à frente da equipa.

Um abraço

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