segunda-feira, 11 de maio de 2009

Jornada de campeão

ANÁLISE JORNADA 28 - LIGA SAGRES

(Crónica FC Porto-Nacional)

Havemos campeão. Sem surpresas, o FC Porto conquistou o segundo tetracampeonato da sua história. Um golo de Bruno Alves, frente ao Nacional, serviu de chave para desbloquear nova conquista. Na mesma jornada, o Sporting confirmou o segundo lugar enquanto que o Benfica voltou a perder pontos em casa, desta vez ante o Trofense, penúltimo classificado. No regresso de Jorge Jesus ao Restelo, o Sp.Braga confirmou a Liga Europa e deu guia de marcha ao Belenenses para a descida.

89 minutos, Sporting-Vitória de Setúbal, 1-1, empate que parece ser definitivo. Aparece Liedson, o único capaz de marcar, o único capaz de resolver. Golo. O Sporting ganha: o jogo e o segundo lugar. É verdade que não jogou bem mas foi sempre a melhor equipa perante um frágil Vitória, desesperado por um pontinho que fosse. Sem poder contar com Paulo Bento no banco e Pedro Silva no lado direito da defesa, ambos castigados ainda por causa da final da Taça da Liga, a equipa leonina sabia que em caso de derrota daria automaticamente o título ao FC Porto, enquanto que se ganhasse segurava o segundo lugar, devido ao empate do Benfica ante o Trofense. Jogados os primeiros vinte e seis minutos sem grandes cometimentos, Liedson entra em cena para o seu primeiro acto: cruzamento de Caneira, falha entre Kieszek e Anderson e golo do levezinho, pleno de oportunismo. Porém, o Sporting jogava à semelhança daquilo que havia feito em Coimbra, no nulo frente à Académica: sem velocidade, sem aquela garra de querer empurrar o adversário para a sua área, algo que tinha sido apanágio nesta ponta final do campeonato. Daí que o Vitória, num lance de puro contra-ataque trabalhado por Leandro Lima e concluído por Bruno Gama, tenha empatado. E assim terminou a primeira parte, com um empate que sabia a justiça para os vitorianos. Após o descanso, o Sporting entrou melhor na partida, mais mandão. No entanto, aos 47 minutos, Zoro teve a oportunidade de silenciar Alvalade e colocar o Vitória em vantagem mas o cabeceamento saiu ao lado da baliza de Rui Patrício. Com o empate, persistente, Carlos Cardoso encolheu a sua equipa, fechando-se em torno da sua área - voltou a tirar Bruno Gama e Leandro Lima, à semelhança do jogo do Dragão. O Sporting cresceu, o golo anunciava-se, Pawel Kieszek não permitia que se confirmasse. E assim se chegou a esse tal minuto 89 onde Liedson voltou a ser obrigado a resolver. Nota final para os incidentes, ainda no aquecimento, entre o árbitro Duarte Gomes e o treinador de guarda-redes do Sporting, Ricardo Peres, que chegou a envolver empurrões, stewards e acabou na expulsão de Peres. Uma cena de autoritarismo despropositado.

93 minutos, Benfica-Trofense, 2-2, apito final de João Ferreira. Os encarnados voltam a desiludir os adeptos, ouvem-se assobios estridentes, vêem-se lenços brancos. Quique Flores sabe bem que o seu futuro também se joga dentro das quatro linhas. Por isso, era imperativo ganhar para pressionar o Sporting, na luta pelo segundo lugar, e afastar-se do quarto, ocupado pelo Nacional. Não conseguiu nada disso. Esta partida com o Trofense significou o adeus definitivo à Liga dos Campeões e deixou o treinador espanhol numa posição cada vez mais frágil, com a porta de saída entreaberta. Vamos por partes. O jogo começou entretido. Surgiu a primeira grande ocasião de golo, aos treze minutos, num cabeceamento de Luisão ao poste. O Benfica estava por cima, voltou a estar perto do golo aos 28 minutos: a jogada foi algo confusa e dividida entre Aimar, Cardozo e Urreta, mas nenhum deles conseguiu marcar, devido também à boa acção de Zamorano e do guarda-redes Marco. Dois minutos volvidos, golo. Do Trofense. Após um livre milimétrico de Hugo Leal, Valdomiro saltou mais alto do que Luisão e cabeceou para dentro da baliza de Quim. A vantagem da equipa de Tulipa, surpreendente, foi sol de pouca dura. Em três minutos, aos 36 e 39, Oscar Cardozo deu a volta ao resultado. Primeiro, sem oposição, apenas encostou o pé à bola para empatar; depois, após um bom cruzamento de Urreta, cabeceou para o segundo. A vantagem do Benfica ao intervalo era merecida. O segundo tempo começou com os encarnados por cima, obrigando Marco a algumas boas intervenções. Mas veio o golo do Trofense, a dois minutos de se completar a hora de jogo. Novo livre de Hugo Leal, desvio de Varela, golo de Paulinho. O Benfica perdeu a capacidade de reacção que tivera na primeira parte. Quique Flores lançou Balboa e Mantorras mas os efeitos foram nulos, o Trofense fechou-se para garantir o empate. Assim terminou o jogo, com 2-2. Que dá esperança aos da Trofa e acentua a crise dos encarnados. Qué pása?

O último lugar europeu está definido. Com as derrotas de Leixões frente à Académica e do Marítimo em Paços de Ferreira, o Sp.Braga garantiu a presença na Liga Europa. A equipa de Jorge Jesus jogou no Restelo e contribuiu para afundar ainda mais o Belenenses, numa goleada por 5-0. Nacional e Sp.Braga lutarão agora pela melhor classificação possível, com o terceiro lugar em vista. Na cauda da tabela, o Belenenses parece mesmo destino a descer à Liga Vitalis, enquanto que o Trofense ganhou novo ânimo com o empate frente ao Benfica. Garantiram a permanência o Paços e o Estrela da Amadora. O Rio Ave, com a vitória em Guimarães, deu um passo importante para se manter.

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