terça-feira, 8 de setembro de 2009

O fosso cada vez mais cavado

Em três jornadas cumpridas, há um jogo que nitidamente se destaca dos restantes. É fácil comprovar qual é. O Benfica-Vitória de Setúbal, claro, pelos oito-a-um finais. Esta partida pode, no entanto, ser vista de duas formas bem distintas: tanto será reconhecido como um chuto na monotonia e na crise de golos em que o campeonato português se encontrava - três era o máximo de golos marcados -, assim como demonstrará, na perfeição, as diferenças abissais entre clubes. Ou entre os grandes e os pequenos, se o leitor preferir.

Bem recentemente, Manuel Machado, actual treinador do Nacional e um profundo conhecedor do futebol nacional, reiterou esse fosso existente para FC Porto, Benfica e Sporting. É uma ideia que tenho vindo a defender, também. Confesso que me enquandro um pouco nas duas perspectivas, que apresento acima, de analisar a goleada imposta pelo Benfica, na passada jornada. É bom: houve espectáculo e imensos golos, algo que deixou os adeptos empolgados e com vontade de ir ao estádio. Os adeptos benfiquistas, evidentemente, porque do lado do Vitória ficou uma vergonha enorme. É aqui que residem as diferenças.

Enquanto os grandes investem milhões no reforço dos seus planteis, as restantes equipas procuram jogadores em divisões inferiores - mercado francês e brasileiro são duas das maiores preferências. Há, contudo, alguns clubes de menor dimensão que insistem em destacar-se dos outros. São os casos de Sp.Braga, Vitória de Guimarães, Nacional e Marítimo que, mesmo sem chegarem ao poderio dos maiores, nunca vivem com a corda na garganta. Somente estas quatro equipas conseguem intrometer-se entre os grandes.

Trata-se de uma tendência que se acentua a cada ano que passa, independentemente das medidas que os responsáveis nacionais procuram implementar. É certo que tem sido desenvolvido um combate aos salários em atraso mas continua sem haver dinheiro para os clubes formarem planteis fortes e competitivos. O que qualquer adepto pretende é que as equipas menores disputem, taco-a-taco, os jogos na Luz, em Alvalade ou no Dragão. Não é isso que acontece e, neste momento, dificilmente seria assim por tudo aquilo que já foi referido. Termino com uma questão: o Benfica-Vitória terá sido um caso extraordinário ou tornar-se-à numa constante ao longo da época?

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