segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

O antes e depois do playoff - Rogério Azevedo

1. QUE OBJECTIVOS DE PORTUGAL PARA A ÁFRICA DO SUL?

Octávio Machado diria que o objectivo é traçado jogo a jogo. Passar a fase de grupos é o mínimo dos mínimos, chegar aos quartos-de-final será um 'suficiente mais', atingir as meias-finais será qualquer coisa como 16/17 valores. Daí para a frente será só lucro: Portugal nunca esteve numa final de um Mundial, logo mais do que a meia-final é sonhar altíssimo.

2. DEVERIA PORTUGAL TER ATINGIDO A QUALIFICAÇÃO MAIS CEDO?


Talvez. O grupo onde a Selecção estava inserido não era, pelo menos em teoria, de elevado grau de dificuldade, pelo que se esperavam bem menos complicações. Não nos podemos esquecer, porém, que a Suécia (afastada da África do Sul) é a oitava Selecção, de todos os tempos, com mais pontos somados em fases finais de Campeonatos do Mundo, só ultrapassada pelo Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Inglaterra, França e Espanha. A Dinamarca, vencedora do grupo, está cinco lugares atrás de Portugal neste mesmo ranking: Portugal é 19.º com 34 pontos em fases finais, a Dinamarca é 24.ª com 23 pontos. Portugal deveria ter sido primeiro no grupo? Sim. É surpreendente que tenha sido obrigado a ir ao playoff? Talvez. Mas não muito.

3. ESTE É O REAL VALOR DE PORTUGAL?

O valor individual dos jogadores portugueses é superior ao valor individual dos jogadores dinamarqueses ou suecos. O valor colectivo de Portugal é que esteve, até ao 'esmagamento' no Brasil (derrota por 2-6), bem abaixo da soma das partes. Depois, passo a passo, jogo a jogo, Carlos Queiroz conseguiu encontrar os equilíbrios necessários para a Selecção melhorar imenso. A primeira parte da qualificação é para deitar fora, a segunda parte é quase para emoldurar.

4. PARALELO COM OS ÚLTIMOS TEMPOS DE SCOLARI?

Scolari teve a vida muito mais facilitada no primeiro ano em Portugal. Não teve de passar pelas qualificações para o Euro-2004, tinha um naipe de jogadores muito mais forte em termos mentais e teve Portugal quase inteiro a assinar por baixo de tudo o que dizia. Psicólogo social brilhante, treinador de craveira média, o brasileiro 'chupou' tudo o que havia para 'chupar' dos jogadores. Queiroz, ao invés, teve de passar pelas qualificações, ficou sem Figo, Pauleta e Fernando Couto, por exemplo, sendo substituídos por jogadores com menor traquejo mental. Mas isto foi para o Euro-2004. Para o Mundial-06, as coisas foram diferentes. Scolari qualificou-se e chegou ao quarto lugar na Alemanha. A qualificação de Queiroz para o Mundial-2010 não foi diferente da qualificação de Scolari para o Mundial-06. Ou seja, tudo o que fique abaixo dos quartos-de-final ficará a perder, claramente, para Scolari.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

Taça de Portugal: Vitórias inesperadas

QUARTA ELIMINATÓRIA


O Benfica caiu. Na Luz, a sua fortaleza, frente ao Vitória de Guimarães. Uma espécie de repetição do que acontecera em 2005-06. Paulo Sérgio, treinador que na temporada anterior levou o Paços de Ferreira à final do Jamor, tinha dado o mote: não há nenhuma equipa invencível e, por isso, os vimaranenses podiam ser felizes. Para que a estratégia surtisse efeito perante este Benfica, seria necessária audácia, coragem e enorme concentração. O Vitória foi tudo isso. E eficaz, sobretudo: tanto a defender, com Nilson em destaque maior numa defesa muito consistente, quer no ataque, onde o golo de Gustavo Lazzaretti deu o acesso à fase seguinte da Taça de Portugal. O Benfica pressionou, Jorge Jesus lançou Weldon e Nuno Gomes, mas falhou no momento de finalizar - o ataque encarnado sente claramente a ausência de Cardozo.

Carlos Carvalhal estreou-se, à frente do comando do Sporting, com uma vitória. Contra o Pescadores da Costa da Caparica, equipa que lidera a série F da III Divisão. Resultado que era esperado, sim, mas a tarefa em nada foi facilitada. Bem pelo contrário, pois os Pescadores colocaram-se em vantagem através de um excelente golo de Tozé e chegaram ao intervalo a ganhar. Carvalhal apresentou, na equipa que iniciou o jogo, uma novidade em termos tácticos: deixou para trás o losango e optou por um 4x3x3. Porém, devido ao resultado adverso e à pouca consistência da equipa, remodelou a equipa no sistema preferido de Paulo Bento. Foi assim que, na segunda etapa, os leões conseguiram a reviravolta e partir para uma vitória folgada por 4-1. Os Pescadores conseguiram somente meia-surpresa.

