sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ter preconceitos

Reconheço que duvidei que Fernando e Cissokho fossem jogadores para se imporem no FC Porto. Isto apesar das boas épocas que conseguiram no Estrela e no Vitória de Setúbal, respectivamente, sem que se possam fazer comparações entre as equipas. Não fui o único, por certo. Contudo, agora ninguém duvida das suas qualidades. O jogo de Manchester serviu para isso mesmo: ambos estiveram em grande destaque e até Jesualdo Ferreira, contrariando aquilo que habitualmente faz, elogiou a forma como os jogadores se portaram em Old Trafford. Ambos não têm experiência europeia, ambos chegaram esta época mas deixaram bem provado que os preconceitos não passam disso mesmo, de noções tidas antes do tempo certo.

Reconheço também que nem sempre acreditei no trabalho de Jesualdo Ferreira. Aqui, mais uma vez, também não fui o único. Porém, a sua terceira época no FC Porto está a ser a melhor da sua carreira pois tem o campeonato e a Taça de Portugal bem encaminhados e conseguiu algo não alcançado desde Mourinho, ou seja, aos quartos-de-final da Liga dos Campeões - e recorde-se, está em vantagem na eliminatória com o campeão europeu, Manchester United. Com a época ainda em curso, muito se tem falado da renovação (ou não!) de Jesualdo pois ainda não há uma confirmação oficial de que isso venha a acontecer. A mim parece-me que Jesualdo Ferreira merece essa renovação. Sobretudo por esta época. E tem mérito, obviamente, naquilo que se falou na primeira parte do texto: a formação de jogadores.

Por fim, tenho de reconhecer que fiquei desiludido com Quique Flores e o seu Benfica. Um treinador novo, metódico e frontal que disse querer devolver aos encarnados a grandeza de outrora; Rui Costa ficou com a pasta do futebol e tratou de compor um plantel que pudesse dar essas garantias, o melhor da última década, contando com jogadores de classe internacional como Aimar, Suazo ou Reyes. Fazendo uma retrospectiva, é claro que muito se prometeu e pouco se cumpriu. A época não correu da forma pretendida com as eliminações da Taça de Portugal e da Taça UEFA e também com a conquista do campeonato muito complicada, a Taça da Liga acaba por ser uma espécie de salvação embora esta não tenha ainda real importância no panorama do futebol português. Pior do que isso só as exibições como a que foi possível ver na Amadora: sem chama, sem garra, sem atitude. O Benfica é, por isso, uma equipa de extremos capaz do melhor e do pior. Ora, um candidato ao título não pode ser tão incostante. Nem Quique Flores pode fazer tantas experiências e tantas mudanças na equipa que apresenta semana após semana. As mudanças na baliza servem apenas para o comprovar.

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