Aliados de Lordelo, Freamunde e Beira-Mar são os tomba-gigantes desta eliminatória da Taça de Portugal. Recebem, justamente, esse estatuto porque eliminaram equipas primodivisionárias. Os primeiros deixaram o Leixões pelo caminho após uma vitória por 1-0 no tempo regulamentar, enquanto os outros sorriram após a marcação de grandes penalidades frente a União de Leiria e Académica, respectivamente. Em situação semelhante, no recurso às penalidades, estiveram Tirsense (ante o Paços de Ferreira) e Fátima (na Choupana, com o Nacional) mas aí levaram a melhor as equipas do principal campeonato português. O Gil Vicente morreu literalmente na praia: jogou na Figueira da Foz, aos noventa minutos tinha uma vantagem de dois golos, a Naval chegou ao empate e, após o prolongamento, deu a volta ao resultado. O Valenciano, que na eliminatória anterior havia eliminado o Olhanense, viu o sonho ser quebrado pelo Belenenses.

PS: Verdadeiramente bizarro o estado em que o Mafra jogou. Ou melhor: foi obrigado a jogar. Mesmo com jogadores de quarentena devido ao vírus da Gripe A, a equipa treinada por Filipe Moreira apresentou-se em campo, diante do União da Madeira, e venceu após o desempate por grandes penalidades. Grande mérito.

domingo, 22 de Novembro de 2009

A atribuição de culpas no Sporting

Paulo Bento, numa extensa entrevista publicada ontem pelo jornal Record, abriu o jogo sobre a situação que viveu no Sporting. Por entre alguns avisos a José Eduardo Bettencourt, mostrou-se crítico em relação a Rogério Alves, presidente da assembleia-geral da SAD leonina, acusando-o de ter demonstrado pouca ética e ainda de querer um poleiro maior. Além disso, referiu que nunca trabalharia com Sá Pinto, novo director do futebol. A reacção não se deixou esperar, a bola foi imediatamente devolvida para o outro campo por Rogério Alves. Numa declaração forte e desconcertante, o dirigente referiu que a entrevista de Paulo Bento serviu somente para desculpabilizar o mau momento em que o Sporting se encontra.

Numa fase tão delicada quanto esta, deve existir união para que os problemas sejam ultrapassados. Esse é um princípio fundamental, meio caminho andado para uma boa resolução. Caso existam divergências entre os principais responsáveis do clube, como poderão surgir boas soluções que permitam deixar a crise de resultados para trás? Impossível. Por isso mesmo, este ping-pong de críticas e atribuição de culpas só pode ser prejudicial para o Sporting. Paulo Bento poderá ter toda a razão naquilo que diz, mas, a bem do clube leonino, nunca o deveria ter feito nesta altura. O timing escolhido não é, de todo, o melhor e em nada contribuirá para a serenidade do Sporting. Fá-lo num momento em que já abandonou o clube.

Do outro lado, Rogério Alves está ainda em funções. Diz que o maior culpado do estado do clube é Paulo Bento. Será mesmo? Não. O treinador tem a sua quota de culpa, sem dúvida, mas está longe de ser a principal razão para o insucesso leonino. Se o problema fosse somente o treinador, não faria sentido querer mantê-lo no comando. Independentemente disso, para que o Sporting possa dar passos seguros para o futuro, para que Carlos Carvalhal tenha a tranquilidade necessária para mostrar o seu trabalho e para que os jogadores possam jogar descomplexados, o clube precisa de ter uma boa estrutura que seja capaz de funcionar como um verdadeiro suporte. Actualmente, em Alvalade, não existem esses alicerces seguros. Essa, sim, é uma das razões do insucesso.

sábado, 21 de Novembro de 2009

Tantas diferenças e uma semelhança

Luiz Filipe Scolari tinha uma capacidade de mobilização absolutamente notável. Incentivou os portugueses, não se coibiu de comprar algumas guerrilhas, ganhou o respeito e a admiração de um país que se transformou num grande apoio à sua Selecção. Goste-se ou não do estilo, tem mérito. Há, no futebol português, um antes e um depois de Scolari. Chegou após um enorme sarilho criado na Coreia, quando era necessário um treinador capaz de revitalizar a Selecção e lançá-la para a glória a curto prazo. O Europeu de 2004, realizado em Portugal, era um objectivo declarado. Falhou mas o nosso futebol mudou. Scolari é um grande responsável. Houve, contudo, algo que ficou esquecido: o futuro.

Carlos Queiroz é diferente. Ou melhor, é o total oposto. Não tem o mesmo discurso capaz de juntar a população portuguesa em torno da Selecção nem goza do mesmo estatuto. Porquê? Boa pergunta, mas o facto de Scolari ter sido campeão mundial na Ásia talvez tenha contribuído para ser bem recebido. Queiroz, pelo contrário, não teve muita sorte nos clubes onde passou e os seus melhores momentos foram passados nas Selecções jovens de Portugal. Ao longo da fase de qualificação para o Mundial 2010, foi notória a desconfiança dos portugueses para com o seleccionador. A certa altura, o descrédito instalou-se. Poucos, muito poucos, mantiveram a esperança intacta.

O seleccionador acreditou sempre no seu trabalho. Foi persistente, fez questão de lembrar que as contas só são feitas no final. Ganhou. Está de parabéns, agora. Evidentemente que teve erros, demonstrou receio nalgumas partidas e noutras não teve as opções mais correctas. Falhou como todos falham mas cumpriu: Portugal não esteve bem, conseguiu recuperar e justificou o apuramento. Foi repetido o último resultado de Scolari, pois, para o Euro 2008, Portugal alcançou a segunda posição do seu grupo, atrás da Polónia. Agora, para a África do Sul, voltou a ser segundo. A diferença, grande, é que o primeiro deu a qualificação directa. Tão diferentes no feitio, tão iguais nas qualificações.

Decisão atrasada

A princípio, seria uma jornada de grande festa para a população de Oliveira de Azeméis: teriam junto a si o FC Porto, tetracampeão nacional. Essa aproximação é inquestionavelmente a maior riqueza que a Taça de Portugal permite aos clubes de menor dimensão. À medida que o dia do jogo se foi aproximando, chegou também a apreensão devido às poucas condições do estádio Carlos Osório, palco do embate. De segurança, devido ao aumento da lotação, mas sobretudo por causa do relvado. O FC Porto lembrou o seu estatuto e reclamou outras soluções. A Oliveirense prometeu, com uma ajuda da meteorologia, um relvado suficiente. Hoje, dia da realização da partida, o jogo foi adiado. Ainda para data incerta. Tão esperado que era e ninguém o conseguiu antever.

No meio de tudo isto, o papel da Federação Portuguesa de Futebol ficou para segundo plano. Completamente contrário ao que deveria ser feito, falamos do órgão máximo do futebol português. A última palavra deveria ser sua, analisando e tomando a última decisão, nunca deixando tal encargo para o árbitro do jogo. Bruno Paixão decidiu, após o aquecimento, não realizar a partida. Fez bem, pois a integridade física dos intervenientes deve estar acima de tudo. O relvado estava mesmo impraticável. Sabia-se que assim seria, aliás. Por isso, causa estranheza que a tomada de decisão tenha sido tão demorada. Haveria necessidade de mobilizar público a um estádio onde se realizou apenas o aquecimento? Não. Obviamente.

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Balanço de um apuramento sofrido

Comecemos com uma questão que, neste momento, importa colocar: teria Portugal obrigação de se apurar directamente para o Mundial 2010? Sim, afinal a maior parte dos jogadores que fazem parte da Selecção nacional, para além de jogarem em clubes de topo mundial, possuem qualidade que ninguém questiona. Para perceber melhor essa argumentação, precisamos olhar aos adversários. Entre Dinamarca, Suécia, Hungria, Albânia e Malta, nenhum deles se apresenta como uma equipa que faça temer os portugueses pelo seu poderio. Aliás, apenas dinamarqueses e suecos se destacaram e, sabia-se desde logo, que não seriam fáceis de levar de vencida. São equipas de média/alta valia. O sorteio foi, decerto, recebido com um sorriso de confiança.

Depois de estarem cumpridas todas as jornadas da fase de qualificação, chegamos à conclusão de que Portugal apenas cumpriu os requisitos mínimos porque deixou escapar, para a Dinamarca, a liderança do grupo. Ou seja, não conseguindo alcançar a única posição que certificava a presença na África do Sul, o playoff passou a ser uma boa via alternativa - sobretudo por culpa própria, verdade seja dita, fruto de alguns tropeções sem explicação plausível. Após ter estado tão próximo do abismo, este segundo lugar foi uma espécie de pequena vitória e recompensa por todo o esforço despendido na parte final da fase de qualificação. Agora é uma confirmação: estamos mesmo apurados.

Nos dez jogos de apuramento, ao todo, foram onze os pontos desperdiçados. A primeira metade dessa fase de qualificação revelou-se absolutamente desastrosa para Portugal. A ansiedade, claro, após jogos bem pouco conseguidos e até opções incertas de Queiroz, tomou conta de todo o povo português. Não houve, porém, partida alguma em que a Selecção nacional fosse inferior ao adversário. Mesmo na derrota com a Dinamarca, sofrida nos minutos finais após um volte-face incrível, foram os erros defensivos que apagaram aquilo que de bom havia sido produzido. Contudo, há resultados que são inaceitáveis para uma equipa que pretende chegar longe: empatar, em casa, frente a uma Albânia reduzida a dez jogadores... é uma coisa do Diabo.

Além disso, acentuou-se, até ao primeiro jogo frente à Hungria, em Budapeste, uma tendência que remonta já aos tempos de Scolari: não vencer os adversários directos na luta pelo apuramento. Frente à Dinamarca voaram cinco pontos, os suecos ficaram com quatro. Dois adversários directos, oito pontos perdidos. Juntam-se mais dois, verdadeiramente desperdiçados nesse encontro com a Albânia, para chegar aos onze. Foi após o jogo de Copenhaga, com os dinamarqueses, que o Mundial ficou quase como uma miragem para os portugueses. Poucos seriam, aliás, aqueles que realmente ainda mantinham a esperança porque, para além de vencer as duas partidas com a Hungria e ainda Malta, na última jornada, era necessário que a Suécia não vencesse os três jogos.

Com determinação, enorme espírito de sacrifício e entrega total, foi alcançado o objectivo que, em dado momento, passou a ser prioritário. As partidas, independetemente da beleza ou não do futebol apresentado, culminaram todas em vitórias. Numa fase tão delicada quanto esta, ninguém se atreveria a pedir jogos de deliciar. Importava ganhar, nada mais. Agora, com todas as contas feitas, causa uma enorme estranheza como Portugal não conseguiu resolver, desde logo, as contas do apuramento. Esteve demasiado tempo adormecido, talvez à procura de um fio condutor. Esteve em baixo mas teve a capacidade de se erguer. Renasceu das cinzas.O playoff foi uma ponte para o destino de sempre: África do Sul. Até lá, Queiroz terá tempo para melhorar o que ainda não está bem.

Futebolices



As fintas hipnotizantes de Ronaldo, os dribles com a bola tal como um íman no pé esquerdo de Messi, o perfume espalhado por Kaká, a classe infinita de Xavi, as defesas miraculosas de Casillas, os pormaiores de Ibrahimovic. Um cardápio perfeito, com todos os condimentos necessários para o lucro, tudo junto para nuestros hermanos espanhóis se maravilharem. A nós, portugueses, basta ligar a televisão e ficar agarradinho noventa minutos a esse ópio. Como se fosse um desfile de estrelas, onde pode surgir qualquer coisa de excepcional e único em todo o momento. O jogo acaba, então, ficamos apenas com a satisfação entranhada. Tão perto e tão longe que estão os futebóis.

O tempo passou num ápice, nem se deu por ele. Um outro jogo há-de vir, não há problema. Sem que nada façamos para isso, somos levados para outra galáxia. Há mesmo quem a considere a maior de todas: Inglaterra. O Cristiano Ronaldo já lá não está. Ok, e depois? Não se perdeu o cerrar de dentes de Rooney ou a excelência de Giggs. O instinto de Drogba, Torres ou Anelka. O toque de Gerrard ou Lampard. Nada disto saiu, tudo continua exactamente como antes. E estes são apenas os atractivos maiores para uma tarde bem passada. Recheada da magia que a televisão atira para junto de nós, aquela que só os ingleses conseguem pôr nos seus estádios. Não se explica, entra-se na onda.

Começamos nas raízes de Iglesias, chegamos aos Beatles, falta Ramazzotti para completar o trio de ouro. Do futebol que muitas vezes se torna música. José Mourinho, claro. É o primeiro a vir à memória. De quem mais nos poderíamos lembrar quando falamos do Calcio? Não pensou logo no Speciale, leitor? Muitos são os que se tornaram fãs de Itália devido ao setubalense. É um futebol chato. Mas Mourinho, por si só, é um bom motivo para continuarmos da mesma forma, sem pensar sequer em mudar de canal, porque há espectáculo garantido. Ibra foi embora, veio Eto'o. Não é bem a mesma coisa em termos de jogo mas para o adepto a diferença é quase nenhuma. Pato e Diego, pés mágicos nos rivais, garantias de qualidade em casa. Que pena é que Ronaldinho não esteja para aí virado. Que pena!...

Percorremos as três fortalezas, falta ainda chegar à França e à Alemanha. Estão mais abaixo, ninguém duvida, mas sempre matamos saudades de uma dupla que tanto talento por cá deixou: Lucho e Lisandro. Bendita a televisão que o permite! Repitam-se as graças porque, além disso, também nos encanta com Ribéry ou faz-nos descobrir a arte de um Grafite brasileiro com pés mágicos. Tanta coisa boa que podemos ver num dia só, com um pequeno toque no botão do comando da televisão. Depois disso, desligamos a corrente. Continuamos comodamente instalados no sofá. Nunca dali saímos. O corpo, pelo menos, não se mexeu. Mas ficou a satisfação.

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